quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ai que ricas uvas!

Por Odete Coelho
[Aposentada - Quarteira]

Há mais de 50 anos, um senhor abastado, meu vizinho nos arredores de Loulé, detentor de enormes propriedades, levava as moças da terra para o ajudar nas vindimas.
Também a mim coube tal importante tarefa…
Bem cedinho, pela madrugada, lá fomos nós até à Ribeira de Algibre apanhar as uvas, que depois iriam ser pisadas pelos pés bem lavados (?) dos homens da terra. Era assim que se fazia o vinho!
E lá andámos nós ao calor, petiscando discretamente um e outro bago de uvas que ajudava a saciar a gulodice das nossas papilas gustativas…
Ansiávamos por chegar ao final das vindimas e ser compensadas com a oferta de deliciosos cachos de uvas de bago miúdo, de uma doçura infinita…
Julgávamos mal…
Ao final do dia, o avarento proprietário sentou-nos à sua mesa na qual dispôs duas bandejas de uvas: uma delas (pequena) com cachos meio pisados e de má qualidade e outra (grande) lindíssima que nos saciava só de olhar… Sim, era mesmo só com o olhar!
O avarento proprietário antes de sair da sala cuspiu em cima da bandeja das lindas uvas dizendo: comam à vontade que eu já volto…



Sem comentários:

Enviar um comentário