quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Algarve: estância de inverno

Típicas chaminés algarvias, Quarteira, 1932

Com a chegada do inverno, queremos recordar aqui que, turisticamente, o Algarve começou por ser divulgado como estância para se desfrutar nesta época do ano. As publicações que nas décadas de 1930 e 1940 publicitavam este destino turístico faziam-no sobretudo com referências à amenidade do clima, à floração da amendoeira e a ao seu tipicismo.

Ilustração de Roberto Nobre na contracapa do "Guia-Album do Algarve: Sotavento", 1932


Do “Guia-Album do Algarve: Sotavento”, de 1932, edição compilada por Mário Lyster Franco, com fotografias de Zambrano Gomez e ilustrações de Roberto Nobre, retiramos alguns excertos das indicações úteis que então eram dadas aos turistas:

“A melhor época para visitar o Algarve é o inverno. É a estação em que florescem as amendoeiras (de 15 de Janeiro a 15 de Fevereiro), em que ele vive o «momento Lausperenne», o seu verdadeiro momento musical. De resto, o Algarve é, sobretudo, uma grande estação de inverno, período em que a média térmica de Faro e Lagos é de 12º e 11º respectivamente, uma e outra superiores à que apresentam Nice ( 8º), Biarritz (8º) e outros centros afamados (…). São estas as condições verdadeiramente privilegiadas que o Algarve oferece para o desenvolvimento do turismo.”

Amendoeiras em flor, São Brás de Alportel, 1932


“Servido por magníficas estradas, em grande parte alcatroadas, resguardadas nos sítios mais perigosos e dotadas do relevé apropriado, se excluirmos Alcoutim, Odeleite e S. marcos da Serra, todas as outras povoações possuem fácil acesso por via ordinária e estão na grande maioria ligadas por carreiras constantes de camionetas, não sendo também para desprezar em quasi todas, as facilidades de comunicação que o caminho de ferro lhes oferece.”


Estrada Faro-Olhão, 1932


“O Algarve tem ainda, disseminados por si, 5 ou 6 hotéis que permitem um aceitável passadio, restaurants que não envergonham e pensões sofríveis nalgumas localidades, garages de recolha de automóveis nas principais povoações (…). E tem sobretudo muita coisa digna de ser vista (…)”.



Ilustração de Roberto Nobre, 1932

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