segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pepinos do mar. Já viu se tem algum no seu prato?


Existe a espécie Holothuria mammata em Portugal. Foto daqui.

O jornal online Ciência Hoje anuncia que os pepinos do mar, que no Algarve encontramos na ria Formosa, podem vir parar ao nosso prato. Os investigadores descobriram mesmo um elevado valor nutricional em cinco espécies. A jornalista Susana Lage revela quais.


Pepinos do mar podem vir parar ao nosso prato!

Algumas espécies de pepinos do mar têm um elevado valor nutricional, podem ser usadas como alimentos funcionais e, no futuro, até para fins terapêuticos. Esta é a conclusão principal de um trabalho realizado por investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) e Mercedes González-Wangüemert, investigadora principal do projecto CUMFISH e também do CCMAR.

Ao Ciência Hoje, Luísa Custódio, do grupo MarBiotech do CCMAR, explicou que o objectivo de avaliar o perfil nutricional de Holothuria arguinensis, H. mammata, H. polii, H. tubulosa e Eostichopus regalis, era descobrir até que ponto estas espécies de pepinos do mar se adequam à alimentação humana. Isto porque todas as espécies em estudo são utilizadas para consumo humano e algumas delas, como Eostichopus regalis, atingem valores bastante elevados no mercado espanhol, particularmente na Catalunha. No entanto, «pouco se sabe acerca do seu valor nutritivo».

«Todas as espécies em estudo contêm um baixo teor de gordura e um elevado teor proteico, e a fracção lipídica (gorduras) é essencialmente composta por ácidos gordos poli-insaturados, os quais se encontram associados a numerosos benefícios em termos de saúde, como redução da incidência de doenças cardiovasculares. A espécie H. arguinensis contém ainda compostos com propriedades antioxidantes», afirma a investigadora.

Os pepinos do mar usados para alimentação na região Indo-Pacífico e desde há muitos anos utilizados também na medicina popular na Ásia e Médio Oriente, são cada vez mais procurados como alimento e fonte de compostos bioativos, não só na Ásia, mas também na América, Austrália e Europa.

As espécies Holothuria mammata, H. arguinensis e E. regalis podem ser encontradas em Portugal, sendo inclusive as duas primeiras comercializadas por portugueses. No entanto, Luísa Custódio considera que «não são consumidas por cá ainda. Talvez o sejam em alguns restaurantes Chineses».

Em resultado de uma sobre-exploração pesqueira, em algumas zonas determinadas espécies de pepinos do mar têm desaparecido. Deste modo, os investigadores do CCMAR acreditam que se não forem tomadas medidas com vista regulamentar as capturas, algumas populações possam desaparecer, especialmente da espécie H. arguinensis, a qual se encontra numa faixa geográfica reduzida (Costa portuguesa, desde Peniche até ao Algarve; Ilhas Canárias; Açores; Mauritânia e Costa Espanhola, de Huelva até Alicante). «Esta espécie é de fácil captura durante a maré baixa, pelo que o excesso de pesca pode constituir um problema sério», alerta a cientista.

Neste momento, o grupo MarBiotech, cujo líder é João Varela, continua a analisar com mais detalhe o perfil nutricional dos pepinos, nomeadamente através do estudo da sua composição em aminoácidos e outros elementos benéficos para a saúde humana.

Os investigadores estão também a estudar estas espécies como fontes de biocompostos para tratamento de doenças humanas, através do estudo de, por exemplo, actividade antioxidante e antitumoral de extractos feitos a partir de diferentes produtos destes animais.

A investigação contempla ainda o estudo de outras espécies edíveis de pepinos do mar, averiguar a influência da zona de captura no perfil nutricional das espécies e ainda a influência do modo de processamento (ex. secagem, congelamento) dos pepinos na sua componente nutricional.


 




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