quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Luis Kadó

Por Corina Justo
[Técnica de turismo - São Brás de Alportel]

Figura bem conhecida dos São-brasenses, o Luís Kadó, já falecido, costumava deambular pelas ruas de S. Brás não passando despercebido por causa da tosse característica que o afligia, devido ao tabaco. Era uma presença assídua em qualquer evento mais ou menos importante, fosse no cinema, nas noites de verão no jardim da Verbena, nos jogos de futebol disputados entre os clubes locais, nas palestras na biblioteca, nos bailaricos, na missa e o posto de turismo não era excepção. Às vezes entrava só para me cumprimentar:

“Bom dia Corina! Amanhã faço anos. 47. Não pareço, pois não? Diz lá Corina se não sou bonito? Não sou parecido com o Alain Delon?”
Eu respondia:
“Sim, Luís és lindo”.
Ele insistia que fazia anos no dia seguinte perguntando-me o que eu lhe iria oferecer.
E eu tentava saber se ele gostaria de alguma coisa em particular. Então ele enumerava o que os amigos já lhe tinham dado:
“A D. Cidália (Directora da Santa Casa da Misericórdia, em S. Brás) ofereceu-me um pulôver; o meu amigo Leonel (ex-piloto da TAP e actual piloto da Royal Air Maroc) trouxe-me de Marrocos um belo casaco de cabedal…Tinha uma televisão mas está avariada!”

A dica tinha ficado no ar. O Luís ganhou um televisor que já não era usado lá em casa mas que funcionava perfeitamente. E eu fiquei com direito a uma fatia de bolo que ele fez questão de trazer embrulhado numa folha de papel de alumínio.

Noutra ocasião, desta vez pelo Natal, também queria receber uma prenda. Olhava para a vitrina do posto dando a entender que poderia ser o que eu quisesse dar-lhe.
Voltou no dia seguinte e lembro-me de lhe ter oferecido um chapéu de palha.

Um dia entrou de rompante no posto de turismo, muito aflito, para averiguar se eu não teria uma fotografia dele tirada num Domingo de Páscoa, porque queria aparecer na revista Algarve Mais.
E eu tinha, de facto, essa fotografia das Tochas Floridas que a Câmara Municipal me tinha reencaminhado. Mostrei-lha e ele ficou encantado revendo-se no Alain Delon em pessoa.

E assim ficou o Luís Kadó imortalizado.


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