quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um dos 50 melhores restaurantes do mundo fica no Algarve

Vila Joya, em Albufeira, integra a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, numa votação promovida pela revista Restaurant, que pela primeira vez seleciona um restaurante português. Quem o dirige é um chef austríaco, Dieter Koschina, que em 1991 se mudou de armas e bagagens para o Algarve, uma região que considera ser um verdadeiro paraíso. 

Para assinalar o feito e perceber melhor a relação de Dieter Koschina com o Algarve, deixamos hoje aqui as palavras que ele inscreveu no livro “Algarve, 40 anos, 40 olhares”.


Chef Dieter Koschina

“Lembro-me do dia em que cheguei a Portugal pela primeira vez, em 1991. Estava um céu de verão com algumas nuvens, muito azul. O pouco vento arrastava uns fios brancos pelo azul e essa foi a minha primeira impressão: um quadro a pastel animado por uma brisa agradável. Fiquei encantado com aquela cor morna e a largueza da paisagem. Sentia no corpo uma extensão da sensação de estar a ser bafejado por uma grande sorte; apenas uns dias antes não teria sequer pensado na existência do país onde acabava de aterrar. Recebera um telefonema de Claudia Jung, que ligava de Portugal a convidar o chef do Vienna Plaza para dirigir a cozinha de um restaurante que estava a montar num pequeno hotel de charme no extremo Sudoeste da Europa; como fui eu a atender e o chef não estava, acabou por me fazer o convite a mim. A ideia era dirigir todos os trabalhos da cozinha e ser o responsável absoluto por supervisionar o processo gastronómico, desde a escolha dos ingredientes, a sua compra e acondicionamento, até à imaginação dos pratos, a sua preparação e a entrega aos olhares, aos olfactos, ao tato e ao paladar dos clientes. No final, Claudia prometia-me carta branca e isso, aliado à ideia sedutora de trabalhar num espaço aberto com vista para o mar, numa região em que o sol brilhava e aquecia o ambiente durante mais de trezentos dias por ano, fez com que não hesitasse em responder, no mesmo telefonema, que aceitaria o desafio.

Na viagem para Portugal ainda tive dúvidas: a casa que Claudia e Klaus tinham comprado uns oito anos antes estava metida no final de uma estrada no meio de nenhures, numa rochosa praia chamada da Galé, de que eu não tinha, na altura, grande notícia. Era como um fim de mundo onde só houvesse o mar, alguns pinheiros entre a casa e a areia e uma cozinha imensa para eu usar como quisesse. Um sonho, nada mais do que isso. Ora, o que faz mover um profissional ambicioso em começo de carreira, senão o sonho?

Desde que aceitei o convite dos Jung, que me foi feito pelo acaso de ter sido eu a atender aquele telefonema, tenho-me dedicado de corpo e alma ao restaurante Vila Joya. Foi nele que desenvolvi a carreira que hoje tenho. Pelo trabalho que nele faço mereci já mais do que uma vez a grande honra de receber duas estrelas Michelin. Este canto da Terra é um paraíso para quem, como eu, aprecia a simplicidade dos sabores e das sensações. Tenho à minha disposição, sem precisar de ir muito longe, os melhores e mais saborosos ingredientes que são a base de qualquer cozinha, da mais rústica à mais sofisticada.
Nos poucos momentos que o trabalho me deixa livres, agarro na Harley-Davidson e vou Algarve fora a sentir a mesma aragem do dia em que cá cheguei: morna, luminosa e cheia de odores.”




Restaurante Vila Joya - Fotografia retirada daqui

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