segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Santo Sacrifício


Por Ilídia Sério
[Empresária - Restaurante Casa Algarvia, Faro]

Ao domingo íamos à missa. Fazia parte das nossas obrigações. Vestíamos a melhor roupa, a que só se usava aos domingos ou em dias de festa, calçávamos os sapatos que não podíamos levar para a escola durante a semana e íamos à missa a S. Pedro.
Havia a missa das nove e meia, aquela a que as mães mais gostavam de ir, mas nós, as raparigas, preferíamos ir à missa do meio-dia.
Essa sim era a missa que nos enchia de alegria e entusiasmo, mas não pelo fervor religioso…
E lá íamos nós, chilreando como passarinhos, saltitando pelo caminho. Atravessávamos o Largo do Carmo, que nesse tempo não tinha sequer um automóvel estacionado, e entrávamos na Igreja de S. Pedro.
Percorríamos a nave central e sentávamo-nos no lado direito, o mais atrás possível (quando as mães deixavam), para podermos dar uma espreitadela, pelo canto do olho e por cima do ombro, aos rapazes que se encostavam à porta da igreja, de pé, para poderem ver todas as raparigas lá à frente.
E o fim da missa era o momento mais esperado…
Os rapazes eram os primeiros a sair e colocavam-se estrategicamente do lado de fora, para verem “de camarote” todas as raparigas a sair da igreja.
Era o Santo Sacrifício da Saída.

Igreja de São Pedro - Faro

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