segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O presépio


Por Luisa Correia
[Documentalista - Turismo do Algarve ]

Por estes dias armam-se os presépios. Lá em casa já tratei do assunto. De uma forma simples, apenas expondo as figuras sob a árvore de Natal, que este ano resolvi fazer a partir de um tronco seco de oliveira. Mas, de repente, deu-me a saudade do entusiasmo com que assistia ao armar do presépio na minha infância. Lembro-me, sobretudo, do presépio que as minhas primas mais velhas armavam na “casa de fora”, que era como se chamava então à sala de entrada da casa, a partir da qual se acedia aos quartos e à cozinha.
Primeiro havia que recolher pedras, areia e musgo. E também murta e pitas. Transportavam-se esses materiais em alcofas de empreita e depois de escolhido o canto da sala para os dispor, começava-se a construção do cenário que havia de acolher as figuras da sagrada família, mas também uma série de outros personagens associados à representação da cena da natividade. Os Reis magos, claro, os pastores e as suas ovelhas, o burro e a vaca no estábulo. Depois, o cenário havia de acolher também os ícones que faziam parte da vida do povo: a igreja, o moinho e o moleiro, a ribeira e a ponte para a atravessar… À verdura colhida no campo, juntavam-se as searinhas que haviam germinado a partir dos grãos de trigo colocados em água, em pequenos recipientes, algumas semanas antes do Natal. Aos poucos era criado aquele maravilhoso quadro naïf que ficaríamos a observar ao longo da quadra.

Assim era o presépio da minha infância. Mas também havia um presépio mais simples, em que apenas se utilizava a figura do Menino Jesus. É um Menino de pé sobre uma peanha, que se coloca num trono armado em pirâmide com caixas de diversos tamanhos, cobertas de panos rendados. Nos vários andares do trono são colocadas searinhas e laranjas. Este é o presépio tradicional algarvio que se fazia no interior da região com os meninos esculpidos em madeira por artistas populares do século XIX, conhecidos como “pinta-santos”.

Decidi que, por estes dias, hei-de visitar os presépios que, pelo Algarve fora, em museus, associações culturais e outras instituições públicas, muitas mãos replicadoras de tradições colocam à disposição do nosso olhar.



Postal de Boas Festas do Turismo do Algarve, a partir de um presépio tradicional algarvio do Museu do Trajo de S.Brás de Alportel - Anos 90.

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