quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Visita à D. Coca – 1953


A D. Coca não está nesta foto, mas era a dona desta casa e do terreno em redor. Era francesa e estava casada com um senhor chamado Maravilhas. O terreno ficava por cima da Boavista, em Portimão. Esse terreno deu origem ao que é hoje o Bairro Coca-Maravilhas.
Foto enviada por Sílvia Martins
NOTA: Por termos lido uma versão da história da origem da designação do bairro Coca-Maravilhas um pouco diferente da que Sílvia Martins nos fornecia, pedimos a sua ajuda para deslindar o caso. A Sílvia conferiu a história com a sua avó. Aqui a publicamos com a próprias palavras da concorrente:
Enquanto não falei com a minha avó não descansei. Que afinal está velhota mas não está esquecida.
Passo a contar a versão dela:
O Sr. Luís Maravilhas (filho do primeiro Luís Maravilhas?), que usava uma luneta presa por uma fita preta, irmão da D. Ana Maravilhas, que tinha um atelier de alta-costura em Lisboa, era casado com a D. Coca, uma senhora francesa.
O casal vivia em França mas vinha passar temporadas a Portimão. Nunca tiveram filhos.
No entanto, a D. Coca acarinhou três crianças, filhos das suas criadas, como se fossem seus. Ajudava as mães a criá-los e até os levou para França para estudarem.
Duas delas, o Osvaldo e a Cecília, eram irmãos. O Osvaldo já morreu mas a Cecília ainda é viva. Telefonou há dois meses para a minha avó e convidou-a a ir passar umas férias com ela em França, onde ainda reside.
Outra criança era a Maria Carolina, também ainda viva e a residir em França. Andou com a minha avó na escola até à 2ª ou 3ª classe. Depois a D. Coca levou-a para uma vida melhor.
Ah, a minha avó nunca viu a D. Coca a andar a cavalo… A não ser que a D. Coca tenha vindo muito nova para Portimão e a minha avó não se lembre disso. Mas não era filha de nenhum Sr. Maravilhas, nem do primeiro nem do segundo. Era francesa e mal falava português. Nem sequer era a Maria Carolina a andar a cavalo. "Que jeito, a Maria Carolina andava era pelo campo a fora a brincar comigo e com as outras moças".
E pronto. A minha avó não se lembra das pessoas antes deste casal. Só da D. Coca e do Sr. Luís Maravilhas e destes três filhos “emprestados”.
Perguntei também à minha mãe se se lembra de alguma coisa. Diz que não. Só que era uma velhota muito gira.

3 comentários:

  1. Assim era o Maravilhoso Algarve cheio de histórias e lendas das Mouras Encantadas.
    Será que ainda existe um Algarve Encantado?

    Carlos Correia

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  2. Existe sim, Carlos Correia. Eu tenho a certeza que existe. Vivo cá e apesar de, por vezes, me desiludir com alguns excessos da modernidade, consigo encantar-me com regularidade com pequenos detalhes da vida quotidiana, com as pessoas,dos serrenhos aos marujos da praia,com a natureza, com as cores, com a luz...há sempre uma história encantada a espreitar por nós... :)

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  3. Gostei de saber que a Luísa ainda sente esse Algarve. Eu talvez já não o sinta porque já não vivo no Algarve. Para mim, o Algarve de que eu gostei, gosto e gostarei, é o das tradições, do genuíno, e não o Algarve importado do estrangeiro.

    Carlos Correia

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