quarta-feira, 30 de março de 2011

Chocos à pressão

Nada como uma visita ao mercado local para encontrar os melhores produtos frescos e inspiração q. b. para desencantar uma receita directamente proveniente do baú das memórias. Foi o que fez a Célia Arménio que aqui partilha a sua experiência.


O Algarve é abençoado por um sol magnífico e por um mar sem fim. Este mar é generoso em peixe, moluscos e crustáceos. O choco é apenas uma das muitas espécies que pululam as ricas águas da costa algarvia.

É um gosto ir ao mercado de Olhão e ver a diversidade e a frescura da fauna marítima, disposta em bancadas, à espera que alguém ceda ao pregão das “varinas”. Escolho então uns chocos frescos, de médio porte, que parecem estar ainda vivos, a julgar pelo matizado da sua pele que continua brilhante.

Sábado de manhã é um ritual ir ao mercado comprar peixe e legumes frescos. De passagem, paro ainda nas “montanheiras” para comprar ervas aromáticas e flores. Antes de ir para casa, tomo um cafezinho e como um docinho.

Chego a casa e já de avental à cintura ponho-me a arranjar os chocos. Começo por tirar o ferrão, a limpá-los por dentro, tendo o cuidado de guardar as ovas, que são uma delícia. Depois tiro a pele e lavo os tentáculos com delicadeza, abro os chocos ao meio e corto as metades em quatro.





Depois desta tarefa, escolho umas batatas ovaladas e perfeitas (roxas de preferência) e após descascadas, corto-as ao meio na horizontal. Seguidamente, coloco azeite na panela de pressão (tanto quanto o gosto de cada um), uma folha de louro à qual extraí o veio, três dentes de alho espalmados, as batatas e por fim junto os chocos, incluindo os tentáculos e as ovas. Junto ainda um copo de vinho branco. Fecho a panela e deixo que levante fervura, em lume brando, até que a pressão do vapor faça o apito girar freneticamente cerca de 20 minutos.

Enquanto isso, preparo a mesa e abro uma boa garrafa de tinto algarvio, deixando-o respirar antes de o servir, acompanhando os chocos à pressão que entretanto está pronto para empratar e fazer as delícias do mais exigente paladar.

Viram como é fácil? Garanto-vos que é muito saboroso. Resta-me agradecer à minha avó Laura, que já não está entre nós, ter-me legado esta sua receita, que tanto aprecio e que agora partilho convosco.

Bom apetite!



Por Célia Arménio

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