quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mais uma história de Olhão


Por António Pina
[Ex-Governador Civil de Faro, ex-Presidente do Turismo do Algarve, cidadão algarvio]

Como em qualquer boa terra de pescadores que se preze, contam-se em Olhão um número infindável de histórias e de dizeres. Quase todas revelam alguma ingenuidade, aliada a um certo sentido de humor a que o próprio sotaque da terra, muitas vezes incompreensível para os que não labutam no mar, dá um carácter próprio.

Ora bem… em tempos que já lá vão, vivia em Olhão um pescador, de seu nome Balé, que além da pesca gostava de uma boa pinga. O bom do Balé assim que abria os olhos, agarrava-se à sua inseparável garrafinha de bagaço, que só largava quando, ao fim do dia, já de rastos se atirava para a cama.

Uma manhã, acorda o Balé pelo lusco-fusco, toma o seu pequeno-almoço de bagaço e ainda em fraqueza repete mais um copo e outro ainda, porque um homem tem que estar bem alimentado antes de ir pró mar…

E lá vai ele a caminho do barco… Um grande bom dia à Nossa Senhora do Rosário da Igreja Matriz: “Bom dia, Patroa…a bênçaa” . Mais meia dúzia de vénias à Nossa Senhora da Soledade: “A bênçaa…amiga…” E continuando por ali fora, cantarolando, chega ao cais onde na véspera tinha ancorado um iate inglês.

Pois por essa hora o dono do iate estava justamente nas suas lides e ao ouvi-lo cantarolar põe a cabeça por fora da vigia, a fim de ver o que se passava.

Espanto total do Balé ao ver a cabeça do inglês vigia fora, mas sem perder a compostura, porque os homens são para as ocasiões, logo lhe diz: “Moçe…mane englêse antão tense o barque ao pescôçe?”

Porto de recreio - Olhão

Sem comentários:

Enviar um comentário