quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Costa Vicentina vista de um ângulo diferente

Por Luis Nadkarni
[Monitor de desporto - Faro]

No ano de 1979, após ter realizado vários treinos de escalada nos blocos rochosos do Cerro da Cabeça, em Moncarapacho, decidi explorar o potencial da Costa Vicentina para o desenvolvimento desta actividade desportiva. Falei com o meu colega de aventuras, Jean Michel, e escolhemos a zona entre Monte Clérigo e Amoreira (Aljezur) para realizar uma série de escaladas.

Fomos de comboio até Lagos onde apanhamos um autocarro que nos levou até Aljezur. Iniciámos então a caminhada entre Aljezur e Monte Clérigo (cerca de 7 Km). Chegados à Praia de Monte Clérigo, montámos as tendas e nessa mesma noite houve fogueira na praia, umas cervejinhas e guitarradas. Já conhecia razoavelmente aquelas paragens, dado que tinha amigos de Faro que passavam as férias do verão naquela zona e já os tinha ido visitar anteriormente.



Na manhã seguinte fomos para o local escolhido para as primeiras escaladas, uma falésia com cerca de 35 metros de altura situada na extremidade sul da Praia da Amoreira, junto à foz do rio. Nesta escalada utilizámos corda dupla (40 m), pitons de fabrico artesanal, mosquetões, arneses de corda (cadeira suíça). Levei umas botas "Vibram" que um amigo do meu pai me tinha trazido dos Estados Unidos. A escalada desta falésia decorreu sem problemas, indo eu à frente "a abrir" e o Jean a fazer segurança. Chegados ao topo desfrutámos de uma paisagem fantástica que só a Costa Vicentina proporciona.

Recordo-me de ter escalado, desta vez em livre, a cara do "Gigante Deitado", uma formação geológica xistosa situada na extremidade norte da Praia da Amoreira onde não aconselho de modo algum a escalada. Tendo conseguido atingir o topo, neste caso o "Nariz do Gigante", viria, no entanto, a apanhar uns belos sustos, principalmente na descida. A sensação de estar literalmente pendurado numa falésia sobre o mar, observando aquela imensidão onde a terra acaba e o mar começa, foi uma experiência verdadeiramente fantástica. Nesses tempos, estas nossas aventuras iriam contribuir decisivamente para o desenvolvimento da escalada no Algarve, dado que posteriormente um grupo de jovens algarvios ficou apaixonado por esta modalidade desportiva que promove a auto-confiança, destreza e desenvolve capacidades de decisão para ultrapassar dificuldades.

Valeu a pena.

Praia da Amoreira - Aljezur

1 comentário:

  1. Um excelente documento histórico do pioneiro da escalada e montanhismo no Algarve. O chamados Spots de escalada no Algarve (Sagres e Rocha da Pena) foram pela primeira vez escalados por Luis Nadkarni e seus companheiros. Felizmente passou o testemunho aos mais jovens, o que permitiu desenvolver o montanhismo e escalada.
    Cronologicamente: Luis Nadkarny (1978), Grupo de Montanhismo de Faro (1984), Núcleo de Montanhismo da Casa de Cultura da Juventude do Algarve (1998) e actualmente A.M.E.A. Associação de Montanhismo e escalada do Algarve.
    Alexandre Rodrigues (sócio fundador do Grupo de Montanhismo de Faro (1983-1991).

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