sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não sabem onde ir? Sigam a cultura

Apetece-vos fazer algo, mas ainda não sabem o quê. Uma boa dica para se entreterem durante um dia no Algarve é seguirem a cultura. Passarinhar museus e património dentro, com paragens na mesa tradicional para satisfazer a gulodice.


Como se vestia a mulher oitocentista algarvia? E o homem? Vão a São Brás de Alportel, entrem no palacete António Bentes e explorem em toda a extensão o Museu do Trajo, uma espécie de ilha de cultura nesta simpática povoação do interior algarvio. De certeza que no final saberão a resposta. O espaço museológico está instalado numa antiga habitação burguesa dos finais do século XIX, reconvertida para visitante ver. A coleção de mais de 1500 peças espalha-se por várias salas que recriam o dia a dia da época, entre outras atrações para os olhos (como as alfaias agrícolas). 


Quando a hora roça o almoço e a barriga se esvazia, a altura é ideal para o restaurante. Tem de estar perto e tem de encher o paladar de sabores regionais, já agora. A Adega Nunes, junto a São Brás de Alportel, é o melhor programa para a refeição. À entrada, os alambiques e as pipas da decoração confirmam que a casa é rústica, e a cozinha caseira. Joga-se o apetite à ementa e pede-se biqueirão, para começar. Depois pode vir açorda de galinha com grão ou coelho frito com alhinhos, borrego em forno de lenha ou javali estufado (este capaz de fazer as delícias do Obélix). E alguém se esquece da tarte de alfarroba? Propostas serranas de um restaurante onde a sala de jantar funciona na antiga vacaria. Mais típico será difícil… não acreditam?


O estômago forrado dá autorização ao resto do passeio. Para Estoi então. Percorram a estrada até aos tesouros romanos de Milreu aproveitando a beleza da paisagem. A viagem agora é no tempo e recuará pelo menos até ao século I d. C. O complexo das ruínas de Milreu está classificado como monumento nacional e revela o que resta da vila rural que no século VI abandonou o estatuto pagão para servir a igreja cristã. O atual centro de interpretação dá uma ideia de como os romanos passariam os dias no Algarve.


E porque estão em Estoi, mantenham-se lá. Façam uma pausa e bebam um chá ou refresco no bar da Pousada do Palácio de Estoi, cobertos da preguiça a que têm direito. Com toda a moleza da calma, vão depois descobrir este palácio do século XVIII recuperado pelo arquiteto Gonçalo Byrne. Os jardins ao estilo Versalhes e os dois salões com delicados frescos são imperdíveis.


Já jantaram. O dia está no fim, mas ainda vos sobram umas horas. Não querem ficar na cama ou no sofá a fazer zapping. E se fossem ao teatro? Este tem história: é um dos mais velhinhos do país, originalmente construído em 1605. Foi sujeito a sucessivas obras de recuperação e hoje serve de sala para peças de teatro ou concertos. O Teatro Lethes, em Faro, tem o nome de um mítico rio, conhecido por as suas águas terem o poder de apagar da memória das almas as agruras da vida. E na realidade isto acontece. Por momentos não conseguirão pensar em mais nada a não ser no espetáculo que corre no palco.


Créditos fotográficos:

Museu do Trajo - Luís da Cruz
Adega Nunes - Câmara Municipal de S. Brás de Alportel
Ruínas de Milreu - F32
Teatro Lethes - Luís da Cruz 

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