terça-feira, 30 de novembro de 2010

Património geológico do Algarve

Por Luis Nadkarni
[Monitor de desporto]

No final da década de 70 do século passado foram realizadas com sucesso as primeiras descidas ao Algar da Maxila no Cerro da Cabeça, em Moncarapacho, no Algarve.
Tive o privilégio de integrar uma dessas equipas, com o João Humberto e o Nelson de Moncarapacho e o Luis Rocha Cruz de Faro. Lembro-me dessa aventura como se fosse hoje.

Começámos por descer um poço através de corda fixa, que deu acesso a uma pequena plataforma onde tinha sido previamente montada uma escada em aço com a respectiva corda de segurança. A partir desse local, iniciámos a descida de um poço aéreo com cerca de 20 metros, que deu acesso a outra plataforma, um pouco maior, onde está incrustado o fóssil de uma maxila de animal que veio a dar o nome ao Algar.

Empreendemos então a descida de mais um poço em forma de tubo vertical, com cerca de 30 metros de profundidade, utilizando escada metálica e corda de segurança. Descemos os quatro e quando alcançámos a base estávamos a aproximadamente 60 metros de profundidade. O objectivo desta expedição era desobstruir uma passagem que daria acesso a outro poço nunca antes explorado. O João Humberto preparou a dinamite e após duas detonações conseguiu-se desobstruir a passagem. O João e o Luís Rocha iniciaram a descida desse novo poço, sendo os primeiros seres humanos a vislumbrar a continuidade do Algar da Maxila. O Nelson e eu ficámos nos 60 metros a garantir segurança.

Na subida do Algar tudo se complicou. Estávamos no inverno e tinha estado a chover torrencialmente todo o dia pelo que apanhámos com uma enxurrada de água que vinha da superfície. Avariaram-se os gasómetros e as pilhas eléctricas e foi com muito sacrifício, espírito de equipa e alguma sorte, que conseguimos acender uma pequena vela que nos permitiu ver a primeira escada pendurada sobre o abismo, conseguindo subir até à superfície.

Ainda hoje esta descida aos noventa metros da Maxila constitui o recorde de profundidade atingido em grutas algarvias.

Uma aventura que jamais esquecerei.
À memória do João Humberto.

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