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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

«Portugal dos Sabores» traz chefs brasileiros e nacionais ao Vila Joya





Os melhores chefs do Brasil e de Portugal vão encontrar-se no boutique hotel Vila Joya, em Albufeira, dias 8 e 9 de março, no evento Portugal dos Sabores, inserido no Ano de Portugal no Brasil.

Os nomes são sonantes – Avillez, Baena, Cordeiro, Costa, Koschina, Lourenço, Murakami, Neuner, Pereira, Redondo, Rizzo, Sinthon, Sobral ou Sudbrack – e bastariam para qualificar com o grau máximo de excelência a ocasião gastronómica.

As duas estrelas Michelin Vila Joya – que foi eleito Melhor Boutique Resort do Mundo, pelo sétimo ano seguido, e integra a lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo, no 45.º lugar – resultam da visão da alta culinária de Dieter Koschina, que transformou o paradisíaco restaurante num lugar procurado pela exclusividade da oferta em Portugal.

Jantares de degustação

8 de março: chefs do Brasil
- Helena Rizzo (Maní)
- Daniel Redondo (Maní)
- Tsuyoshi Murakami (Kinoshita)
- Roberta Sudbrack (Sudbrack) a confirmar

9 de março: chefs de Portugal
- Dieter Koschina (Vila Joya)
- Hans Neuner (Ocean)
- Vitor Sobral (Tasca da Esquina)
- Leonel Pereira (Panorama)
- Luis Baena (chef executivo Hotéis Tivoli)
- Albano Lourenço (Arcadas da Capela)
- José Cordeiro (Feitoria)
- José Avillez (Belcanto)
- Ricardo Costa (Yeatman)
- Benoit Sinthon (Il Gallo d'Oro)
- Paulo Morais (UMAI)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

10 sugestões para desfrutar o Algarve





1. Praia da Marinha. Nos últimos prémios europeus dos World Travel Awards – os Óscares do Turismo –, o Algarve foi eleito o «Melhor destino de praia da Europa». A escolha é ilustrada aqui pela praia da Marinha, no município de Lagoa, já considerada uma das cem praias mais bonitas do mundo pelo Guia Michelin.


2. Fortaleza de Sagres. Com 255 mil visitantes em 2012, a fortaleza de Sagres foi o monumento mais visitado no Algarve e um dos mais procurados pelos turistas em todo o País. Situada no cabo de Sagres, famoso pela sua beleza ímpar, a fortaleza deve a sua origem ao infante D. Henrique, que aqui instituiria uma vila e viria a falecer em 1460. No interior da fortaleza podem ver-se a enigmática rosa dos ventos desenhada no chão e uma muralha corta-ventos com falsas ameias, que permitem vigiar o gigantesco dedo de pedra que na Ponta de Sagres aponta para o mar.

3. Ria Formosa. Eleita uma das «7 maravilhas naturais» de Portugal em 2010, a ria Formosa descobre-se nos trilhos pedestres ou em lentos passeios de barco. É um vasto ecossistema de características geológicas únicas que se estende por uma área de cerca de 20 mil hectares e 60 quilómetros de costa e local de ocorrência de milhares de aves aquáticas ao longo do ano, como o flamingo, a águia de asa redonda, a galinhola e o guarda-rios.

4. Castelo de Silves. Mais de 167 mil visitantes passaram por aqui em 2012, fazendo do imponente castelo de Silves um dos monumentos mais visitados no Algarve. A sua origem remonta ao séc. VIII e o castelo, rodeado por uma forte muralha em taipa revestida em grés de Silves, permanece o melhor exemplar da arquitetura militar árabe existente em Portugal.

5. Zoomarine. Os golfinhos são as estrelas do maior parque temático familiar do Algarve, situado na Guia, a poucos quilómetros de Albufeira. As surpreendentes apresentações fazem da visita ao parque um dia inesquecível e incluem ainda focas, leões-marinhos, aves tropicais e de rapina e os incríveis tubarões, para além das diversões e das piscinas.

6. Centro histórico de Faro. Na vila-a-dentro, rodeada de muralhas onde outrora chegava a água do mar, o coração histórico de Faro concentra a sé catedral, o bispado do Algarve, o seminário, os paços do concelho, museus, conventos, galerias de arte e casas apalaçadas. O passeio deve iniciar-se no arco da Vila e terminar no arco do Repouso e na sé é obrigatório subir ao miradouro e desfrutar da vista deslumbrante sobre a cidade e a ria Formosa.

7. Marina de Vilamoura. A maior e «Melhor marina de Portugal», por eleição do trade, é um dos principais pólos de atração do destino e um ponto de paragem obrigatório para quem pretende relaxar os sentidos e passar um bom momento. Vilamoura foi das primeiras marinas certificadas do mundo e foi também galardoada com a bandeira Azul da Europa e com a distinção máxima de 5 âncoras pela Yacht Harbour Association.

8. Oceânico Old Course. O Algarve foi por duas vezes considerado o melhor destino de golfe do mundo pela International Association of Golf Tour Operators. Em 2012 foi o grande vencedor dos «Today’s Golfer» Travel Awards: foi eleito o destino de golfe com o melhor best value for money da Europa Continental nos prémios da revista britânica e o Oceânico Old Course, em Vilamoura (na foto o buraco 11), foi eleito o «Melhor campo de Portugal».

9. Igrejas de Tavira. Local de cruzamento de povos e de culturas, Tavira ganhou prestígio político, religioso e económico com a expansão portuguesa para o Norte de África nos séculos XV e XVI. Em resultado da sua importância e prosperidade, Tavira possui um notável conjunto de arquitetura religiosa e é conhecida por ser a «cidade das igrejas»: vinte e uma, incluindo seis antigos conventos, guardam tesouros artísticos acumulados ao longo de séculos.

10. Festival do Marisco. É uma das maiores tentações gastronómicas do Algarve e ponto de passagem obrigatório para milhares de turistas que visitam a região no verão. No «Festival do Marisco» de Olhão não faltam camarões, sapateiras, amêijoas e outros frutos do mar servidos ao natural, grelhados, na cataplana ou preparados com arroz ou com o tradicional xarém.




sexta-feira, 9 de março de 2012

A Dieta Mediterrânica e o Algarve em Candidatura a Património Mundial

Tavira representa Portugal no processo que pretende o alargamento da candidatura da Dieta Mediterrânica a Património Imaterial da Unesco e que deverá ser entregue na sede da organização até ao final do corrente mês de março. O Chipre, a Argélia e a Croácia são os outros países que concorrem conjuntamente à integração na lista da Unesco em que já estão inscritos, desde 2010, Espanha, Itália, Grécia e Marrocos.

O Algarve, embora banhado pelo Atlântico, é uma região de fortes influências mediterrânicas, decorrentes em grande parte dos muitos povos que aqui se fixaram: fenícios, cartagineses, romanos e árabes.




Sendo a alimentação uma manifestação cultural dos povos, verifica-se que, no Algarve, os hábitos alimentares são vincadamente mediterrânicos, refletindo precisamente as influências já referidas bem como as condições naturais e o clima temperado da região.


A Dieta Mediterrânica é considerada como um estilo de vida das populações do sul da Europa e norte de África. Utiliza essencialmente produtos locais como o azeite, pão e cereais, legumes e frutos da época, peixe e frutos secos. É considerada pelos nutricionistas como sendo preventiva de diversas doenças cardiovasculares e cancerígenas. Está ainda associada a tradicionais formas de convívio e celebração que representam expressões particulares do Património Cultural Imaterial.

A candidatura portuguesa, representada pela cidade de Tavira, encontra-se explicada neste vídeo promocional editado pela autarquia:






Se tudo isto lhe desperta a vontade de experimentar algumas especialidades da Dieta Mediterrânica algarvia pode ficar a saber um pouco mais sobre os seus princípios e testar algumas receitas consultando o livro sobre o tema editado pela Globalgarve e que se disponibiliza aqui.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cozido de couve à antiga

A couve é o produto do mês de janeiro no Mercado Municipal de São Brás de Alportel onde os sábados têm sido animados com iniciativas e sugestões gastronómicas em que se destaca este alimento de inúmeros benefícios para a saúde. A última destas atividades decorre amanhã, dia 28, com uma demonstração gastronómica a cargo do chef Jorge Sancho, da Pousada de Estoi.
Não percam…


Mas já que falamos de couves partilhamos aqui a receita do cozido de couve à antiga, tal como nos foi dada pela Isabel Cabrita, de Silves, que também aproveita o caldo deste cozido para uma massinha que depois aromatiza com hortelã.


Para confecionar este prato rústico e simples precisamos de 1 repolho, 1 orelha de porco, 250 g de carne de papada, 250 g de toucinho entremeado, 2 ossinhos com carne, 1 chouriça de carne.

Salgam-se as carnes um ou dois dias antes de as cozinhar. No momento de colocá-las ao lume, retira-se o excesso de sal lavando-as com água. Quando as carnes estão cozidas, retiram-se da panela e reservam-se. Coloca-se então a couve, que foi previamente lavada e cortada aos quartos, a cozer lentamente no caldo da carne. Quando está quase pronta juntam-se novamente as carnes para acabar de cozinhar.


Tradicionalmente este prato era cozinhado em forno de lenha e em panela de barro ou de ferro.




Para fazer a massa do caldo da couve, retira-se o caldo do cozido e algumas farripas de couve para outra panela, acrescentando água e sal se necessário. Quando começa a ferver, coloca-se a massa de cotovelos pequenos. Logo que a massa acabe de cozer junta-se um raminho de hortelã.

No momento de servir também se pode temperar, já no prato, com umas gotas de sumo de limão.

Experimentem... e não se esqueçam que amanhã temos o Mercado nas Couves...



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

International Gourmet Festival – Tribute to Claudia

Imagem retirada do site do festival


Começa hoje no Vila Joya Boutique Resort Hotel em Albufeira um dos maiores festivais gastronómicos do mundo que, pelo sexto ano consecutivo, reúne os mais premiados chefs com estrelas Michelin, oriundos de diversos países, nomeadamente de Portugal, França, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Finlândia, Suécia, Itália, Estados Unidos da América e Canadá.

Até ao dia 22 de janeiro, cada um dos chefs com estrelas Michelin irá apresentar um menu de degustação com aproximadamente 10 pratos, no seu dia do festival.

Este ano foram introduzidas algumas alterações ao festival, começando pelo nome em que se adicionou a designação International Gourmet Festival ao tradicional Tribute to Claudia e foi decidido abrilhantá-lo ainda mais com a presença de cantores internacionais como Sheryl Crow e de atores de cinema como Mathew Modine, Adrian Grenier ou Peter Glatzer.

Os preços variam entre os € 210 por pessoa para um almoço, até aos € 600 para um jantar especial com Dieter Kochina e amigos.

As reservas podem ser feitas pelo telefone 289 591 795 ou pelo email: info@vilajoya.com

Para quem desejar informações adicionais sugerimos a consulta ao site do festival.
Bom apetite!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sabores do Algarve

Já começámos a abastecer a nossa despensa, já fomos pedir uns conselhos a quem sabe e já começámos a pôr a mesa para receber os Sabores do Algarve a partir do próximo dia 1 de Março.

Deixamos aqui o convite para que se juntem a nós na divulgação da gastronomia e dos vinhos algarvios .

Para isso só têm que começar a enviar-nos as vossas receitas, os vossos conselhos culinários, as vossas histórias de comida algarvia, as vossas dicas de vinhos ou outras bebidas regionais. Ah e não se esqueçam dos doces!

Tal como temos vindo a publicar as vossas histórias do Algarve, vamos publicar as vossas histórias gastronómicas. E não só as vossas. Também vamos contar com a colaboração de enólogos, produtores de vinhos e até vão passar por aqui grandes Chefs que nos farão a demonstração da sua arte.

Que tal? Não estão já com água na boca?

Nós estamos ansiosos por receber as vossas especialidades e começar o repasto.

Enviem, por favor, os vossos contributos para saboresdoalgarve@turismodoalgarve.pt e sempre que possível não se esqueçam de enviar também fotografias.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sabores do Algarve


Estamos na recta final da iniciativa que ao longo destes meses tem motivado o interesse dos nossos leitores e queremos agradecer a todos os que têm participado activamente com o envio de histórias para divulgação na rubrica "Das Imagens às Palavras".

Como sabem, já só falta uma semana para começarmos a publicar outras histórias... essas queremo-las com os cheiros e os sabores da boa mesa algarvia.

A propósito...
Já começaram a reunir os ingredientes de que vão necessitar para nos fazer crescer a água na boca?
Já escolheram bem que receitas nos vão enviar?
Já anotaram os pormenores imperdíveis daquela odisseia culinária que para sempre ficará na vossa memória?

Preparem já os vossos contributos e comecem a enviá-los para saboresdoalgarve@turismodoalgarve.pt

Vai ser de comer e chorar por mais!






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sabores do Algarve




A nova iniciativa que o Turismo do Algarve vai lançar a partir de 1 de Março começa a ganhar forma!

Já começámos a receber participações dos leitores do Blogue do Turismo do Algarve e já temos confirmadas as participações de alguns dos mais reputados chefs e enólogos.

Preparem-se para o nosso próximo desafio, que está quase a chegar.

E colaborem!

Enviem-nos receitas, sugestões, dicas gastronómicas, histórias de comida, aventuras na cozinha, humor culinário e tudo o que se relacione com sabores algarvios.

Comecem já a procurar nos vossos livros de receitas o prato algarvio a que ninguém resiste.

Pensem comida...

Pensem bebida...

Continuamos a preparar a mesa para receber as vossas dicas.

A festa está quase a começar...



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Na linha do tesouro


Por Sofia Figueiredo
[Investigadora em Biologia de Sistemas – Berlim]

Linha de Tunes. Saio do comboio no cruzamento das linhas e poderia sair de olhos cegos e ouvidos surdos, saberia que estou no Reino do Algarve. Há um odor no ar que é só deste céu, deste sol e desta gente, habitantes no Algarve e na minha alma. É um odor a alfarrobeiras, a figos a secar nas açoteias e a amêndoas no chão acabadas de varejar, escondidas nas cardas que já não picam as mãos sapientes e calejadas de quem trata a terra. É tudo isto misturado com a maresia que faz este ar tão fácil de respirar…E tudo isto trouxe eu, ontem, ao Reino da Prússia, ao cozinhar um pão doce que me levou à confluência das linhas do Algarve com a tríade Alfarroba – Figo -Amêndoa.

Numa manhã solarenga de Sábado, a minha filha arrastou-me da cama e eu, ao avistar um céu tão azul lá fora, arrastei-a para a cozinha. De uma receita básica de pão, fizemos um pão doce de alfarroba, amêndoa e figos secos. Em 125 ml de água morna, desfiz 12 g de fermento fresco de padeiro e 2 colheres de sopa de mel. A mistura das farinhas ficou a cargo da minha filha: 50 g de farinha de alfarroba, 200 g de farinha de espelta, 125 g de farinha de trigo com uma colher de chá de sal.
Juntei a água com o fermento às farinhas, com 100 g de amêndoa moída e cerca de 6 figos secos picados em bocadinhos pequenos. Raspei um limão e trouxe um aroma a canela a este pão. Mexemos até a massa se separar das bordas da taça. Cerca de uma hora depois, fizemos bolinhas da massa e pusemos no forno. O perfume deste Algarve espalhou-se pela casa e misturou-se com o Sol que inundou toda a sala e nos inundou a nós enquanto esperávamos que o pão saísse do forno. Comi os pãezinhos simples, comi-os com o doce de tomate da minha avó, comi com queijo de cabra fresco e polvilhado com ervas provençais e voltei a comê-lo só, só por gulodice, só para o meu comboio parar mais uma vez naquela confluência de linhas a Sul.

E o meu comboio continua a sua viagem, por estradas de terra e alcatrão, por estradas de gelo e pó, de sol e lua, na senda de um tesouro que eu sei onde está, mas não sei quando está. Avista-se no infinito das linhas de comboio que rasgam em latitude o meu Reino a Sul.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Xerém

Por Ilídia Sério
[Empresária - Restaurante Casa Algarvia, Faro]

S. Brás de Alportel, em plena segunda guerra mundial, era uma terrinha do interior algarvio onde a falta de produtos para consumo alimentar, não se sentia com tanta intensidade quanto numa grande cidade. Cada família tinha um cantinho onde semear o necessário para a sua sobrevivência e onde criar alguns animais para o seu alimento, mas….havia coisas que não chegavam a uma vila quase no meio da serra, como por exemplo, carne de vaca. Só os lavradores mais abastados tinham possibilidade de a adquirir.

Nesse tempo, o prato mais habitual naquelas bandas, eram as famosas papas de milho, hoje pomposamente chamadas de xerém, confeccionadas sem os requintes que actualmente lhes conferem tão alto gabarito. Eram, pura e simplesmente papas de milho, que escorriam pela goela, sem se deterem na dentadura de quem as saboreava.

Neste cenário a moça casadoura, brejeira, atrevida, contracena com o rapaz altivo e muito vaidoso, filho de gente humilde, sem grandes recursos, mas trabalhador.
Um dia ele sai de casa, a seguir ao almoço e como de costume, caminha, altivo e hirto, com um palito na boca - talvez um pauzinho afiado, porque naquele tempo não devia haver ainda palitos como hoje - que vai manuseando entre os dentes.
A moça, à janela, como de costume, curiosa e brincalhona, pergunta:
“Ó Zé, vais a palitar os dentes? O que comeste hoje?”
Ele, sem se deter responde:
“Bife! O que querias que fosse?”
E ela, marota, logo retorquiu:
“Bife de papas?”

De coisas simples e brejeiras se vivia numa vila - ou seria aldeia nesse tempo - do interior algarvio, nos anos 40 do século XX.


Mexendo as papas de milho

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um Sábado na praça


Por Sónia Tomás
[Directora Executiva - Associação Sotavento Algarvio]

Sábado de manhã. O despertador não toca mas os velhos hábitos despertam-me. São 09h00 e o sol já espreita através das nuvens outonais. O ar fresco que entra pela fresta da janela encaminha-me rapidamente para o roupeiro dos casacos. É assim, vivo no Algarve e esqueço-me que cá, por vezes, também faz frio.
A viagem é breve. Pelo caminho apanho a minha mãe e esboço mentalmente a minha lista de compras. Nada de diferente dos outros sábados. Peixe, legumes e fruta. Simples!
Antes de entrarmos, paramos na pastelaria habitual para a bica da manhã. As conversas fluem entre o tom apressado de quem tem pouco tempo para estar no café e o tom indiscreto de quem não se esquiva a dois ou três dedos de amena tagarelice alheia.
Mais à frente, no snack-bar da esquina, o inconfundível cheiro das bifanas quentinhas no papo-seco, à mesa dos homens. São dez da manhã mas o dia para eles já começou há muito. Um jarrinho de vinho da casa do “bom”, ou umas minis acompanham-nos no pequeno-almoço reforçado da manhã. À entrada da praça, o pedaço de cartão manuscrito com letras toscas anuncia todas as peças a cinco euros. O estendal é variado mas não convence a clientela. “É a crise v’zinha”, diz a vendedora de etnia cigana. Mais à frente, o Sr. António dos cestos tem cara de quem está a pensar a mesma coisa. Sentado num banquinho, vai vendo quem passa e vai-se entretendo entre dois dedos de conversa. Na banca da frente, a Dona Maria descasca uma clementina enquanto vai dizendo aos clientes que já estão “docinhas como o mel”. Estende-lhes uns gomos e coloca na balança um saquinho delas.


Prosseguimos em direcção às bancas do peixe. É a primeira compra que fazemos sempre. “Há sardinhas e carapaus para a grelha, pargo para o forno, bife de atum fresquinho, pescada para cozer…”, avança-nos logo o Luís assim que nos vê chegar. “Ah! E tenho ali uma anchova que está uma categoria!” Imagino-a logo acomodada no tacho, entre camadas de tomate, cebola, pimento verde, salsa e batatas às rodelas. Olho de relance para os bifes de atum e preparo-lhes logo uma cama de cebolada, paus de orégãos secos e folha de louro, bem regados com vinho branco. E rapidamente me distraio com um remexer constante mesmo à minha frente. Enguias! Bem fritinhas e borrifadas com sumo de limão. Está decidido! “Luís, levo uma anchova, dois bifes de atum e meio quilo de enguias”. Mais à frente ainda compro um quilo de lulas fresquinhas para rechear e um molhinho de lingueirão que terá como destino certo um arroz malandro ou uma feijoada.
Ao longe, já vejo a Dona Isabel de cabeça concentrada nas contas, que faz há anos em pequenos pedaços de papel. Há laranjas, tangerinas, maçãs, bananas, peras, dióspiros, marmelos, castanhas. Dirijo-me às hortaliças. Brócolos, uma couve-flor, um molhinho de grelos, uma alface e umas batatinhas novas a que não resisto. Cozidas com pele fazem a combinação perfeita para os bifes de atum. A minha mãe agarra um molho de beldroegas viçosas para aquela sopa que ela tão bem sabe fazer. Coloco ainda no saco umas batatas-doces para preparar o recheio das empanadilhas que tradicionalmente nos acompanham na quadra Natalícia. “É tudo minhas meninas?”, pergunta a Dona Isabel. Assentimos, pagamos e ainda recebemos cumprimentos para a avó, que foi por muitos anos companheira de praça, numa banca vizinha, ainda no mercado antigo.



A caminho da saída rendo-me aos figos secos e às amêndoas da banca do Sr. Jerónimo. Bem moídos e adicionados a uma calda de açúcar com canela, erva-doce e chocolate em pó, dão uns bombons de figo irresistíveis. Agarro um saquinho de cada. “Já agora levo também meio litro de azeitonas britadas, se faz favor”. Por hoje está tudo. Dividimos os sacos pelas quatro mãos e encaminhamo-nos para a saída. O burburinho das conversas de quem se encontra todos os Sábados por ali, o tilintar dos trocos nas bancas, os pesos de ferro que caem nas balanças de pratos, o pregão dos vendedores, as pancadas secas das facas dos talhantes, o correr da água que lava o peixe depois de arranjado, os sons ocos dos caixotes de madeira vazios que se vão amontoando, tornam únicas as manhãs de Sábado na praça. O aroma dos legumes frescos saídos da terra e as cores vivas dos frutos acabados de apanhar são inigualáveis. E a tudo isto, soma-se a genuinidade destas gentes de alma algarvia que os cultivam com a experiência de uma vida e que nos recebem com aquele sorriso aberto de sempre.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Andar a pé sem comer, não!


Por Elisabete Rodrigues
[Jornalista, membro do Núcleo do Algarve da Liga Para a Proteção da Natureza]

Há mais de 20 anos que o Núcleo do Algarve da Liga para a Proteção da Natureza promove, todos os meses, passeios a pé, à descoberta dos tesouros naturais da nossa região.
Ao longo destas mais de duas décadas, já se têm passado situações estranhas.

Os passeios, embora não seja essa a sua principal faceta, acabam por ter uma vertente turística, até porque a LPN Algarve foi a primeira instituição a promover, na região, percursos de Natureza de forma organizada e regular. Mas, tendo em conta que somos uma Organização Não-Governamental de Ambiente, o enfoque nos nossos passeios é sempre nas questões ambientais, de conservação da Natureza e de educação ambiental. Os guias são, por isso, pessoas que gostam de andar a pé, que percebem (muito ou só um bocadinho) sobre as questões ambientais em causa num determinado percurso. Não são guias turísticos, nem a LPN Algarve tem vocação para o turismo!

No entanto, gostamos sempre de dar a conhecer, além do património natural, outras riquezas do local onde vamos passear a pé. Nomeadamente o seu artesanato ou a sua gastronomia. É que a LPN Algarve considera que o Turismo de Natureza é muito mais do que ir passear para um local e não deixar lá nada. Devemos contribuir sempre para a economia local, nem que seja apenas aconselhando ao grupo os restaurantes da terra.
E foi precisamente numa desta situações que sucedeu um dos casos mais estranhos em duas décadas de passeios.

Aqui há uns 10 anos, organizámos um passeio na zona de Querença, que terminava com um almoço no saudoso Moinho do Ti Casinhas, da D. Maria de Jesus. Como o restaurante era pequeno, limitámos as inscrições para o almoço às primeiras 12 pessoas. E avisámos os restantes inscritos que teriam que procurar outro restaurante na zona ou que levar merenda. Claro que as inscrições para o passeio mais almoço se esgotaram rapidamente.
No sábado em causa, lá fomos nós fazer o percurso, confiantes de que, depois de andarmos uns quilómetrozitos a pé, teríamos um excelente repasto à nossa espera no Moinho do Ti Casinhas.
Eu, que era a guia daquele passeio, estranhei que aí por volta do meio dia e meia alguns dos participantes tivessem resolvido voltar para trás. Na altura, não percebi porquê…

Quando a esfomeada dúzia de inscritos no passeio mais almoço chegou ao Moinho do Ti Casinhas, foi a surpresa total: é que, nas mesas que haviam de ser nossas e a comer a comida que tinha sido preparada para nós, já lá estavam as tais pessoas que tinham deixado o passeio a meio…
É que esse grupinho, que se tinha inscrito mais tarde e por isso já não tinha podido ficar no rol de felizes comensais, tinha simplesmente resolvido passar-nos à frente.

A D. Jesus, a quem o grupinho tinha dito que pertencia ao passeio da LPN Algarve, ficou atrapalhada com a situação, embora a culpa não fosse, de forma alguma, dela.
E nós, a tal dúzia de esfomeados caminhantes, tivemos que nos contentar com uns queijos e chouriços…divinais. Não ficámos nada mal servidos, mas não foi o almoço que estávamos à espera e que tínhamos marcado…

Resultado: aquele grupinho nunca mais foi aceite nos passeios da LPN Algarve.

E A LPN nunca mais se responsabilizou por marcar almoços para os passeios! Sugerimos restaurantes e depois logo se vê!

É que isto de andar muito a pé e no fim não ter o que comer não é agradável!
Fonte da Benémola - Querença