sexta-feira, 4 de março de 2011

Os vinhos e a Região Vitivinícola do Algarve


Contamos hoje com a colaboração do Presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve, Carlos Gracias, que nos fala da evolução sofrida nos últimos anos, no Algarve, no sector dos vinhos, nomeadamente da sua crescente qualificação e procura.


O desenvolvimento da vitivinicultura está intrinsecamente ligado ao nascimento da civilização e culturas europeias, particularmente na região Mediterrânea. A região vitivinícola do Algarve localizada no extremo Sul de Portugal, coincide geograficamente com o distrito de Faro. Toda a sua área corresponde à zona produtora de vinho regional Algarve e vinho licoroso de indicação geográfica "Algarve".

Na zona litoral, marginando a costa atlântica, localizam-se as quatro regiões produtoras de vinhos de"Denominação de Origem": DOC Lagos, DOC Lagoa, DOC Portimão e DOC Tavira.
A área total de vinha do Algarve abrange cerca de 2000 hectares, dos quais cerca de 500 têm vindo a ser reestruturados nos últimos 10 anos, com o recurso a novas castas e às mais modernas técnicas de instalação, condução e manutenção. Este facto permitiu normalizar a produção, que é actualmente na ordem dos 2 milhões de litros. Vinhos de qualidade aptos a serem certificados, na sua maioria comercializados como “Vinho Regional Algarve”.


A mais significativa mudança sofrida pela indústria do vinho nas décadas recentes foi uma melhoria geral da qualidade. Para merecer a designação de “vinho de qualidade”, não deverá apenas saber bem, como também contribuir para o bem-estar físico. Parece portanto, que consumir vinho regularmente, de forma responsável e com moderação (Wine Moderation), pode contribuir para uma maior longevidade e qualidade de vida.

Embora a qualidade média do vinho produzido na Europa, tenha atingido um recorde, os diferentes estilos e tipos de vinhos tornam-se cada vez mais uniformes. A proliferação da cultura das mais populares castas por todas as zonas do globo, associada às modernas técnicas e conhecimentos em enologia e viticultura, aumentam ainda mais a referida tendência para a uniformidade. Actualmente, esta realidade tende a inverter-se, tornando-se moda beber vinhos distintivos com enorme carácter regional e genético.


Hoje em dia, o “Mundo dos Vinhos” é maior e bastante mais diversificado. As indústrias do vinho operam agora em todas as regiões do Mundo, utilizando as redes de transportes modernas que existem à sua disposição, o que lhes permite exportar e importar com grande facilidade os seus produtos. O mundo globalizado actual já não se coaduna com visões românticas em relação ao vinho; a atracção do vinho abrange, agora, todas as camadas da população, tornando-se um produto de transformação e consumo em massa.

As diferentes referências de vinhos à disposição dos consumidores são enormes, mesmo para os peritos do sector. No entanto podemos tentar dividi-las em quatro grandes categorias:
- O maior grupo com um padrão de qualidade mínimo, é o que é comercializado a baixos preços no mercado;
- O segundo grupo engloba vinhos modernos para consumidores mais sofisticados e a preços elevados que justificam o seu prestígio;
- A terceira categoria inclui os “vinhos tradicionais”, no melhor sentido do termo, que estão a ter um real crescimento junto dos consumidores conhecedores. Estes vinhos são produzidos e engarrafados perto das vinhas com os melhores cuidados e sentido de responsabilidade, utilizando métodos “naturais” tanto na vinha como na adega. Reflectem as características das castas regionais de uvas de que são feitos e a sua maior vantagem é o facto de serem “fáceis de beber” e da relação qualidade/preço ser facilmente compreendida pelo consumidor;
- O quarto grupo, mais pequeno, reúne os vinhos verdadeiramente notáveis e de alta qualidade, que são comercializados a elevadíssimos preços no mercado e consumido apenas pelas elites.



Não querendo fazer juízos, deixo para vossa reflexão a potencial inclusão dos “Vinhos do Algarve” numa dessas categorias, reforçando a ideia de que a região pretende afirmar-se, não pela quantidade, mas sim pela qualidade e especificidade das suas produções que, aliadas a sua localização única, de influência mediterrânea e atlântica, conferem características especiais aos vinhos aqui produzidos, determinadas essencialmente pelo “Terroir” e competência do vitivinicultor e enólogo.

De realçar ainda, que a qualidade dos “Vinhos do Algarve”, tem vindo a ser reconhecida e a comprová-lo estão as várias distinções obtidas em prestigiados concursos nacionais e internacionais, nomeadamente a atribuição de medalhas ouro, prata e bronze no Concurso Mundial de Bruxelas 2010, no IWC – International Wine Challenge 2010 em Inglaterra, no Concurso Les Citadelles du Vin 2010 (Bordeaux/França), no Wine Masters Challenge of Estoril 2010 e no Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados.





Por Carlos Gracias

Sem comentários:

Enviar um comentário