Ficámos alojados numa pensão da aldeia, por cima do café-restaurante onde também jantávamos (e muito bem).
Como o nosso objetivo era andar a pé, o guarda-roupa era composto por botas de caminhada, roupa para andar ao frio e à chuva, ou seja, nada elegante.
Na noite da passagem de ano, o meu grupo de amigos resolveu indagar onde haveria uma festa à maneira para irmos dançar um bocadinho e beber um copo. A senhora do café do Cachopo lá nos indicou um baile numa aldeia que ficaria, em linha reta, aí a uns cinco quilómetros dali, mas que, pelas estradas da serra, ficava bem mais longe.
Limpámos as botas carregadas de lama, sacudimos as calças de caminhada para lhes dar um ar mais decente, colocámos uma camisola lavada e lá fomos nós, por montes e vales, até ao dito baile.
Quando entrámos no salão, já depois de sermos olhados meio de lado à porta, fez-se quase um silêncio, enquanto os locais nos observavam.
É que, na festa de passagem de ano daquela aldeia, pelos vistos muito famosa nas redondezas serranas porque estava a abarrotar de gente, todos se vestiam com as suas melhores roupas: elas de cabelos arranjados, maquilhagem, saias compridas e blusas brilhantes, eles de fato, colete e gravata (que iam tirando conforme o calor ou as cervejas bebidas).
E o nosso grupo de quatro pessoas ali estava no meio, com ar de quem tinha acabado de chegar da serra – e tinha! - e alguma lama agarrada às grossas botas de caminhada…
Mas, como as pessoas do campo são generosas, depressa deixaram de olhar para aquele grupo de quase marcianos citadinos e toda a gente continuou a dançar animadamente, ao som da vocalista-organista de serviço, de seu nome Sandrine.
Nós fartámo-nos também de dançar, inclusivamente com algumas das outras pessoas do baile (apesar de as botas não serem propriamente o calçado mais apropriado para danças…). No fim, até fomos pedir autógrafos à vocalista-organista (esclareça-se que, nesta altura, já tínhamos bebido uma boa quantidade de minis…).
O mais difícil da noite acabou mesmo por ser o regresso a Cachopo. É que eu, que era a motorista de serviço, me esqueci do caminho (terá sido das cervejas?...ou da dança?) e resolvi seguir a direito pela serra fora. Isto às 2h30 da manhã daquele dia 1 de janeiro de 2001, sem se ver vivalma nos trilhos serranos… Não dei parte de fraca e fui sempre conduzindo como se soubesse perfeitamente qual era o caminho. Ao fim de hora e meia de subidas e descidas em estradas que não faço a mínima ideia onde ficavam, acabámos milagrosamente por ir dar à estrada alcatroada, a um quilómetro do Cachopo e regressámos à civilização.
Ainda hoje guardo o cartão com o autógrafo da vocalista-organista Sandrine!

muito bonito
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