sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O meu Natal

Por Angela Reis
[Técnica de Comunicação e Imagem no Turismo do Algarve]

Eu adoro o Natal. Não pelas prendas, não pelos doces, que também adoro, nem propriamente só pela noite da Consoada, mas por toda a preparação e envolvente que antecede os dias 24 e 25 de Dezembro.
Desde miúda que a minha mãe sempre me incutiu este gosto. Tudo começava no dia 8 de Dezembro, não sei porque razão mas, na minha casa, a árvore de Natal só se montava no dia 8 e retirava-se a 8 de Janeiro. Já tinha lugar cativo na sala, mesmo ao lado do presépio que também era feito por nós, em família. Eu fazia os caminhos em cartolina e colocava sinais de trânsito. Na minha inocência, sem perceber muito bem porque razão não havia carros naquela altura, colocava os sinais para as vaquinhas e para as ovelhas, colocava a estrelinha que guiava os Reis magos e punha areia em volta. Só não havia musgo, porque morávamos na cidade.
Nunca participei nas compras de Natal, nem me chamava a atenção - até hoje é uma das partes que mais me aborrece - mas adorava ver a minha mãe chegar a casa com aqueles embrulhos todos e colocá-los debaixo da árvore, sem nomes, para me baralhar, e levava os serões de volta da árvore a pegar nos presentes e a perguntar:
“É este que é para mim, mãe?”
A resposta, sempre negativa, era como uma facada no meu pequeno coração…
“As prendas dos meninos, são entregues pelo Pai Natal, que só vêm no dia 24 porque até lá está à espreita para ver quem se porta bem e merece o presente, essas que estão na nossa árvore são para os adultos”.
E eu acreditava, até porque nas histórias que via na TV, o Pai Natal só levava prendas para as crianças. E então lá ficava, com aquela ansiedade, a ver a árvore a aumentar e a suspirar para saber se o Pai Natal achava que eu me tinha portado bem…



Chegava então o dia 24. Logo pela manhã, lembro-me de acordar em êxtase para ajudar (ou atrapalhar) a minha mãe na cozinha. O meu pai tratava da comida (isso não me interessava) e a minha mãe tratava dos doces (essa sim, era a parte que me entusiasmava) – as rabanadas, os sonhos, as filhós, o tronco! Eram horas que me enchiam a alma de alegria. Depois começava a chegar a família, sempre sem crianças - eu era a única até aos nove anos, altura em que nasceu a minha irmã - e os adultos começavam com aquelas conversetas de “gente grande” que me aborreciam. Então eu ia ver os filmes de Natal até que me deixava dormir. Raramente ficava acordada até à meia-noite. Às vezes os meus pais acordavam-me, outras nem por isso e a alegria de abrir os presentes durava um pequeno instante do dia seguinte, até porque não recebíamos nem um terço do que os miúdos recebem hoje em dia, mas dávamos muito mais valor ao que recebíamos.
O dia de Natal era passado na casa da minha avó paterna e era como reviver tudo outra vez, mas com outras caras. Boa! Mais presentes, mais doces, mais alegria. E na casa da minha avó era sempre eu quem distribuía os presentes que o Pai Natal tinha lá deixado na noite anterior. Que grande honra!
Depois do almoço e durante muitos anos, o ritual era sempre o mesmo: quer chovesse ou fizesse sol íamos ver o Presépio dos Bombeiros Municipais de Faro e deitávamos uma moedinha para dar sorte para o novo ano e ajudar os mais carenciados. E eu adorava ver as figurinhas e pensar como seria viver ali. Só não percebia porque razão não tinham sinais de trânsito.
Hoje, e já adulta, tento não perder o verdadeiro espírito do Natal e tento que o consumismo não se apodere de mim, pois afinal o que importa é a comemoração desta época tão especial!

1 comentário:

  1. Fernanda Lobo17/12/10, 15:21

    Angela, que história linda e que na totalidade subscrevo, é que "eu ainda sou do tempo" em que além de toda essa azáfama Natalícia os presentes nem na Árvore de Natal se colocavam, ficavam escondidos, e só eram abertos no dia 25 de manhã, porque era o Menino Jesus (ou seja, os nossos Pais) que durante a noite enquanto dormiamos ía deixar os presentes para os meninos e restante família que se tivessem portado bem, no "sapatinho" que era deixado debaixo da chaminé, por onde supostamente Ele descía. Hoje recordo, e não querendo ser saudosista, com saudade esses dias inocentes e lindos da nossa infância.
    Fernanda Lobo

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