segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Os oito encantos de Lagoa

O resto não é só paisagem. Além das praias balneares, naturais e selvagens, muitas com galardões de bandeira azul, praia acessível e praia com água qualidade de ouro, há no concelho de Lagoa, no barlavento algarvio, muito por descobrir.


Convento de São José

1. Uma incursão pela cidade leva-nos ao Convento de São José, edifício do início do século XVIII onde podemos observar a roda dos expostos, local onde eram entregues as crianças aos cuidados da Igreja. Convento que em tempos foi também colégio de irmãs dominicanas e que, após a implantação da República e, anos mais tarde, por via da aquisição do imóvel pela autarquia que investiu em obras de requalificação, se tornou escola primária, delegação escolar, conservatória de registo civil. Um lugar de culto que sempre esteve ligado a atividades de cultura e de educação e que hoje disponibiliza, nas antigas celas, espaço para exposições temporárias e permanentes, bem como um auditório para conferências, espetáculos e outros eventos. O Convento de São José conserva a sua Capela, pese embora as muitas alterações de que já foi alvo ao longo da História.


Igreja Matriz de Estômbar 

2. A poucos quilómetros da sede de concelho, na freguesia de Estômbar, há outros registos de património cultural para conhecer. É o caso da Igreja Matriz, cuja composição arquitetónica é da centúria de Quinhentos. Datada de 1589, insere-se no estilo manuelino e sofre múltiplas influências visíveis na sua traça aquando da reconstrução pós terramoto de 1755. 




O seu interior é de uma ornamentação rica que revela a prosperidade dos idos anos do século XVIII, sobressaindo os trabalhos em talha e a azulejaria barroca. “O património de prebendas, paramentaria, ourivesaria e livros está a ser avaliado para poder, em breve, ficar acessível e exposto”, assim nos garantiu o padre Miguel Ângelo, que mantém a Igreja aberta ao culto para celebração da missa todas as sextas-feiras, pelas 17h00, e aos domingos ao meio-dia. 


Sítio das Fontes

3. E em Lagoa passamos um resto de agradável manhã se visitarmos ainda, logo ali a dois quilómetros da cidade, o Sítio das Fontes, assim chamado devido à presença de inúmeras nascentes que se ligam ao rio Arade, aos pés de quem visita este espaço de beleza singular. 

Trata-se de um parque de 18 hectares onde encontramos uma interessante diversidade: sapais, matagais mediterrânicos, uma pequena lagoa temporária, prados, planos e linhas de água. As espécies arbustivas identificáveis incluem carrascos, espargueiras, aroeiras e as mais discretas, mas igualmente belas, borragens, marioilas, abróteas, ranúnculos, entre muitas outras. Já no que respeita à fauna, avistam-se com facilidade no rio as garças-brancas-pequenas, os maçaricos-das-rochas, os borrelhos, os corvos-marinhos-das-faces brancas e os pernilongos. O Sítio das Fontes é assim um local ideal para quem gosta de fazer birdwatching ou para os ornitólogos, que podem consultar a sinalética interpretativa presente no local, podendo abeirar-se dos alimentadores de aves, perscrutá-las e fotografá-las e, ainda, observar as espécies nas caixas de nidificação. 




Fazer caminhadas pelos trilhos assinalados, relaxar junto à água ou fazer simplesmente um piquenique é também possível nestes 18 hectares. Dotado de inúmeras infraestruturas, como um parque de merendas, um anfiteatro e um centro de interpretação da natureza, o Sítio das Fontes valoriza a preservação do meio ambiente e isso faz-se notar nos investimentos em energias fotovoltaicas que garantem a autonomia energética do parque, numa estação de compostagem para transformação dos resíduos vegetais em fertilizante e ainda na existência de uma estação meteorológica, a MeteoFontes, muito útil para quando se está a planear uma viagem a Lagoa ou sempre que se queira conhecer as temperaturas no Algarve. Para visitar, existe ainda um moinho de maré que funciona sempre que aquela está baixa e também um forno que dispensa a lenha, dado o processo de compostagem utilizado, e no qual são cozidos uns pãezinhos com chouriço que, com sorte ou com marcação de visita de grupo prévia, se podem também saborear. 




4. Um passeio por Lagoa não dispensa mais um saltinho, desta vez à localidade piscatória de Ferragudo, onde podemos passear a pé pelo casco rural bem preservado e apreciar casas antigas restauradas, muitas esplanadas e, do ponto mais alto, no adro da Igreja, avistar o rio Arade, as múltiplas embarcações de pesca e de recreio, bem como autocaravanas e alguns pescadores e suas artes. 

Aqueles que procurarem visitar Ferragudo no verão poderão assistir, a 15 de agosto, a uma procissão marítima no rio Arade, onde pescadores “dão graças à nossa Senhora” dentro das suas embarcações, segundo explica o presidente da Junta de Freguesia, Luís Alberto. 


Restaurante Sueste

5. Depois desta já longa jornada, é tempo de descansar e aconchegar o estômago. Sugerimos-lhe o restaurante “Sueste”, na parte baixa de Ferragudo e junto ao rio Arade. A oferta é variada. A especialidade é o peixe grelhado e aos domingos a feijoada de buzinas. O dono do estabelecimento, Amadeu Henriques, que mantém a casa aberta fará em breve 25 anos, assegurou-nos que tem uma lancha ao serviço do “Sueste”, na qual vai buscar e, “depois de paga a conta”, levar os clientes à outra margem do rio. Um serviço de excelência que se fez notar também na confeção de uma caldeirada pelas mãos da dona São, a cozinheira. 




6. O troço litoral de Lagoa é extenso, tem cerca de 17 quilómetros e é possível percorrer pelo menos cerca de 550 metros no novo passadiço se descermos até ao Carvoeiro. Trata-se de uma obra de arquitetura acessível pensada e executada para pessoas com mobilidade reduzida, completamente adaptada para quem se desloca em cadeiras de rodas, com carrinhos de bebé ou com dificuldades motoras. Composto por três pequenos anfiteatros, a partir dos quais se pode observar o pôr-do-sol, este passadiço tem um amplo parque de estacionamento. 




7. Há muito mais para ver e experienciar em Lagoa, mas por hoje aconselhamos só mais uma visita à adega Única. O nome advém do facto de ser realmente a única adega cooperativa do Algarve. Na década de 60 do século XX, a União de Viticultores fundou-a e em torno dela se desenvolveu muita da atividade social e económica de Lagoa. Hoje a realidade é outra, mas garante-nos o enólogo João Marques que o que se perdeu em quantidade ganhou-se em qualidade, e a prová-lo estão os seus vinhos brancos, tintos e rosés recentemente premiados. Os interessados poderão agendar aqui visitas guiadas à adega e à exposição gigante espalhada pelo segundo piso, e também provas de degustação dos néctares, que são acompanhados pelos queijinhos e docinhos tipicamente algarvios. 

8. A proposta de viagem por Lagoa chegou ao fim, mas não sem antes propormos que explorem outra realidade característica do concelho: a olaria célebre pelo artesanato de Porches.

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