sexta-feira, 15 de abril de 2011

O vinho

Hermínio Rebelo, membro da Comissão Vitivinícola do Algarve, evoca com este texto a sua paixão pelo vinho, despertando os nossos sentidos para o prazer do néctar dos Deuses. Inspire-se nas suas palavras e consulte o nosso Guia de Vinhos do Algarve, escolhendo uma das propostas que contém. Aproveite e dê mais sabor ao seu fim-de-semana.


O vinho é o produto obtido exclusivamente pela vinificação / fermentação alcoólica, total ou parcial de uvas frescas provenientes de vários tipos de castas, cujos bagos são esmagados, prensados ou processados por outros meios tecnológicos permitidos por lei.

Tive o raro privilégio de ter lidado com o Eng. Francisco Colaço do Rosário, ilustre personalidade ligada ao mundo do vinho mas infelizmente já desaparecido. A este ilustre amigo recorria frequentemente para lhe pedir conselhos e informações sobre a temática do vinho, que tem tanto de aliciante como de complexa. Nunca nada me recusou do que lhe pedi. É à sua memória que quero dedicar este pequeno texto sobre a beleza do que tenho lido e aprendido desta bebida tão nobre que é o vinho.

Uma “vida inteira” não chegaria para analisar a multiplicidade das tonalidades organolépticas que o vinho nos oferece. Como se sabe o vinho, quando bem conseguido, brinda-nos com uma vastidão imensa de cores, aromas e sabores, o que só vem confirmar a nobreza ímpar das castas e logo ao recolhimento profundo a que o vinho deve ficar “sujeito” quando está a ser produzido na penumbra e silêncio de uma adega.



Provar um bom vinho, num belo copo redondo, com tons de roxo flamejantes ou dum brilhante citrino esverdeado, vindo duma adega onde foi produzido com saber, amor e carinho é algo incomparável. Foi certamente o que o “Deus Bacchus” terá sentido nos reflexos do néctar, na vivacidade das suas cores, na exuberância dos seus aromas, no deleite dos seus inconfundíveis sabores.



Na cor do vinho vislumbram-se os séculos que moldaram a encosta, o labor dos vinhateiros e o sol que os acompanha no amadurecimento das uvas. Na cor do vinho adivinha-se o seu vigor e concentração do seu tom sedutor e brilhante. Pressente-se a idade nos seus laivos dourados ou acastanhados que, na borda do copo adquirem reflexos brilhantes ou avermelhados, oferecidos aos olhares numa antevisão do prazer do seu sabor. Após a sua produção o vinho solta novas nuances, novos odores intimamente ligados entre si, formando um conjunto completo a que se deu o bonito nome de bouquet. Tudo isto para preparar a etapa final do supremo prazer, o momento em que o vinho toca o mais profundo da nossa sensibilidade através dos olhos, do nariz e da boca. Mas, há que gozá-lo sem pressas para que esse prazer sublime se eternize na nossa memória. Certos vinhos, quando saboreados durante segundos na boca, podem assemelhar-se a belas obras de arte que extasiam o nosso olhar e todos os outros sentidos do nosso corpo.

Só os grandes vinhos nos podem apaixonar, nascidos que são duma videira, que “deu à luz” um fruto maduro e generoso.

Razões históricas, tradição, épocas, mentalidades, talentos e muito mais fazem do vinho uma bebida ímpar sem rival (água à parte). O grande vinho explica-se, estuda-se, julga-se; mas para além destas necessidades ele sabe sempre oferecer-nos aromas subtis de magia pura, sabores profundos de evocação romântica que enobrece todos os nossos sentidos.


Por Hermínio Rebelo

1 comentário:

  1. Adorei a matéria...meus parabéns!

    E como sou uma apaixonada por vinho e por Algarve. Compartilhei a matéria no meu site.
    www.euniceespinolaindica.com.br

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