quarta-feira, 21 de agosto de 2013

“Jukebox” algarvia

Parece que quem cá entra é bafejado pela inspiração. Realmente, o Algarve já foi cenário de centenas de filmes pelas suas paisagens ou pela luz especial que tantos lhe gabam. Já serviu de «modelo» a pintores ou fotógrafos e já deu o empurrãozinho à criatividade de grupos que aqui compuseram canções dos estilos mais variados. Hoje é dia de revisitarmos as músicas e os videoclips desses grupos – a lista não é perfeita e muito menos exaustiva, mas é uma boa banda sonora para este texto. 

Corridinho. Rock. Pop. Jazz. Clássica. O Algarve inspirou canções de géneros musicais diferentes ao longo do tempo, umas mais conhecidas, outras nem tanto (diz-nos o ouvido atento). Teve influência no «Picadinho do Algarve», tema do compositor e acordeonista algarvio João Barra Bexiga que criou quase 300 músicas para o instrumento de fole e palhetas metálicas, e ainda no (quem diria?) «Yesterday» dos Beatles. Nós explicamos: consta que a letra deste clássico do grupo-fenómeno de Liverpool terá sido escrita por Paul McCartney a caminho de umas férias no Algarve. 


Capa do álbum «Penina»


Ainda Paul McCartney. Em 1968, o músico inglês compôs espontaneamente o tema «Penina» numa noite de convívio no bar do Hotel Penina, em Alvor, acabando por oferecê-lo à banda portuguesa Jotta Herre que ali tocava. Os Jotta Herre gravaram o disco «Penina» em 1969 e no mesmo ano foi lançado outro disco com a canção, desta vez na voz de Carlos Mendes, que acabaria por popularizá-la. 

Em 1976, seria Zeca Afonso a eternizar a população de pescadores andarilhos que chegaram a Lagos na década de 50 à procura de trabalho. Fixaram-se na Meia Praia, sítio de peixe em abundância mas onde faltava habitação. Os pescadores originários de Monte Gordo improvisaram então casas de colmo nas dunas cujo aspeto lhes valeu a alcunha de índios. «Quem aqui vier morar/ Não traga mesa nem cama/ Com sete palmos de terra/ Se constrói uma cabana», verseja Zeca na canção «Os Índios da Meia Praia», incluída no álbum «Com as Minhas Tamanquinhas». 


Capa do álbum «Ring of Changes»


Quatro anos mais tarde, em 1980, o Algarve dava origem à balada «Paraíso dos Cavalos» dos Barclay James Harvest. Foi durante umas férias com a família na Quinta do Lago que o músico John Lees compôs o tema do álbum «Ring of Changes», depois de ter frequentado o centro hípico «Paraíso dos Cavalos» e de ter ficado com boas recordações do lugar. 


Capa do álbum «Silêncio»


Mais próximo da atualidade está o nome de Pedro Abrunhosa e a canção «Algarve», faixa escondida do álbum «Silêncio», de 1999: «Da chuva faço mil estradas de vidro/ E o meu carro a rolar/ No ar o cheiro do destino/ No chão a pele quente/ Do Algarve a acordar». 

Continuamos em português, agora com os GNR e a sua «6.ª feira (um Seu Criado)» que nos fala, no início, de uma noite bem animada (na falta de melhor palavra) em Albufeira. O tema é de 2002 e pertence ao álbum «Do Lado dos Cisnes». 

E se a atenção dos GNR vai para Albufeira, a de Luís Represas fica em Vila do Bispo com a música «Sagres» de 2008, onde se canta: «Sagres/ Tu sabes/ Como se arma um coração/ Agarramos uma vida/ Desatamos a paixão». 

Mudamos agora a melodia da jukebox para o registo clássico. Em 2009 nasce a «Suite das Descobertas», uma peça sinfónica de seis andamentos que exalta o papel do Algarve num dos mais marcantes episódios históricos do país – os Descobrimentos. Foi apresentada em estreia absoluta na região pela Orquestra do Algarve (hoje Orquestra Clássica do Sul) e tem autoria do maestro, pianista e compositor Armando Mota, que a criou «depois de passar horas infinitas em Sagres a ouvir o barulho do silêncio e a música do mar», como o próprio conta. 


Capa do álbum «As pequenas gavetas do amor»


Atenção ao jazz. Sim, o Algarve também tem dedo neste género musical sincopado e em parte improvisado. De 2011 é o álbum «Flajazzados», um projeto liderado por Zé Eduardo (contrabaixista, compositor e pedagogo radicado no Algarve há vários anos) e que tem a participação especial de Viviane. Viviane que, por sua vez, é algarvia e por cá tem composto e filmado, na versão videoclip, muitas canções entre as linguagens do fado e do tango. Veja-se por exemplo «Não Apagues o Amor», de 2011, ou «O Tempo Subitamente Solto Pelas Ruas e Pelos Dias», de 2012. 

Bem, e depois há, claro, uma série de grupos mais recentes que não só residem na região como fazem dela parte do seu processo criativo: oLudo, João Lum e os Nome são apenas três dessas formações musicais.

Podíamos ainda ter falado dos Íris, do Ricardo Coelho Project, da banda Bubblebath e de tantos (imensos) outros que nos dão música de uma maneira ou de outra ligada ao Algarve. Mas a lista já vai longa e assim podem vocês adicionar-lhe os nomes em falta. Se precisassem de um pretexto para remexerem nos CD, nos discos ou nos canais Web com as «modas» inspiradas no Algarve, este era o ideal. Então usem-no e, já agora, partilhem depois connosco as canções e os grupos de que se lembraram e que não referimos aqui. Sim?

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