segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Algarve para viver


Por João Juma
[Estudante de Economia na Universidade do Algarve]

Quando decidi colocar Universidade do Algarve – Curso de Economia na ficha ENES, nunca poderia imaginar que o meu destino passasse por caminhos tão paralelos ao que pensei ser o “ideal”.
Sendo de Lisboa, sempre olhei para o Algarve como um local impecável, para férias, tal como muitas outras pessoas o fazem.

Em três anos de vivência entre Faro, Albufeira e Tavira, apaixonei-me pelas pessoas, pelos locais, pelo clima e pela qualidade de vida.
Conhecendo um pouco o mundo empresarial e integrando-me na realidade local, fiquei triste com alguns aspectos que penso que poderiam ser alterados se houvesse vontade para tal…

Em primeiro lugar e começando pelo ensino há que referir as excelentes infra-estruturas da Universidade do Algarve. Na linda região em que vivemos, podemos cativar os melhores professores, políticos e empresários de modo a partilharem a sua experiência com os alunos, contribuindo para o desenvolvimento do nosso pequeno paraíso. Quem não quer trabalhar a cinco minutos da praia e sem hora de ponta? Porque não apostar na atracção de profissionais que elevem o nome da instituição para que através da formação prestada se vejam frutos a médio e longo prazo?
Infelizmente os alunos que a Universidade integra são, na sua maioria, guiados pelo canudo e não pelo desejo de aprendizagem, o que causa uma reacção desfavorável em qualquer entidade empregadora em Portugal. A maior parte dos alunos olha para o número de cadeiras com o tédio de ter que as passar em vez da excitação de poder aprender. Mentalidade algarvia ou falta de formação?

Em segundo lugar o que nós apelidamos Inverno, que na verdade é apenas uma “brisa” agradável, causa-nos sempre uma agonia indevida designada por sazonalidade, mas que é perfeitamente evitável.
Arrepia-me andar nas cidades do Algarve durante as noites de Inverno, não devido à temperatura mas à solidão. Sendo um dos locais mais quentes na Europa durante todo o ano, não se vê no entanto vivalma senão na estação alta.

Faltam pessoas no Algarve durante o Inverno…

Quantos lares de luxo para idosos existem no Algarve? Se eu não fosse um miúdo com 22 anos garanto-vos que realizava um investimento desse género e tinha retorno financeiro garantido para não falar da felicidade na cara das pessoas que tivessem o privilégio de lá ficarem. O Algarve é bom para as merecidas “férias” finais de qualquer vida.

Outro ponto que me ocorre refere-se às empresas de e-business. São empresas que, pela sua natureza online, podem estar sediadas em qualquer parte do mundo. Já temos algumas no Algarve, que curiosamente tiveram bastantes dificuldades em instalar-se. Um dos obstáculos que tiveram foi, por exemplo, dizerem-lhes que não queriam empresas que não tivessem interesse em recrutar Portugueses. Poderão não ter esse interesse mas terão outros para quererem instalar-se na região. Há que perceber essas razões e promover a sua fixação no Algarve, demonstrando-lhes todas as vantagens que por cá existem para viver.

Temos uma região turística que deveria também ser promovida e projectada como um local para se viver e para se trabalhar.

Hoje estou a estudar na Republica Checa e já contagiei estudantes para continuarem o seu percurso académico no nosso paraíso. Não foi necessário mais do que o vídeo promocional da nossa região e palavras sentidas.

Cabe-nos a nós decidir o que queremos fazer, de que forma e com que dedicação.
Temos todos a ganhar, temos todos o dever de partilhar.

Algarve

2 comentários:

  1. Muito bom o artigo!

    ResponderEliminar
  2. Estava a procurar por fotos do Algarve e deparei-me com a tua foto e em seguida com este artigo muito bom, que retrata uma realidade nítida do Algarve... Desejo-te sucesso nesta caminhada meu amigo. És uma pessoa muita querida e com um futuro brilhante pela frente... Saudade das paisagens, das pessoas, do clima... Saudade do Algarve...

    ResponderEliminar