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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Entre no novo ano com o pé... na areia

O blogue do turismo do Algarve tem sempre as melhores propostas para si. Se na semana passada falámos sobre a quadra natalícia e demos-lhe a conhecer as melhores feiras e mercadinhos de natal, esta semana falamos sobre a Passagem de Ano e apresentamos-lhe os cartazes algarvios. 

Com uma temperatura tão amena como a que se faz sentir na região algarvia, as nossas sugestões são todas ao ar livre e quase todas na praia. Além disso são gratuitas. Uma coisa é certa: música, animação e fogo-de-artifício não vão faltar!

Fotos: D.A.M.A, UHF, Xutos & Pontapés, AUREA, Anjos

Monte gordo, Vila Real de Santo António, recebe na Avenida Marginal, como cabeça de cartaz o grupo Os Anjos. Um espetacular fogo-de-artifício às doze badaladas vai celebrar o novo ano e pela noite dentro vai poder divertir-se na tenda gigante. 

Na Praça da República, com vista para o Rio Gilão, a cidade de Tavira conta com a animação musical de Função Publika e, após a 00h00 e o fogo-de-artifício, com o som de DJ Fábio e DJ Draft.

A banda Íris e o grupo Gerações vão animar a passagem de ano em Olhão, que vai ter lugar no Jardim Pescador Olhanense.

Na capital algarvia, em Faro, a festa vai ser no Jardim Manuel Bívar com o concerto de Virgem Suta, seguido de um fantástico fogo-de-artifício. A partir da 01h00 o DJ Christian F assume o comando da noite mais longa do ano.

Como é habitual, a Passagem de Ano em Quarteira vai ter lugar na Praça do Mar e este ano conta com os UHF, a banda de rock portuguesa que conta com vários sucessos como “Cavalo de Corrida” e “Saravejo”.

Albufeira contará mais uma vez com um espetáculo para todos os gostos com muita cor e animação. A grande festa que será na conhecida Praia dos Pescadores inicia-se às 22h30 com o concerto de AUREA e termina às 00h00 com a entrada do novo ano e o espetáculo de pirotécnico. 2017 começará ao som dos D.A.M.A..

Na outra Praia dos Pescadores, em Armação de Pera (Silves) as boas vindas a 2017 também acontecem em grande, com Quinta do Bill, fogo-de-artifício e o DJ Paulo Abreu. 

No cais de Alcoutim a animação musical fica a cargo da banda Energie.

Esperamos por si no Algarve para entrar no novo ano com o pé direito (e na areia!).

Boas Festas!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Há tanto para fazer no Algarve...

Não sabem o que fazer com o tempo livre? O Algarve propõe-vos um cartaz de animação em modo outonal com concertos, castanhas assadas numa feira popular, tratamentos para o corpo em spas e desporto. Para já, a proposta é assistir a corridas de carros clássicos na pista do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, entre 18 e 20 de outubro. 




A segunda quinzena de outubro garante eventos para todos os gostos na região. Para os que apreciam as quatro rodas, o AIA reúne carros que fizeram história no automobilismo mundial num fim de semana em que irão desfilar marcas e modelos como Jaguar, Chevrolet, BMW, Bentley, Austin-Healey, Jaguar, Porsche, Datsun e Maserati. Estão previstas 11 corridas durante o Algarve Classic Festival e muitas atividades de lazer em família.  




Se, por outro lado, a ideia de diversão inclui carrosséis, farturas, castanhas assadas, algodão doce e barraquinhas de artesanato e vestuário, então a Feira de Santa Iria, em Faro, é a mais apropriada para preencher as tardes e noites de 18 a 27 de outubro. Estará situada no largo de São Francisco e de portas abertas entre as 16h00 e as 00h00 (segunda a quinta), as 15h00 e a 01h00 (sexta e sábado) e as 15h00 e as 00h00 (domingo). 

Em Loulé, os sons do Renascimento e do Barroco imperam no que será o último concerto do Encontro de Música Antiga de Loulé, dia 19, na Igreja Matriz, às 21h30. Este banquete musical proporcionado pelo Ensemble de Flautas de Loulé e pelo Ensemble de Música Antiga da Escola de Música do Conservatório Nacional tem entrada livre e marca o encerramento da 15.ª edição do encontro que é um dos mais conceituados, neste género, do país. 




Também no dia 19 arranca um dos eventos mais aguardados pelos que querem regenerar o corpo e a mente no Algarve. A Algarve Spa Week é feita de tratamentos spa de bem-estar e beleza e de terapias holísticas e alternativas, propõe descontos de 50 por cento durante oito dias e oferece momentos bem relaxados em espaços de luxo. Estas experiências podem ser usufruídas nos spas de onze hotéis de sonho no Algarve: Hilton Vilamoura, The Lake Spa Resort, Santa Eulália, Real Marina, Crowne Plaza, Vila Monte, Tivoli Marina Vilamoura, Tivoli Victoria, Martinhal Beach Resort, Bela Vista e Epic Sana. Além dos preços aliciantes, os hotéis aderentes oferecem ainda condições especiais de alojamento a quem quiser pernoitar após os tratamentos até ao dia 26.  

Uma palavra serve para fechar a programação do mês: energia. A terceira e última etapa da Copa Ibérica 2013 vai encher de energia a Vilamoura Tennis Academy, onde decorre entre os dias 25 e 27, com entrada gratuita. Segundo a organização (Lagos Sports), esta é a única prova de Grade 3 (numa escala de 1 a 5) realizada em Portugal e pontuável para o ranking da Federação Internacional de Ténis. Este será o momento ideal para ver em competição os tenistas seniores, sete dos quais integrados no top 50 da classificação daquela federação. 

Todos estes momentos de animação estão integrados no folheto «Algarve com Eventos» que visa juntar a programação das Câmaras Municipais e de outras entidades algarvias num guia em formato de bolso que facilitará a pesquisa de quem procura o que há para fazer na região. O folheto pode ser encontrado nos postos de turismo do Algarve e pode ser descarregado aqui

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Setembro começa com desporto e músicas do mundo

O bem bom dos dias estendidos na praia e do descanso das férias está quase a acabar, mas o Algarve prolonga a animação em setembro para que vocês continuem cheios de atividades para fazer. Desporto, música, artesanato, festas e gastronomia: este é o plano para ocuparem o tempo livre durante o próximo mês na região. 

O programa começa no dia 05 em modo desportivo com o Loulé World Cup 2013, que juntará no pavilhão desportivo municipal ginastas de diversos países naquela que é uma das maiores provas mundiais de trampolins e tumbling. O campeonato decorre até ao dia 07 e é uma organização conjunta da autarquia, da Associação de Pais e Amigos de Ginástica de Loulé e da Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos. 



É precisamente por esses dias que também começará o Festival Adentro, evento que entra na terceira edição mantendo a aposta de encher de pessoas e de músicas do mundo o centro histórico de Faro. Entre 06 e 07, o largo D. Afonso III receberá os ritmos de três formações musicais portuguesas e de uma espanhola: os espanhóis «The Burnt Old Man» (dia 06), o «Trio Alcatifa» (dia 06), o grupo algarvio «Fad’Nu» (dia 07) e o «Pás de Probléme» (dia 07). 

Mas atenção: nem só de música se faz este festival de entrada livre. Os concertos arrancam às 22h30, embora o espaço comece a fervilhar mais cedo, às 21h30, com as bancas do Mercado da Traça a abarrotarem de artesanato urbano, produtos regionais e artigos em segunda mão. Novidade será a presença do coletivo Terminal Studios na cidade velha para fazer caricaturas dos que por ali passarem. 




Depois do desporto e da música, calha bem uma petiscada. Foi exatamente isso que pensou a organização das Festas do Pescador, em Albufeira, onde serão levados para a mesa os pratos típicos algarvios ligados ao mar. Carapaus alimados, marisco, choquinhos com tinta e xarém com conquilhas – todos poderão ser degustados neste evento ao compasso de música e folclore (haverá quatro atuações de ranchos e grupos de dança e cantares do país). Agora o mais importante: as festas têm lugar na praça dos Pescadores, de 06 a 08, a partir das 18h00, com entrada livre. 




Entretanto, no largo dos Chorões de Monchique tem também início a Artechique – feira de artesanato e sabores de Monchique. De 06 a 08, os visitantes terão a oportunidade de conhecer a gastronomia e as artes da serra algarvia neste certame promovido pela junta de freguesia local. Os cestos de vime, as cadeiras de tesoura e as rendas antigas são apenas alguns dos trabalhos em exposição, aos quais se juntam sabores tipicamente monchiquenses como o presunto, os enchidos, o medronho, a melosa e o mel. 

Precisamente naqueles dias arranca a Feira da Dieta Mediterrânica em Tavira, uma estreia no cartaz de eventos algarvio. São três dias (06, 07 e 08) atulhados de propostas para quem estiver na zona. Mercado de produtores, passeios no território, colóquios, oficinas de comida, provas cegas e degustações, música e exposições constam do programa desta feira inserida na promoção da Candidatura Transnacional da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da Humanidade. 

A animação continua nos dias 13, 14 e 15, desta vez num município do interior algarvio que pouco ultrapassa os 576 quilómetros quadrados de área: Alcoutim. As Festas de Alcoutim são já habituais no calendário anual de eventos, já que coincidem com o feriado municipal (13 de setembro). Estão várias atividades programadas para o cais e para a praça da República, por isso o melhor é estar atento ao sítio da autarquia para escolher o que fazer na altura. 

Todos estes momentos de animação estão integrados no folheto «Algarve com Eventos» que visa juntar a programação das Câmaras Municipais e de outras entidades algarvias num guia em formato de bolso que facilitará a pesquisa de quem procura o que há para fazer na região. O folheto pode ser encontrado nos postos de turismo do Algarve e pode ser descarregado aqui.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Palácio do Tenente - O Regresso do Gramofone

Nos dias 21 e 22 de junho, o Palácio do Tenente João de Carvalho (Rua Conselheiro Bívar, 79 – Faro) irá abrir as portas à criatividade, depois de muito tempo encerrado. Durante dois dias, as artes e ofícios vão instalar-se num espaço que era apenas da memória. Um grupo de amigos e ateliês cheios de ideias e com muita motivação juntaram-se e reviraram casas, lojas e um palácio centenário, e descobriram peças perdidas e adormecidas em caves, sótãos e arcas que agora vão mostrar, dando forma ao evento “O Regresso do Gramofone”.



Esta iniciativa é promovida pela Faro 1540 e tem como participantes o Atelier Rural, Byho – Interior Design Clinic, About Wine – Vinhos & Gourmet, Amormeu Acessórios, The Bike Type e Teresa Correia, criadora de Era uma vez um Botão, e como parceiros a Associação Nacional de Designers e o Estúdio Design Thinking.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim de ano no Algarve: Monte Gordo, Faro e Portimão

Como estamos em contagem decrescente para uma das datas mais memoráveis do ano, e como o Algarve vai assinalar este dia com muita animação, apresentamos mais três sugestões para comemorarem a entrada em 2013 “em cheio”.


Monte Gordo, Vila Real de Santo António

Aqui começa a festejar-se logo no dia 29 de dezembro, com concertos diferentes todas as noites e DJ. No dia 31, a grande atração vai ser o espetáculo de fogo de artifício à meia-noite. Mas como a oferta de animação é vasta e variada, este cartaz vai ajudar-vos na escolha!



Jardim Manuel Bívar, Faro

Com entrada livre, Faro assinala a passagem de ano com a atuação de La Plante Mutante, banda algarvia que se autointitula como “tocadores de hits dos anos 80 e artistas do Music Hall”. Se ainda têm dúvidas quanto ao nível de diversão esperado, eles próprios desfazem-nas: “Réveillon moderno é connosco”!



Portimão

O programa que Portimão preparou para o fim de ano é extenso e inclui uma multiplicidade de eventos que vão desde um teatro-circo para toda a família pela companhia Cardinali, no Parque de Feiras e Exposições, a um Freestyle Motocross Show Marcos César, com motas voadoras, derrapagens e saltos, no Pavilhão Arena. Tudo culminará na noite de 31 de dezembro com o espetáculo Miradouro Dance Spot, na Praia da Rocha, e com o fogo de artifício na zona ribeirinha de Portimão. O ideal era não perderem nenhuma destas propostas…




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Turistas estrangeiros animam verão algarvio


Praia do Alemão, Portimão
(Créditos fotográficos: Hélio Ramos)

O Algarve ganhou perto de 350 mil dormidas turísticas no verão face ao ano anterior. As novas dormidas foram realizadas por turistas estrangeiros, que aumentaram 7,5 por cento nos meses de junho a setembro, enquanto as pernoitas de portugueses caíram 2,4 por cento.


O Algarve ganhou 350 mil novas dormidas turísticas no verão

Todos os três maiores mercados emissores de turistas para o Algarve registaram acréscimos de dormidas na época alta: o Reino Unido – maior emissor de turistas – aumentou 8,6 por cento e a Holanda a Alemanha cresceram acima dos 10 por cento.

Onyria Palmares Golf

Quanto aos hóspedes, o Algarve registou uma subida de dois dígitos entre os residentes no Reino Unido (+13,2 por cento) e na Alemanha (+12,1 por cento). Os hóspedes oriundos de Portugal e da Espanha diminuíram no verão, de forma mais acentuada no mercado espanhol (-16,4 por cento) – o 2.º mais importante para o destino entre os emissores de turistas estrangeiros.

(Créditos fotográficos: Sérgio Rodrigues)

Os proveitos globais da hotelaria progrediram 4,7 por cento, para os 388 milhões de euros (mais 17 milhões do que no período homólogo) e o aeroporto de Faro ultrapassou os 3 milhões de passageiros movimentados nos quatro meses do verão.

TURISMO DO ALGARVE: BALANÇO DO VERÃO 2012

Fonte: INE, Aeroporto de Faro
(Verão: junho, julho, agosto e setembro)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Projeto Musical QUARTO#101



O Hotel Faro, em parceria com a ArQuente Associação e a produtora Eat My Ear, vão lançar, no próximo dia 17 de novembro, pelas 18h00, um conceito musical inovador - um concerto numa suite de Hotel - o QUARTO#101.

Este conceito pretende dar a conhecer projetos musicais, nacionais e internacionais, num primeiro momento destinados a um público restrito que irá privar com os músicos num espaço exíguo e que, posteriormente, será alargado, pois todos os concertos serão filmados, editados e publicados na WEB. Pretendem, assim, desafiar as próprias bandas para o conceito inovador e para a visibilidade que o mesmo lhes trará.

O projeto musical que irá inaugurar o QUARTO#101, será a banda MUDO as MARIA que irá apresentar o seu novo álbum.

Por meio desta iniciativa, pretendem facultar a todos os interessados uma nova abordagem no panorama musical farense e algarvio, abrindo os horizontes para mais bandas que queiram juntar-se ao projeto do QUARTO#101.

No dia 16 novembro (sexta-feira) entre as 17h00 e as 19h00, as primeiras quatro pessoas a deixarem o nome na “guest list” na receção do Hotel Faro, serão contempladas com convite para estarem presentes no Quarto#101 e ouvirem MUDO as MARIA em acústico!


Mais informações:

- ArQuente Associação
@ arquente@gmail.com
T - 962 021 895

- Hotel Faro
André Oliveira - Direção de Marketing
T - 969 523 607


Nota: Evento limitado a 20 pessoas, mediante CONVITE

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Museu do Convento

O sol de outono no Algarve (ainda) é quente e sugere passeios em família ou entre amigos. Há muitas maneiras de o aproveitarmos bem – uma delas é no centro histórico de Faro, onde encontramos o antigo convento de Nossa Senhora da Assunção, curiosamente um dos quatro conventos femininos que em tempos existiram na diocese algarvia, e o Museu Municipal, ali instalado desde 1971. Este é, no limite, um intervalo cultural para um final de tarde supimpa na cidade.



O Museu Municipal de Faro é um dos mais antigos da região. E sabiam que em 2005 recebeu o Prémio APOM de Museologia? E que está implantado num edifício que foi classificado como Monumento Nacional desde 1948? Mas ele não se resume a uma adição de epítetos. Tem por isso muitos outros motivos de interesse, começando pela sua arquitetura. O claustro é o que mais atrai os olhos: concluído em 1548, é um dos primeiros exemplares da tipologia de um claustro proto-renascentista em Portugal e está decorado com gárgulas de formas grotescas e seres fantásticos.



Bem acomodadas nos dois pisos do edifício estão cinco exposições permanentes. Uma delas de pintura antiga com obras de pintores portugueses, italianos e espanhóis, datadas dos séculos XVII e XVIII. Outras que integram objetos da pré-história e das épocas romana e medieval. Todas pedem dedicação e todas são um ótimo pretexto para escapar da frenética rotina do dia a dia.

Créditos fotográficos: F32.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Para grandes males, grandes remédios

No Museu Regional do Algarve, em Faro, não é preciso uma grande visita para perceber que as atenções giram em torno do provérbio «para grandes males, grandes remédios». Pelo menos desde março, altura em que a exposição dedicada à medicina popular foi inaugurada. Em três meses recebeu 1157 pessoas e agora que está quase a terminar (dia 17 de agosto), desafiamos-vos a espreitarem as mezinhas e superstições que ainda hoje são praticadas no concelho. Sem medos (ou qualquer sombra de bruxaria).



A mostra «Para grandes males, grandes remédios: a medicina popular no concelho de Faro» faz parte de um levantamento de costumes de cura que, ao longo do tempo, foram caindo em desuso pela população. Dentro do museu, saltam à vista a alva de cão (fezes) para tratar anginas e duas sanguessugas para curar hematomas e feridas infetadas. Os anelídeos estão vivos – para contentamento das crianças que passam pelo espaço – e são alimentados com fígado ou açúcar dentro do frasco onde estão guardados.



Como tratar as cãibras ou o cabelo desidratado e sem brilho? Como aliviar a dor de barriga nas crianças ou evitar a fraqueza das pernas? A exposição responde, com a ajuda da sabedoria dos habitantes da ilha da Culatra.

Se ficaram curiosos, o melhor é percorrerem o Museu Regional do Algarve para verem o que ficou por contar, e que inclui amuletos e ainda mais benzeduras. Para quem não puder ir, deixamos aqui a reza para proteção pessoal (dá sempre jeito, dizemos nós…).


Oração a S. Silvestre
Encomendo a S. Silvestre e à camisa que ele veste e às varas de S. Jorge, com que Deus andou armado. O meu corpo não seja corto, nem o meu sangue derramado. Quem tem olhos não me veja, quem tem braços não me prenda. Valha-me a Nossa Senhora, de todo o perigo me defenda.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não sabem onde ir? Sigam a cultura

Apetece-vos fazer algo, mas ainda não sabem o quê. Uma boa dica para se entreterem durante um dia no Algarve é seguirem a cultura. Passarinhar museus e património dentro, com paragens na mesa tradicional para satisfazer a gulodice.


Como se vestia a mulher oitocentista algarvia? E o homem? Vão a São Brás de Alportel, entrem no palacete António Bentes e explorem em toda a extensão o Museu do Trajo, uma espécie de ilha de cultura nesta simpática povoação do interior algarvio. De certeza que no final saberão a resposta. O espaço museológico está instalado numa antiga habitação burguesa dos finais do século XIX, reconvertida para visitante ver. A coleção de mais de 1500 peças espalha-se por várias salas que recriam o dia a dia da época, entre outras atrações para os olhos (como as alfaias agrícolas). 


Quando a hora roça o almoço e a barriga se esvazia, a altura é ideal para o restaurante. Tem de estar perto e tem de encher o paladar de sabores regionais, já agora. A Adega Nunes, junto a São Brás de Alportel, é o melhor programa para a refeição. À entrada, os alambiques e as pipas da decoração confirmam que a casa é rústica, e a cozinha caseira. Joga-se o apetite à ementa e pede-se biqueirão, para começar. Depois pode vir açorda de galinha com grão ou coelho frito com alhinhos, borrego em forno de lenha ou javali estufado (este capaz de fazer as delícias do Obélix). E alguém se esquece da tarte de alfarroba? Propostas serranas de um restaurante onde a sala de jantar funciona na antiga vacaria. Mais típico será difícil… não acreditam?


O estômago forrado dá autorização ao resto do passeio. Para Estoi então. Percorram a estrada até aos tesouros romanos de Milreu aproveitando a beleza da paisagem. A viagem agora é no tempo e recuará pelo menos até ao século I d. C. O complexo das ruínas de Milreu está classificado como monumento nacional e revela o que resta da vila rural que no século VI abandonou o estatuto pagão para servir a igreja cristã. O atual centro de interpretação dá uma ideia de como os romanos passariam os dias no Algarve.


E porque estão em Estoi, mantenham-se lá. Façam uma pausa e bebam um chá ou refresco no bar da Pousada do Palácio de Estoi, cobertos da preguiça a que têm direito. Com toda a moleza da calma, vão depois descobrir este palácio do século XVIII recuperado pelo arquiteto Gonçalo Byrne. Os jardins ao estilo Versalhes e os dois salões com delicados frescos são imperdíveis.


Já jantaram. O dia está no fim, mas ainda vos sobram umas horas. Não querem ficar na cama ou no sofá a fazer zapping. E se fossem ao teatro? Este tem história: é um dos mais velhinhos do país, originalmente construído em 1605. Foi sujeito a sucessivas obras de recuperação e hoje serve de sala para peças de teatro ou concertos. O Teatro Lethes, em Faro, tem o nome de um mítico rio, conhecido por as suas águas terem o poder de apagar da memória das almas as agruras da vida. E na realidade isto acontece. Por momentos não conseguirão pensar em mais nada a não ser no espetáculo que corre no palco.


Créditos fotográficos:

Museu do Trajo - Luís da Cruz
Adega Nunes - Câmara Municipal de S. Brás de Alportel
Ruínas de Milreu - F32
Teatro Lethes - Luís da Cruz 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Bilhete-postal: Doca de Faro


A imagem romântica de um «pôr do sol sobre a doca de Faro», tomada a partir do jardim Manuel Bívar no tempo em que as palmeiras aninhavam bandos de pequenos e alegres pássaros, ilustra este bilhete-postal. Nesses dias as estradas eram feitas de pedra e os automóveis, lindos, duravam uma vida…


Nota: coleção «O postal da amizade», da Lifer – Porto, sem data.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Algarve Natural – Percurso Pedestre da Ilha da Culatra

Rumando a sul encontram-se as inúmeras e apaixonantes belezas naturais do Algarve, que merecem ser descobertas e partilhadas, por isso criámos a rubrica “Algarve Natural”, onde pretendemos aguçar-vos a curiosidade de partir à descoberta deste segredo mais famoso da Europa! 
Estão à espera de quê? Vistam uma roupa e calçado confortável e não se esqueçam do chapéu de sol, do protetor solar e da máquina fotográfica e sigam os nossos conselhos rumo à aventura! 





Conhecer a Ilha da Culatra, a pé! 

Nome: Ilha da Culatra
Concelho: Faro
Acessos: Partindo de Olhão e apanhando o barco no cais. Existe transporte todo o ano para esta ilha.
Tipo de Percurso: Pedestre
Circular: Não
Distância: 5,6 km (ida e volta)
Duração média: 2 h
Tipo de caminho: Passadiço de madeira e areal
Quando visitar: Todo o ano
Homolgado: Não
Sinalizado: Não
Entidades responsáveis: Parque Natural da Ria Formosa, Câmara Municipal de Faro e Ambifaro. Observações: Caminhos públicos. Zona húmida de sapal. Avifauna. Percurso integrado no Parque Natural da Ria Formosa e na Rede Natura 2000 (Sítio Ria Formosa/Castro Marim).


Foto: João Eduardo Pinto

 
Percurso: Depois da viagem pela ria, e chegados à Culatra, entra-se na aldeia onde se localiza o painel informativo deste percurso. 

Seguindo pela rua principal, em direção à praia, chegamos a um passadiço de madeira que conduz o caminhante ao longo do sistema dunar. Aqui existem canais inundáveis pelo mar que permitem a existência de vegetação de sapal.


A vegetação dunar, é bastante interessante devido à sua adaptação às exigentes condições de temperatura, salinidade e fixação ao solo. 

Plantas como o malmequer-das-praias, tomilho-carnudo, perpétua-das–areias, estorno, feno-das-areias e o cardo-marítimo são algumas das espécies de duna que podem observar. Ao chegar à praia, o percurso desenvolve-se para o lado esquerdo. 

Aqui pode-se observar aves aquáticas marinhas, assim como variadas conchas de moluscos trazidos pelo mar. A partir do acesso à praia, e a uma distância de 1,5 km deve-se estar atento à existência de um passadiço sobre a duna que termina junto a uma enseada da ria.

Também aqui se pode aproveitar a oportunidade de descansar e observar as aves da ria como o perna-vermelha, maçarico-real, pilrito-comum, chilreta, corvo-marinho, garça-real, entre muitas outras. O percurso de retorno faz-se pelo mesmo caminho. 

Aproveitem o calorzinho deste fim de semana e rumem sozinhos, ou bem acompanhados, nesta aventura! 

terça-feira, 3 de abril de 2012

1001 Praias: Praia da Culatra

O sotavento, na zona oriental do Algarve, é constituído por extensos areais, apenas interrompidos pela Ria Formosa, onde surgem amplas ilhas e línguas de areia que constituem praias tranquilas e bastante aprazíveis, entre as quais a ilha da Culatra.


A praia situa-se na extrema nascente da ilha com o mesmo nome, associada a um antigo povoado de pescadores, que até há algumas dezenas de anos, era composto por casas de madeira. A povoação, ainda constituída por população piscatória, encontra-se agora dotada de várias infraestruturas e serviços. Na área envolvente observam-se inúmeros mariscadores distribuídos pelos bancos de vaza a descoberto na baixa-mar e vestígios das formas artesanais de pesca utilizadas, nomeadamente os covos e os alcatruzes para o polvo. Com um areal amplo a estender-se tanto para poente como nascente, também aqui se pode observar a rica flora dos campos dunares que se sucedem para o interior bem como gozar as águas cálidas e tranquilas e os ventos quentes de leste. Após duas horas de caminhada para Leste chega-se à Barra Grande, onde se podem apreciar as convidativas piscinas naturais arenosas e uma paisagem sempre em mutação.


Nota:

- As correntes junto à barra são normalmente muito fortes, sendo necessária cautela.
- Acessos de barco a partir de Faro (verão) e de Olhão (todo o ano), diversos equipamentos de apoio (restaurantes e WC) e vigilância durante a época balnear. A barra grande não tem vigilância. Orientação: sudeste.

terça-feira, 13 de março de 2012

Cemitério romano descoberto em Faro

As obras da variante de Faro à EN 125 colocaram a nu achados arqueológicos que se pensa pertencerem a uma necrópole da época romana, com 1500 a 2000 anos.

Os trabalhos decorrem num sítio considerado pelos arqueólogos «muito sensível» e a descoberta é surpreendente: um cemitério fora do atual aglomerado urbano e afastado de qualquer templo conhecido.

Em todo o país, o acompanhamento arqueológico de empreendimentos como as estradas têm revelado vestígios materiais até então desconhecidos e que teriam sido destruídos se tais trabalhos não tivessem sido realizados.

O património arqueológico confere ao turismo a capacidade de diferenciar a oferta e devolve a autenticidade a um destino, pelo que o achado poderá vir a ser um marco para o Algarve e para a cidade de Faro.






sexta-feira, 9 de março de 2012

1001 Praias: a beleza da Barrinha de Faro

José Alves partilha connosco 4 fotografias da Barrinha de Faro, tiradas numa das muitas idas com a sua família a esta praia. Por ser uma zona tranquila e possuir uma enorme beleza natural, esta é a sua praia de eleição. José Alves confessa-nos sentir-se uma pessoa privilegiada por poder desfrutar todos os verões deste local maravilhoso.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

1001 Praias: Praia da Barrinha

A praia da Barrinha, de que hoje vamos falar, continua a ser uma das mais belas praias do Algarve e também uma das menos conhecidas, devido principalmente à dificuldade nos acessos.


A Barrinha é uma área de grande beleza natural, sem edificações e onde se pode observar a flora do sistema dunar bem como as inúmeras aves que procuram refúgio e alimento nestas paragens, tais como a chilreta, a gaivina, a rola-do-mar ou o borrelho.

Aqui a configuração da linha de costa muda constantemente pela ação do vento e da ondulação e avista-se a Ilha Deserta (ou Ilha da Barreta), mais larga e densamente vegetada, do outro lado da barra.

É uma zona muito tranquila e normalmente deserta que pode ser acedida a pé a partir da praia de Faro, através de um longo passadiço de madeira.

Notas:
As correntes junto à barra são normalmente muito fortes, sendo necessária cautela.


Acesso viário alcatroado até à praia de Faro. Estacionamento ordenado, com diversos equipamentos de apoio (Restaurantes, WC) e vigilância durante a época balnear. A Barrinha não possui vigilância. Orientação: Sudoeste.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

1001 Praias: Ilha Deserta (Barreta)

A ilha Deserta é uma das mais bem conservadas e menos frequentadas praias do Algarve. É uma área completamente desabitada da ria Formosa. Raro santuário, a ilha Deserta convida à tranquilidade e ao descanso.



Cerca de 10 km de silêncio e sossego caracterizam a ilha Deserta, onde tudo parece encaixar-se perfeitamente entre mundos tão distintos como a terra, o mar e o ar.

O acesso faz-se por mar, a partir do sugestivo cais da Porta do Sol, em Faro. Vale sempre a pena atravessar os labirintos de areia e vasa da ria Formosa e o barco serpenteia por canais e bancos de sapal. Pelo caminho há que prestar atenção às diversas aves que por aqui se alimentam, como os graciosos flamingos.

O cordão dunar mantém preservada a sua vegetação original bem como a capacidade de abrigar fauna, sobretudo aves: borrelhos, garajaus, andorinhas do mar, gaivinas ou chilretas podem aqui nidificar tranquilamente, longe dos predadores naturais.

A partir do porto de embarque é possível fazer um percurso de natureza sobre um passadiço de madeira, construído com sulipas de caminho de ferro. Para nascente a ilha ganha robustez, configurando o cabo de St.ª Maria, o extremo meridional de Portugal Continental.




Notas: As correntes junto à barra são normalmente muito fortes, sendo necessária cautela.
Acesso de barco a partir de Faro (cais da Porta do Sol), durante o verão ou mediante solicitação. Equipamentos de apoio (restaurante e WC) e vigilância durante a época balnear. Orientação: sul, sudoeste.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

1001 Praias: Praia do Farol e Praia dos Hangares

Na Ria Formosa, a costa deixa de ser regular e passa a apresentar-se como uma trama formada por ilhas, línguas de areia e zonas pantanosas. São exemplo disso as fantásticas ilhas do Farol e dos Hangares.


Situada na Ilha da Culatra, a praia deve o seu nome ao enorme farol que se situa na sua extrema poente, na Barra Nova junto ao Cabo de St.ª Maria. Esta barra, estabilizada por molhes, marca uma inflexão na orientação da linha de costa: as ilhas barreira orientam-se agora a sudeste, expostas ao vento quente levante e às suas ondulações. Quando se chega ao cais de embarque verifica-se que a ocupação urbana (sobretudo de veraneio) e turística é intensa, mas o areal é extenso e, para nascente, a praia vai-se tornando gradualmente mais tranquila e deserta. O grande molhe a poente é aproveitado pelas escolas de mergulho para as suas aulas, por inúmeros caçadores submarinos e também para a pesca desportiva. Também é possível fazer surf, aproveitando as ondulações que chegam com o levante.

Seguindo para nascente, surge a Praia dos Hangares, onde ainda se encontra um velho bunker e muito arame farpado, legados do tempo em que hidroaviões da Marinha ancoravam nesta ilha. Existe aqui um pequeno povoado piscatório e de veraneio, voltado para a ria. O cordão dunar é imenso, quente e seco, o areal é muito tranquilo.




Notas: As correntes junto à barra são normalmente muito fortes, sendo necessária cautela.
Acessos de barco a partir de Faro (verão) e de Olhão (todo o ano), diversos equipamentos de apoio (restaurantes e WC) e vigilância durante a época balnear. Na Barra Nova não há vigilância balnear. Orientação: sudeste.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Surf na Praia de Faro

Por Luis Nadkarni
[Monitor de desporto - Faro]

No ano de 1984 o meu amigo António Gago -"Tó Zé"- convidou-me para colaborar na organização de um Campeonato de Surf na Praia de Faro. Como desde sempre considerei o Surf um desporto de virtudes, aceitei e decidi levar a cabo a organização deste evento dando o melhor de mim mesmo.

Tive vários encontros com o Tó Zé e resolvi, com a sua colaboração, compor uma música que seria o cartaz de apresentação deste Campeonato. Assim nasceu o tema "Surfaro", que se tornou bastante conhecido.

Contactei a Câmara de Faro, conseguindo que as instalações da sua antiga Colónia de Férias, na zona nascente da Praia de Faro, fossem disponibilizadas para alojamento dos surfistas que participavam nesta prova a nível nacional.

Tudo correu pelo melhor e durante os dois dias de Campeonato e até as condições de mar e meteorológicas ajudaram, tendo entrado um "mar de fora" que proporcionou momentos de excelente surf.
A componente social foi de extrema importância para o sucesso desta organização, tendo o "quartel-general" sido montado no Restaurante "Zé Maria" na Praia de Faro, realizando-se festas de confraternização na antiga discoteca "Desvio" e entrega de prémios na "Barracuda".

Este evento atraiu a Faro surfistas de renome nacional e internacional como Ratinho, Dapim, Nuno Jonet, entre outros. O melhor surfista algarvio nesta prova foi o atleta farense Rebocho que teve uma excelente prestação.

Viveram-se neste Campeonato momentos de grande satisfação, ficando o evento na memória de todos aqueles que, na altura, e actualmente têm o Surf como desporto de eleição.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Banhos de mar

Por Lina Vedes
[Escritora algarvia]

Adorava a praia…
Levava metida na água o dia inteiro…
Não sei como aprendi a nadar, aconteceu… Nadar não direi, mas sim aguentar-me a boiar e esbracejar na água, sem técnica nem ritmo. Toda a aprendizagem foi feita por mim sem qualquer auxílio. A minha especialidade consistia nos mergulhos de toda a maneira, de costas, de lado, de frente, enrolando… enfim, tudo o que me proporcionasse o prazer de estar na água e em actividade.
O primeiro fato de banho que me lembro respeitava não a moda mas as regras da decência e moral daquele tempo. Era azul-escuro, bem descido nas pernas e com uma saia na parte da frente a tentar encobrir vestígios reveladores do que se tinha para esconder. O peito também ficava bem protegido com a roupa subida, tendo pouca cava e pouco decote. O fato era de tecido e, quando molhado, alargava e levava imenso tempo a secar.

Imagem de Maria João Rosa-Passatempo Algarve Vintage


O engraçado, é que aos homens, também eram impostas normas comportamentais, no vestir. Não podiam usar o corpo nu da cintura para cima e eram obrigados ao uso de uma camisola de meia manga ou de alças.

Era uma guerra descarada ao cabo de mar que, vigilante, percorria a praia na expectativa de apanhar algum despido e passar-lhe a multa verbal ou no papel, se o cliente fosse mal-educado ou faltasse ao respeito à autoridade.
Então os homens, seres mais espertos só nesse âmbito, do que as mulheres, uniam-se nessa guerra de perseguição à nudez do tronco. Quando avistavam o cabo de mar davam sinal de alerta e todos se vestiam para se despirem após a passagem do perigo. O “fiscal” bem podia vê-los despidos ao longe mas não lhes chegava perto. Se olhasse para trás verificaria que ninguém respeitava a lei.

Imagem de Nuno Graça-Passatempo Algarve Vintage


Os calções dos homens não podiam ser cavados, tinham de ter um pouco de perna. Como não existia tecido elástico, o sexo ficava tapado mas à solta. O resultado era engraçado e nada estético, ver aquele volume descomposto, através duns calções cuja altura de pernas mais fazia salientar o que era para disfarçar.
Em Setembro depois da apanha dos frutos secos, amêndoa, alfarroba, figos, vinham a banhos, os chamados “montanheiros”. Os sete ou nove banhos desse mês eram óptimos para a saúde, segundo a crença deles.
Essa “fauna” era impar na maneira de frequentar a praia e de dar os tais mergulhos no mar.
Não usavam fato de banho porque era uma vergonha expor o corpo, ou então, não valia a pena gastar dinheiro na compra de um fato apropriado.
As mulheres vinham com grandes vestidos, tipo camisa de dormir, fechados até ao pescoço, compridos até aos pés e largos.
Tinham medo da água, ficavam só na rebentação das ondas, a água pelo joelho. Davam as mãos umas às outras e lá se iam molhando.
As marés vivas de Setembro faziam das suas. Quando o cordão de mulheres se descuidava, ficando em plena rebentação, iam todas ao chão de pernas para o ar, inesperadamente.
Era de promover um espectáculo digno de um filme de apanhados. Mulheres rebolando, levadas pela água, ficando repletas de areia, mais parecendo croquetes para serem fritos… Outras, enroladas nas próprias camisas que subiam e saiam pela cabeça, deixando o rabo de fora… Ainda, as que, meio tontas, tentavam levantar-se e eram de novo derrubadas e enroladas… havia de tudo.
Finalmente, reuniam-se de novo mas não desistiam porque o número de mergulhos tinha de ser respeitado e, heroicamente, voltavam a dar as mãos. Quando terminavam e iam “amalhar-se” onde tinham as “coisas”, eram mulheres que tinham cumprido o seu objectivo, embora mais parecessem seres de outro mundo. A roupa colada ao corpo salientando e contornando todas as curvas e não curvas, a transparência da roupa a permitir observar os peitos, os mamilos e até a negrura dos pêlos púbicos, pois algumas nem cuecas usavam, era um espanto!...
A parte do corpo a descoberto, cheia de areia da grossa e também o cabelo, desalinhado, com melenas para a esquerda, para cima e para baixo, os olhos piscos por causa da água salgada e o andar trôpego, da estafa apanhada, mais lembravam extra terrestres. Chegadas ao local sentavam-se na areia de pernas abertas e para lá ficavam a secar ao sol.

Imagem de José Belchior-Passatempo Algarve Vintage

Quanto aos homens, o espectáculo não era tão cativante e hilariante. Neles, era curioso observar as ceroulas brancas e compridas que vestiam para o banho. Algumas, de tão usadas, estavam encardidas e puídas no rabo e à frente e, às vezes, com falta de botões. Molhadas, revelavam à transparência tudo o que queriam esconder. A falta de botões fazia sair “para a rua” o apêndice, encolhido, revelador do medo que dominava o corpo do dono.
O banho deles era discreto e feito também na rebentação das ondas. Fincavam os pés com as pernas abertas e iam molhando com as mãos, a cabeça, o pescoço, os braços, esfregando-os como se estivessem a lavar-se em casa com sabão e o retirassem do corpo.
Iam juntar-se às esposas e seguia-se o almoço ao qual não faltava o garrafão de vinho e a melancia.
Quando a monotonia da digestão cansava, para distracção, agrupavam-se e jogavam às “abarcas”, cujo objectivo era fazer cair na areia o adversário. Agarravam (abarcavam) o corpo do jogador, passavam rasteiras, lançavam-no ao chão, rebolando na areia e espalhando-a por todos os lados. Muitas vezes os assistentes voluntários ou obrigados, por se encontrarem junto da luta, tinham de fugir do local.
Era curioso observar esses homens quando se levantavam e caminhavam ao longo da praia. O posicionamento corporal já deformado, imposto pelas longas horas de trabalho, debruçado sobre a terra, cavando, semeando ou regando, envelhecia-os antes de tempo. O corpo marcado pelo sol, escurecido nos braços e pescoço como se tivessem uma camisola de meia manga vestida. Todo este conjunto, punha a nu, a vida dura de trabalho de sol a sol, tida por aqueles homens e mulheres a quem chamávamos montanheiros.
A sua maneira de estar na vida, bem diferente da nossa, citadinos e impiedosos para com a diferença, era mais autêntica!!!!!!!!!!!!


[Crónica gentilmente cedida pela autora e anteriomente publicada no livro "Pedaços d'Ontem na Cidade de Faro"]