terça-feira, 16 de novembro de 2010

Andar a pé sem comer, não!


Por Elisabete Rodrigues
[Jornalista, membro do Núcleo do Algarve da Liga Para a Proteção da Natureza]

Há mais de 20 anos que o Núcleo do Algarve da Liga para a Proteção da Natureza promove, todos os meses, passeios a pé, à descoberta dos tesouros naturais da nossa região.
Ao longo destas mais de duas décadas, já se têm passado situações estranhas.

Os passeios, embora não seja essa a sua principal faceta, acabam por ter uma vertente turística, até porque a LPN Algarve foi a primeira instituição a promover, na região, percursos de Natureza de forma organizada e regular. Mas, tendo em conta que somos uma Organização Não-Governamental de Ambiente, o enfoque nos nossos passeios é sempre nas questões ambientais, de conservação da Natureza e de educação ambiental. Os guias são, por isso, pessoas que gostam de andar a pé, que percebem (muito ou só um bocadinho) sobre as questões ambientais em causa num determinado percurso. Não são guias turísticos, nem a LPN Algarve tem vocação para o turismo!

No entanto, gostamos sempre de dar a conhecer, além do património natural, outras riquezas do local onde vamos passear a pé. Nomeadamente o seu artesanato ou a sua gastronomia. É que a LPN Algarve considera que o Turismo de Natureza é muito mais do que ir passear para um local e não deixar lá nada. Devemos contribuir sempre para a economia local, nem que seja apenas aconselhando ao grupo os restaurantes da terra.
E foi precisamente numa desta situações que sucedeu um dos casos mais estranhos em duas décadas de passeios.

Aqui há uns 10 anos, organizámos um passeio na zona de Querença, que terminava com um almoço no saudoso Moinho do Ti Casinhas, da D. Maria de Jesus. Como o restaurante era pequeno, limitámos as inscrições para o almoço às primeiras 12 pessoas. E avisámos os restantes inscritos que teriam que procurar outro restaurante na zona ou que levar merenda. Claro que as inscrições para o passeio mais almoço se esgotaram rapidamente.
No sábado em causa, lá fomos nós fazer o percurso, confiantes de que, depois de andarmos uns quilómetrozitos a pé, teríamos um excelente repasto à nossa espera no Moinho do Ti Casinhas.
Eu, que era a guia daquele passeio, estranhei que aí por volta do meio dia e meia alguns dos participantes tivessem resolvido voltar para trás. Na altura, não percebi porquê…

Quando a esfomeada dúzia de inscritos no passeio mais almoço chegou ao Moinho do Ti Casinhas, foi a surpresa total: é que, nas mesas que haviam de ser nossas e a comer a comida que tinha sido preparada para nós, já lá estavam as tais pessoas que tinham deixado o passeio a meio…
É que esse grupinho, que se tinha inscrito mais tarde e por isso já não tinha podido ficar no rol de felizes comensais, tinha simplesmente resolvido passar-nos à frente.

A D. Jesus, a quem o grupinho tinha dito que pertencia ao passeio da LPN Algarve, ficou atrapalhada com a situação, embora a culpa não fosse, de forma alguma, dela.
E nós, a tal dúzia de esfomeados caminhantes, tivemos que nos contentar com uns queijos e chouriços…divinais. Não ficámos nada mal servidos, mas não foi o almoço que estávamos à espera e que tínhamos marcado…

Resultado: aquele grupinho nunca mais foi aceite nos passeios da LPN Algarve.

E A LPN nunca mais se responsabilizou por marcar almoços para os passeios! Sugerimos restaurantes e depois logo se vê!

É que isto de andar muito a pé e no fim não ter o que comer não é agradável!
Fonte da Benémola - Querença

1 comentário:

  1. Na minha modesta opinião acho bem mais saudável cada participante levar a sua merenda na mochila e fazerem uma refeição em grupo, por exemplo sentados ao pé de uma ribeira ou apreciando um cenário relaxante...
    Há tantos no Algarve.

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