Por Filomena Serol
[Técnica de turismo - Armação de Pêra]
As gentes de Alvor e arredores conhecem provavelmente muitas histórias do Raul, uma figura típica da terra nos anos 30/40 do século passado. Eu própria, não sendo de Alvor, ouvi muitas vezes o meu avô contar histórias deste pescador que, além disso, também era sacristão.
Raul era um daqueles homens inofensivos e simplórios que, pela sua inocência, despertava muitas vezes as traquinices dos jovens, sempre prontos a pregar-lhe partidas e a desafiá-lo para que perdesse as estribeiras.
Numa ocasião em que na terra se celebrava a festa de Nosso Senhor dos Passos, Raul, o sacristão, ia na frente da procissão segurando a cruz de Cristo. A rapaziada ia desafiando o Raul com palavras e pequenos toques. Tanto o picaram que, quase ao recolher da procissão, o Raul perdeu a paciência e desatou numa corrida atrás deles. Na fúria da perseguição, nem deu pelo crucifixo ter caído do seu suporte e acabou por regressar à igreja já sem o Cristo no topo.
O pároco, ao aperceber-se da situação, questiona o Raul, que de imediato exclama:
“Ah mãe… Sô Prior! Atão na querem ver qu’o amaldçoade foi correndo atrás dos môces!”

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