«Na minha perspetiva, enquanto polaco, Portugal sempre esteve na longínqua extremidade oposta e ocidental da Europa (Varsóvia está, por exemplo, mais próxima geograficamente de Bagdade que de Faro), numa posição de estranho paralelismo.
Quando o astrónomo polaco Copérnico formulou a sua ordem heliocêntrica do Universo, num castelo no norte da Polónia, desenhando um mapa do céu, os navegadores portugueses descobriram todos os continentes e oceanos delineando um mapa da terra.
Nasci em Gdansk, uma cidade portuária no norte da Polónia, e sempre sonhei viver num país como Portugal, à beira do oceano Atlântico. Quando comecei a pensar na história dos dois países constatei que somos únicos na Europa. Os nossos reinos nunca se envolveram em confrontos, os nossos filhos nunca lutaram entre si. Isso é belo e relevante, porque é raro na história da Europa.
Vivo em Portugal há um ano, num lugar chamado Esteval. Quando me sento no meu atelier, mesmo num dia frio mas soalheiro de janeiro, e me concentro no meu trabalho, tenho a sensação de que não preciso de muito mais. A atmosfera geral, as pessoas, o clima e a comida são alguns dos segredos que o Algarve me foi revelando.
É quase inimaginável que se possa encontrar na Europa, nos dias de hoje, um lugar como este, onde tudo é ainda tão aberto, natural e, ao mesmo tempo, cosmopolita.» *And What About the Enthusiasm? Shall We Kill It? é o nome da peça escultórica que o pintor, escultor e arquiteto criou para o programa «Allgarve’10».
Mostrar mensagens com a etiqueta Allgarve. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Allgarve. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Um lugar como este
Jaroslaw Flicinski não é apenas um artista polaco que mora no Algarve. Inspirado pelo clima e pela pacificidade da região, criou, de uma penada, uma escultura em ferro e vidro colorido que esteve em exposição no claustro do Museu Municipal de Faro em 2010, enquadrada no programa de eventos «Allgarve». Querem saber o que ele diz de nós?
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Um Algarve sentido
Por José Zambujal
[Jornalista, agente artístico - Faro]

Há uns tempos o João Lima convidou-me para escrever um texto para o Blogue do Turismo do Algarve. Única "obrigação": a histórinha teria, naturalmente, que estar relacionada com o Algarve.
Está bom, pensei eu, vivo cá, nasci cá, há-de sair alguma coisa... O tempo foi passando e nada. Não saía nada. É que não me ocorria nada que pudesse dar uma história, zero, népia... Que raio, tantos anos de praia e nada?! Achei então que o erro era estar a pensar no Algarve como sol, areia e mar. Quero dizer... erro, não sei, afinal é um pensamento comum e partilhado durante anos a fio - gerações, talvez - por quem tem a responsabilidade de gerir o destino desta terra à beira mar plantada. À beira-mar, lá está... Mas não, o Algarve não pode resumir-se a mar, areia e sol. Há mais. Tem que haver mais. Claro! Há, agora, o Allgarve! Há animação, há espectáculos, há um "tudo" numa terra só. Ganhámos visibilidade nacional e internacional... e ganhámos mais um "l"! Fantástico! Pois...mas quando daqui a uns anitos os turistas falarem do "Allgarve" com dois "l" como falam do "Oporto" com "o", não vou achar graça nenhuma. Não, também não era aqui que me apetecia encontrar uma histórinha. E lá fui parar outra vez à praia, às memórias de praia. Memórias "escritas" em línguas estrangeiras, memórias, enfim, partilhadas com mocitas altas e loiras vindas de terras mais frias e com costumes bem mais quentes que os nossos naquela época... Também não. Também não são histórias que interessem a ninguém - acho que já nem às protagonistas ! - e sobretudo não são coisas para um blogue que se quer sério.
Tinha que descobrir coisas mais sérias e ligadas ao Algarve... As portagens na Via do Infante, a tal que nunca teria portagens? Fraco. Uma história banal, parte do dia a dia deste País. Os pinos "plantados" na avenida onde moro, em Faro, limitando drasticamente o estacionamento sem escutar ninguém nem dar alternativas válidas a quem aqui vive? Fraquito, nada que dê história, daqui a uns tempos já ninguém se lembra nem dos pinos nem de quem os plantou... As decisões prepotentes e absurdas que todos os dias nos afectam? Cá vamos seguindo em frente e baixando as orelhitas... O despedimento dos 336 trabalhadores da Groundforce no Aeroporto de Faro, de uma forma miserável e sem o mínimo respeito pelas pessoas? Não... não é propriamente algo que se passe só no Algarve, é diário e acontece no País inteiro. Ok. Estava visto que com a mentira, a incompetência e a corrupção de quem nos governa, por muito que afectasse o meu Algarve, não me governava eu...
Mas onde é que raio havia eu de ir buscar uma história minha, ligada ao Algarve?! Respirei fundo, despejei mais um bocadinho de Jack Daniels - devia ser medronho, para ser mais algarvio, mas não vou mentir a bem da história ... - e disse de mim para mim: organiza-te, pá! Vamos lá por partes: nasci aqui, fui-me embora para Lisboa com 19 anos, fiquei por lá uns vinte e tal e voltei ao Algarve há 11 anos. Voltei porquê? Voltei porque descobri que afinal a lenda da Moura Encantada era verdadeira. Encontrei uma moura farense, que me encantou e me fez deixar a cidade grande sem olhar para trás. Com ela redescobri o Algarve. Vi que aqui se pode ter paz, se pode ter alegria, se pode ter uma qualidade de vida que nenhum slogan é capaz de promover com justiça. Percebi que a Barrinha ao fim da tarde é mais bela que a mais bela praia das Caraíbas, que uma tarde de temporal vivida na Ilha do Farol é fascinante, que olhar o horizonte lá de cima, do alto da Serra, é um espectáculo de cortar a respiração. Comi ostras em Cacela, ouvi música do mundo em Loulé, ganhei amigos que dizem "mósse débe" e são para a vida.
No Algarve amei e fui amado. Um dia a moura encantada que se chamava Lena partiu, para sempre. Deixou-me a história deste Algarve que agora vos conto e a esperança de que aqui as amendoeiras hão-de sempre dar flor e o mar há-de continuar a ter brisa. É uma história feita muito mais de sentimentos do que de palavras, talvez por isso, João, sem interesse para o blogue. Mas é, podes crer, a história mais bonita que tenho do Algarve.
Subscrever:
Mensagens (Atom)