segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Era uma vez em Olhão...


Por António Pina
[Ex-Governador Civil de Faro, ex-Presidente do Turismo do Algarve, cidadão algarvio]

Em tempos que já lá vão… a Vila de Olhão da Restauração era uma das principais terras algarvias e a faina da pesca aliada à indústria conserveira era um dos grandes sustentos económicos da população.

Viviam-se anos de grande prosperidade… de todo o país chegavam homens para trabalharem no mar. Chegavam também famílias inteiras italianas, principalmente sicilianas, que por uma razão ou por outra, se viam obrigadas a deixar as suas terras e investiam em Olhão dinheiro ou conhecimentos, na edificação de fábricas. Também nessa época chegaram os chineses e os marroquinos, que de casa em casa vendiam os seus produtos exóticos, que encantavam as mulheres locais, recentemente enriquecidas. Chegaram os ourives, que abriam ourivesarias atrás de ourivesarias na procura do dinheiro dos pescadores que compravam ouro no Verão em tempos de abundância e que o vendiam de Inverno, quando o mar já não dava o suficiente para o seu sustento. E chegaram as mulheres da vida, que numa terra de muitos homens solteiros ou com famílias longe, precisavam do conforto dum colo, após um longo dia no mar. Com a chegada das mulheres da vida os costumes mudaram.

Eram tempos mais libertinos.

Conta-se que certa mulher, casada com um pescador, morria de amores pelo seu vizinho. Todas as noites, assim que o marido abalava para a faina, abria a porta da sua casa e a sua cama ao seu amor clandestino. Numa noite de aparente calmaria, acabou por surgir uma grande tempestade no mar que obrigou os barcos a regressarem mais cedo a terra. O bom do pescador ao retornar a casa dá de caras com o vizinho ocupando o seu lugar no leito conjugal. Vai daí, antecipa-se logo a mulher que, não o deixando sequer abrir a boca, lhe lança:

“Vês? Tás a ver? Tou na cama com o vizinhe sim… Agora vai contar a toda a gente sê langareiro!!!”

Olhão

Sem comentários:

Enviar um comentário