terça-feira, 13 de maio de 2014

São Brás de Alportel: a alma do Algarve está aqui

Esta é a altura do ano perfeita para irromper por São Brás de Alportel adentro: a primavera das flores silvestres, dos passeios solaçosos nas ruas da vila ou debaixo das copas das árvores que nos dão sombra ao entrarmos no barrocal profundo. Neste Algarve interior o apelo turístico é mais tímido (não estamos em terra de resorts, hotéis e cosmopolitismo) e faz-se de história e tradições. É esse o seu segredo. E é esse que vos contamos após um dia de visita ao concelho que abre a porta à serra e as janelas ao mar, parafraseando o slogan promocional da autarquia.


Pormenores do centro histórico da vila


Sim, um dia não é suficiente para conhecer o terreno a palmos. São 153 quilómetros quadrados de área e o máximo que conseguimos foi relancear os olhos por todas as coisas que decidimos ver em pormenor mais tarde. Já não é mau. Primeiro pusemos os pés no mercado municipal, um espaço do final dos anos 60 do século XX, entretanto recuperado e reaberto em 2010. No fim de semana pulula de vida, altura em que as bancas se enchem de produtos e os estreitos corredores apertam os fregueses (são muitos, dizem-nos) no meio da azáfama comercial. Mas o que mais importa é que aqui há frescos. E dos bons. 


Troço A da "Calçadinha" romana


Novas coordenadas do passeio: a autoestrada dos romanos. Não no sentido literal e moderno do termo, bem entendido, já que esta “estrada” é empedrada, tem tão-só 1480 metros, é para ser percorrida a pé e a velocidade reduzida. Falamos da “Calçadinha”, importante via romana dividida em dois troços que, presume-se, ligaria Ossonoba (Faro) a Pax Julia (Beja). Hoje, transitam nela turistas atraídos pelos vestígios arqueológicos de civilizações distantes, talvez alheios à curiosa origem do nome do percurso. Parece que as pequenas pedras que o compõem foram designadas “calçadinha” – assim mesmo, na forma diminutiva – pelos habitantes locais. O uso ditou a norma e esta espécie de alcunha perdurou.


Algumas das peças de vestuário expostas no Museu do Trajo


E por falar em património, há outro na lista dos imperdíveis e que o orgulho dos são-brasenses leva a divulgar repetidas vezes: o Museu do Trajo. Quem diria que o edifício apalaçado esconde as formas de vestir do Algarve de 1800? Desde camisas de dormir a um vestido de noiva, tudo é revelado com minúcia neste espaço-mimo que foi em tempos moradia de famílias abastadas. Não nos lembramos de nada melhor para entrar neste ambiente de romantismo tardio do que chegar ao museu de charrete. A experiência ainda está em fase de implementação pelo Centro Hípico Santa Maria, mas começará a funcionar já este verão para transformar os visitantes em aristocratas da atualidade, conduzidos a trote pelas ruas da vila. 


Nora recuperada


Um breve mas importante parêntesis para referir que o museu aloja outros pontos de interesse no exterior, como uma nora cujos alcatruzes ainda transportam água, assim haja algum destemido braçudo que faça girar o mecanismo. 




É também aqui, museu, que se inicia a rota da cortiça. Uma sala diminuta mas acolhedora dá a ordem de saída para esta rota temática em torno do sobreiro que nos leva do sobral à fábrica, terminando na loja da Pelcor, marca já internacionalizada com uma extensa linha de produtos em cortiça (um deles, uma mala, usado por Madonna). Ora bem, a sala corresponde ao centro interpretativo da rota, o único do Algarve dedicado à cortiça. Contam-nos que nele passam em média 28 pessoas por dia, que é como quem diz mais de 10 mil num ano. Número simpático para um polo desta dimensão onde visionamos um filme sobre a preparação da cortiça, que depois de extraída ainda é deixada a secar durante seis meses, é cozida e colocada em repouso algumas semanas até ser separada, prensada e finalmente transformada… nas melhores rolhas do mundo, por exemplo.


Restaurante - lounge bar Sabores do Campo


Desconhecemos se as rolhas dos tintos que agora fitamos na garrafeira do restaurante Sabores do Campo provêm de São Brás. É fácil esquecer um pormenor como este quando deparamos com vinho para paladares requintados. O salto no espaço até este restaurante situado no Poço dos Ferreiros justifica-se pela súbita fome que nos assaltou o estômago. Parece que a escolha foi perfeita, já que a mesa só foi guarnecida com pratos da cozinha do barrocal algarvio: javali e bochechas de porco preto para o almoço, rematados por gelado caseiro com amêndoa e torta de laranja. Tudo servido na calmaria deste restaurante vínico, localizado para além dos limites da vila. 


Restaurante Lagar da Mesquita


Porque falamos de comida, impõem-se mais sugestões. Passem e parem se faz favor no Lagar da Mesquita, um antigo lagar de azeite recentemente recuperado que hoje serve refeições da cozinha típica portuguesa. Tem piano, um sobreiro no pátio, boa carta de vinhos e decoração aprimorada. Enfim, é um sítio onde apetece estar, comer e voltar. Por outro lado, se o objetivo é petiscar entre o afeto das gentes de São Brás, então desloquem-se à casa de pasto O Fortes, na aldeia de Parises. Gerida pelo casal Fortes – a Maria e o Manuel –, este sítio lança simpatia. O bónus é ter linguiça assada, medronho caseiro (existe uma pequena destilaria na instalação) e outros pitéus que acentuam o prazer do convívio à mesa, ou não fôssemos nós mediterrânicos de tradição. 


Manuel João Fortes, proprietário da casa de pasto O Fortes


Mantemo-nos em altitude, em concreto a 368 metros, para apreciarmos a paisagem do interior em direção à vila. O miradouro do Alto da Arroteia não nos eleva assim ao ponto de temermos as alturas, embora o horizonte de serra, barrocal e mar nos imponha um respeito geográfico. Daqui, São Brás parece uma tapeçaria verde ponteada por casas brancas; desviando os olhos para a direita, bem ao fundo do espaço que a nossa vista abrange, aparece em surpresa o mar num azul que se confunde com o céu. Afinal, as paisagens onde o concelho está instalado são um dos maiores apelos para os visitantes e… para os mais radicais praticantes de parapente e BTT. Explicando: este é o barrocal da delícia dos desportistas, para quem São Brás é exercício ao ar livre. No geoponto dos Funchais é comum ver paraquedas ou asas deslizar encosta abaixo por este ser o único local do Algarve em que se consegue voar na direção Norte-Noroeste. No cerro do Botelho, a atração é outra e apresenta-se à velocidade das duas rodas, na modalidade de Downhill


Parque da Fonte Férrea


Mais pacato e em menor dose de adrenalina é o passeio pela Fonte Férrea, sítio implantado na serra do Caldeirão que não pode de forma alguma ser deixado de fora deste roteiro. Porquê? Imagine-se um parque com mesas em pedra onde se pode abrir a merenda que será partilhada com a família ou amigos. Acrescente-se ao cenário árvores que sombreiam o lanche ou almoço enquanto se ouve o suave marulho da água de propriedades férreas (daí o nome) que corre. E depois os pássaros, que os há, a voltear pela zona onde os andarilhos encontram muita terra para caminhar. São motivos suficientes para ir à fonte, certo?




São Brás de Alportel é tudo isto. Mas é, talvez antes de mais, a sua gente e as suas histórias. Como o António Luz, 61 anos, que descobriu no artesanato em cortiça um jeito de viver feliz; foi ele quem deu forma ao protótipo do berço de cortiça “Sleep tight” do projeto TASA. Como o Custódio Cavaco, 71 anos, de mãos dedicadas à empreita desde gaiato; confessa-se artesão “das horas vagas”, mas a destreza com que entrança a palma diz-nos que é mais do que isso e que quem fala por ele é a modéstia. Como a Idalina Mariano, 77 anos, aldeã nascida e criada no concelho, que posa acanhada para a fotografia num modo particular de agir que revela um raro contacto com forasteiros. Ou como a dona do cão Skip, determinada a sossegar o bicho que teimava em dirigir-se a nós abanando a cauda. 

Se há lugar com alma (ou muitas) dentro, esse é São Brás de Alportel. Pelo menos a algarvia pertence-lhe, e nós também.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Algarve Chefs Week vai dar a provar a região



Oito chefes executivos de restaurantes de topo vão dar a provar o melhor da gastronomia regional em mais uma edição da Algarve Chefs Week, que regressa aos hotéis algarvios de 23 a 30 de maio com o apoio da Região de Turismo do Algarve.

“Durante uma semana, os chefs serão responsáveis pela elaboração de ementas inéditas, tendo por base os sabores mais tradicionais e rústicos do barrocal algarvio”, anuncia a organização do evento, que promete uma viagem às raízes da cozinha algarvia.

Os menus da Algarve Chefs Week 2014 estarão disponíveis apenas ao jantar e têm um custo de 30 euros por pessoa, sem bebidas.

Mais informações em www.algarvechefsweek.com ou na página do evento no Facebook.

Lista de participantes:
Chef Andrew McGie, restaurante Louro, Hotel Conrad Algarve;
Chef Miguel Lourenço, restaurante The Olive Tree, Hotel Vale d’Oliveiras;
Chef André Simões, restaurante Cilantro, Hotel Hilton Vilamoura;
Chef Jan Stechemesser, restaurante À terra, Praia Verde Boutique Hotel;
Chef Osvalde Silva, restaurante O Pescador, Sheraton Algarve Hotel;
Chef José Leitão, restaurante Moonlight, Salgados Grande Hotel;
Chef Ricardo Ferreira, restaurante Pepper’s Steakhouse, Hotel Tivoli Marina Vilamoura;
Chef Bruno Rocha, restaurante EMO, Hotel Tivoli Victoria.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

82 pretextos para ir às praias algarvias


Créditos fotográficos: Hélio Ramos


Podíamos dar-vos apenas um bom argumento para procurarem as praias do Algarve: são as melhores da Europa. Em vez disso, decidimos apresentar-vos nada mais, nada menos do que 82 pretextos. É que este ano a região vai ter bandeiras azuis hasteadas em 82 zonas balneares (mais 13 do que no ano passado) e por isso será ainda mais apetecível para todos os que têm o hábito de estender a toalha nos nossos areais e mergulhar de cabeça na água do Atlântico. A Bandeira Azul é um símbolo europeu de qualidade e de segurança para os banhistas atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa a quem cumpra um conjunto rigoroso de requisitos. Significa isto que quase todas as praias algarvias o conseguiram. Uma notícia redondinha de orgulho para nós, sobretudo porque o Sol e Mar é o nosso principal produto turístico.