quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A presença judaica no Algarve

O Turismo do Algarve integrou recentemente a Rede de Judiarias de Portugal, projeto que visa a defesa do património urbanístico, arquitetónico, ambiental, histórico e cultural, relacionado com a herança judaica.

Com efeito, olhando para trás na história do Algarve, constatamos que muitas localidades da região abrigaram comunidades de judeus, a grande maioria mercadores, que chegaram na época dos Descobrimentos Marítimos Portugueses.

Vejamos o caso de Lagos, que foi um dos principais locais de partida das armadas portuguesas rumo à costa africana. Atraiu então tantos mercadores judeus que, não cabendo no bairro original, pediram autorização ao infante D. Henrique para se instalarem nas zonas cristãs, tendo esse privilégio sido concedido e reconfirmado mais tarde no reinado de D. Afonso V (1438-1481). O conflito entre as duas comunidades determinaria a demarcação de uma “judiaria nova” em 1481, já no reinado de D. João II. No entanto, o terramoto de 1755 destruiu parte da cidade, tendo, consequentemente, feito desaparecer os vestígios desta presença.

Faro, a capital do Algarve, teve, na época medieval, uma judiaria que se destacou por ter sido o berço da imprensa em Portugal, com a edição, em 1487, por Samuel Gacon, do Pentateuco em hebraico. O édito de expulsão dos judeus, em 1496, levou ao declínio da judiaria e só no século XIX voltou a fixar-se em Faro uma próspera comunidade de judeus vindos de Gibraltar e de Marrocos e que contribuíram para o crescimento do comércio local. Cerca de 1830, esta comunidade edificou duas Sinagogas, de que já não existem vestígios, e um cemitério. Este cemitério judaico foi abandonado aquando do desaparecimento da comunidade por motivos de migração dos jovens e morte dos idosos. Nos anos 80 é promovida a inventariação das suas lápides, acabando por ser restaurado em 1993. Em 2003 é renomeado passando a designar-se Centro Histórico Judaico de Faro. Para além deste cemitério, Faro detém ainda alguns sinais da prosperidade judaica do século XIX: o edifício onde hoje está instalado o Colégio Algarve (rua Filipe Alistão), por exemplo, foi residência de Abraão Amram.



Porta principal do Cemitério Israelita de Faro e Museu



Na cidade de Tavira também existiu uma importante judiaria localizada na antiga cerca do Convento da Graça, anteriormente Mosteiro de Santo Agostinho e hoje em dia transformado em pousada da Enatur. No local existiu igualmente uma sinagoga, transformada em 1542 na Igreja de Nossa Senhora da Graça.

Sabe-se que também houve judiarias noutras localidades do Algarve: Alcoutim, Alvor, Loulé, Portimão, Silves e Castro Marim. Ligada à presença judaica no Algarve também não serão alheios certos topónimos da região: Sinagoga, Adro dos Judeus, Vale Judeu…





Portas chanfradas, associadas por certos autores, ao tipo de habitação ocupada por judeus. Foto gentilmente cedida pela Fototeca Municipal de Loulé.

5 comentários:

  1. Mmuito interessante para a história e cultura do Algarve. Foi bom terem integrado a Rede de Judiarias de Judiarias Portugal. Agora é investigar.
    J Silva

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  2. Obrigado pelas palavras de incentivo. Teremos muito gosto em aceitar a colaboração dos nossos leitores. Basta contactarem-nos através do e-mail blog@turismodoalgarve.pt.

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    1. Em resposta ao comentador anterior onde diz: "Agora é investigar", eu direi mais: Investir, investigar e promover...Os judeus espalhados pelo mundo, são turista de topo na qualidade e na especificidade pois a sua alimentação baseia-se nos alimentos "Kosher" que neste caso dificilmente se encontram no Algarve. Em relação à religião, aqui no Algarve não há Sinagogas, se bem que em Faro existe um espaço que foi feito para o culto judaico mas está ocupado indevidamente por uma senhora, sendo que os turistas judeus assim são privados do culto quando nos visitam. Se de futuro houver vontade política por parte das várias instituições tudo isto se poderá resolver. Da minha parte estarei sempre aoa inteiro dispor do Turismo do Algarve para ajudar a resolver este e outros problemas inerentes ao assunto em causa. António Alves Valente -Centro Histórico Judaico de Faro.

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  3. Como foi ndito no comentário anteror: "Agora é investigar" e eu digo;"Investir, investigar e promover" e a partir de agora o Turismo do Algarve deverá ter mais essa função!...

    António Alves Valente: Centro Histórico Judaico de Faro

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  4. Sem falar do Cristóvão Colombo que escreveu:
    Visto que D.João II recusou os meus serviços, fui a Faro porque ouvi falar que lá havia uma rica e forte comunidade hebraica !

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