segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Algarve está com a selecção

Por Pedro Bartilotti
[Programador Allgarve - Faro]

Esta história remonta ao Europeu de Futebol 2004 realizado em Portugal.

Tudo começou com o meu desencanto ao perceber que as iniciativas que estavam a ser realizadas em torno deste evento não continham os ingredientes à altura. Faltava festa, alegria, descontracção, cor… Perante este cenário, lembrei-me então de criar uma personagem baseada num artista que eu na altura representava: o Beto Kalulú.

O primeiro desafio que lhe fiz teve como base a sua imagem de marca. Estou a falar da sua farta cabeleira. Expliquei-lhe a ideia que tinha em mente e perguntei-lhe se tinha algum problema em pintar essa mesma cabeleira com a bandeira de Portugal, ao que ele respondeu sem hesitar que estava 100% disponível.

Seguidamente fui ressuscitar uma música que ele tinha gravado em Londres (estilo remix) e adaptei-a, com uma letra simples e patriótica, ao tema em questão.

Tinha de dar um nome à personagem. Betuga foi o nome que escolhi, uma mistura de Beto com Tuga. O cenário estava a criar forma.

O passo seguinte foi conseguir o apoio de um cabeleireiro e fazer a experiência da pintura da cabeleira. O Cabeleireiro Saint Karl situado no Fórum Algarve foi o escolhido.



Depois de encontrada a personagem, a música e o cabeleireiro, restava arranjar uma forma de dar a conhecer este projecto. Telefonei na altura para a SIC e esta acedeu prontamente a registar todo o processo de transformação do Betuga. A reportagem, com cerca de quatro minutos, passou em horário nobre no jornal da noite e a partir daí foram dois meses sem parar. Televisões, rádios, jornais, etc.

Recordo-me de um dia, quando ao regressarmos de uma ida a Lisboa acompanhados pelas “nossas” cabeleireiras, a dado momento, o Betuga resolve descalçar as suas sapatilhas e colocar os pés no tablier do carro. Até aí tudo bem, não fosse passado poucos segundos começar a sentir-se um odor nada agradável dentro da viatura. Pensei então no que haveria de fazer. Ganhei coragem e disse:
“ Desculpa Beto, mas calça por favor as sapatilhas…”, ao que ele respondeu:
“ O quê? Não pode ser. É impossível… Eu nunca cheirei mal dos pés…”.
Eu disse novamente:
“ Desculpa lá, mas assim que tiraste as sapatilhas sentiu-se logo o cheiro…”.
Betuga aproximou os pés do seu nariz e continuou a afirmar que os seus pés não cheiravam mal. Foi então que abrimos as janelas e realmente o homem tinha razão. Afinal o cheiro vinha da fábrica de celulose… Foi uma risota para todos, incluindo as cabeleireiras que viajavam connosco. Afinal as coincidências acontecem quando menos esperamos e neste caso deu para a boa disposição e alegria.

Teria dezenas de histórias passadas com esta personagem para contar. Talvez as escreva, um dia. Entretanto, fiquem com estas fotos e imaginem o que quiserem…

2 comentários:

  1. Patrícia Correia07/01/11, 13:31

    Eu lembro-me perfeitamente deste "personagem" a cantar no palco montado no Jardim Manuel Bivar, em Faro, a quando da transmissão dos jogos do Euro 2004. Felicito-te Pedro pela "criação" deste "boneco" tão patriota ;)

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  2. grande amigo beto! és único!

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