sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A lavadeira


Por Ilídia Sério
[Empresária - Restaurante Casa Algarvia, Faro]

Graças à Internet e principalmente ao Facebook, tenho reencontrado velhos amigos que não via (alguns) desde o tempo do Liceu Nacional de Faro e, para cimentar essas velhas amizades, organizamos de vez em quando um almoço ou jantar onde convivemos alegremente e recordamos velhas estórias do tempo em que, jovens, frequentávamos a mesma escola.
Alguns desses, agora bons e grandes amigos, nem sequer os conhecia nessa altura, mas o nosso elo, o Liceu Nacional de Faro, é tão forte e presente que é como se tivéssemos sido amigos de sempre e nunca nos tivéssemos desencontrado na vida.
Num desses divertidos almoços, reencontraram-se duas amigas que, para além do Liceu, tinham partilhado, na juventude, uma lavadeira. Era costume nesses velhos tempos, nas famílias com uma vida um pouco mais desafogada, ter uma lavadeira que ia a casa lavar a roupa da semana, o que fazia em várias casas, conforme os dias da semana.
E claro que se aproveitava para uns dedos de conversa.
Um dia, a lavadeira, em casa da Manuela, levou a novidade, contada em tom a pender para o trágico:
“Sabe, minha Senhora, o namorado da Milocas foi p’rá tropa, tadinho!”
“Sim? Então e foi para onde?” perguntou a senhora.
“Ê cá nã me lembro muito bem… mas a senhora sabe como se chamava o primeiro homem que houve?”
“Sim, foi o Adão.”
“Atão, e a mulher dele, como é que se chamava?”
“A mulher era a Eva.”
“É isso, minha senhora, ele foi p’ra Évara, tadinho!!!”
Lavadeiras - Algarve, anos 60

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