quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A sentença da costureira


Por Corina Justo
[Técnica de turismo - São Brás de Alportel]

No interior algarvio, as populações mais envelhecidas são muito supersticiosas e não faltam histórias de agoiros e de almas penadas, que passam de geração em geração.

Muitas pessoas nascidas em S.Brás de Alportel conhecem certamente “a sentença da costureira”. A minha avó materna era ainda solteira e já tinha ouvido esta história, que, por sua vez, não se cansava de contar.

Consta que uma costureira tinha prometido confeccionar um vestido bordado a ouro para a Nossa Senhora de Fátima, se esta curasse a sua filha da doença muito grave de que padecia.
Concedida a cura, a costureira não pôde, no entanto, cumprir a promessa, pois era muito pobre.
Diz o povo que a costureira depois de falecer começou a vaguear pelo mundo e, ainda hoje, anda de casa em casa, continuando a costurar. Em São Brás de Alportel, muitas pessoas dizem ouvir uma máquina de costura em funcionamento, com o seu ruído característico, o abrandamento do pedal quando está prestes a parar e o pousar das tesouras no tampo.

São inúmeros os testemunhos e são relatados por muitas gerações.

Conta-se que a assombração também aconteceu na casa da nora do Tio Marcelino, condutor reformado de carros de praça. Ele, não acreditando em histórias de almas penadas, pensou que o antigo relógio de corda, que estava na sala, era o causador daquele barulho estranho. Retirou o relógio da parede para não suscitar mais dúvidas. Passado pouco tempo, ouviu novamente o barulho da máquina de costura, tal e qual como se estivesse ali perto dela.

Superstição ou realidade?

Os que contam ter vivido a mesma experiência não têm quaisquer dúvidas: “Quem promete, em dívida se mete”.

Calçadinha Romana - São Brás de Alportel

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