quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O lobisomem da Franqueada


Por Dina Sacramento
[Tecnica de Turismo - Loulé]


Contava um tio-avô meu que quando ia namorar, às quartas-feiras e aos sábados, únicos dias autorizados naquela época (anos 20), acontecia-lhe quase sempre coisas esquisitas ao passar por uma encruzilhada sita na Franqueada, onde hoje há uma ponte sobre a ribeira de Carcavai, na velha estrada para Quarteira. Desculpem-me os detalhes mas, como pessoalmente gosto sempre de poder identificar locais e pessoas, penso que poderá interessar a outros também.

Então passando à estória: contava ele, muito convencido e sem qualquer lugar a dúvidas, que certa noite, passando por esse sítio, encontrou um cordeirinho que ao vê-lo se pôs a balir. Estranhando por não ver a mãe por perto e ser tão tarde para o animal estar naquele lugar, agarrou nele pondo-o às cavalitas. Mal o tinha posto sobre os ombros ouviu uma voz sussurrar: “quando me puseres no chão põe-me devagarinho”.
"Ai caramba… agarrei no bicho e espetei com ele no valado!" Eram essas as palavras do tio Blé Anica, pois assim se chamava esse meu tio-avô.

Nos dias seguintes andou intrigado, mas não contou nada a ninguém. Só observava para ver se conseguia saber quem era o lobisomem, até que por fim encontrou alguém seu conhecido com um grande galo na testa e um braço pendurado ao pescoço… perguntou-lhe imediatamente o que lhe tinha acontecido, ao que o outro respondeu: “porque perguntas? Não sabes o que foi?"

Claro que eu com 5, 6, ou 7 anos acreditava em cada uma destas palavras, ainda por cima vindas de alguém tão respeitoso como era aquele senhor … Passado algum tempo comecei a questionar-me sobre a veracidade desta e de outras estórias que ouvi na minha infância.
Não consigo acreditar que há bruxas “mas que as há, há...”


Castelo de Loulé

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