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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pragas

Por Turismo do Algarve

As pragas algarvias fazem parte de uma tradição oral que, tendo caído em desuso, é hoje lembrada por brincadeira e contada em jeito de anedota. Eram uma espécie de combate verbal, uma “garreia” entre os antigos habitantes de povoações litorais - sobretudo mulheres - como Monte Gordo, Fuzeta ou Alvor.
Irónicas, caricaturais, malévolas, jocosas, mordazes, com laivos de superstição, as pragas algarvias, hoje fazem-nos sorrir. E porque a boa disposição é fundamental, apreciemos aqui algumas das mais conhecidas.

A Febre
Um zaragateiro embriagado provoca tal desordem que obriga a intervenção de um praça da GNR, que acaba por detê-lo. A mulher do zaragateiro, indignada, profere a seguinte praga contra o guarda:
“Permita Deus que tenha uma febre tão grande, tão grande que lhe derreta a fivela do cinto.”

O Cúmulo da magreza
“Permita Deus que fiques tão magro, tão magro, que possas passar pelo fundo de uma agulha de braços abertos.”

Uma grande dor
“Não sabia dar-lhe uma dor tão grande que nunca mais parasse, que quanto mais corresse mais lhe doesse e, se parasse, rebentasse…”

Um bichoco*
“Permita Deus que tenhas um bichoco tão grande e tão ruim que todo o algodão que há no mundo não chegue para o tratamento”

*bichoco é, no falar algarvio, um furúnculo, tumor ou ferida com crosta.

O tampo do pêto
Praga rogada a um avarento:
“Permita Deus que aches uma carteira cheiinha de dinheiro, mas quando te abaixares para a apanhar te caia o tampo do pêto”

E vocês, caros leitores, conhecem alguma praga algarvia?


Fontes:
DOMINGUES, Luciano, “Pragas de Monte Gordo e da Fuseta”, Património e Cultura: revista da Associação para a Defesa e Investigação do Património Cultural e Natural Vila Real de Santo António, nº 3, 1981, p.8-11

FRAQUEZA, Maria José, Pragas algarvias, Faro, Elos Clube, [2006], 70 p.



Fuzeta

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Algarve está com a selecção

Por Pedro Bartilotti
[Programador Allgarve - Faro]

Esta história remonta ao Europeu de Futebol 2004 realizado em Portugal.

Tudo começou com o meu desencanto ao perceber que as iniciativas que estavam a ser realizadas em torno deste evento não continham os ingredientes à altura. Faltava festa, alegria, descontracção, cor… Perante este cenário, lembrei-me então de criar uma personagem baseada num artista que eu na altura representava: o Beto Kalulú.

O primeiro desafio que lhe fiz teve como base a sua imagem de marca. Estou a falar da sua farta cabeleira. Expliquei-lhe a ideia que tinha em mente e perguntei-lhe se tinha algum problema em pintar essa mesma cabeleira com a bandeira de Portugal, ao que ele respondeu sem hesitar que estava 100% disponível.

Seguidamente fui ressuscitar uma música que ele tinha gravado em Londres (estilo remix) e adaptei-a, com uma letra simples e patriótica, ao tema em questão.

Tinha de dar um nome à personagem. Betuga foi o nome que escolhi, uma mistura de Beto com Tuga. O cenário estava a criar forma.

O passo seguinte foi conseguir o apoio de um cabeleireiro e fazer a experiência da pintura da cabeleira. O Cabeleireiro Saint Karl situado no Fórum Algarve foi o escolhido.



Depois de encontrada a personagem, a música e o cabeleireiro, restava arranjar uma forma de dar a conhecer este projecto. Telefonei na altura para a SIC e esta acedeu prontamente a registar todo o processo de transformação do Betuga. A reportagem, com cerca de quatro minutos, passou em horário nobre no jornal da noite e a partir daí foram dois meses sem parar. Televisões, rádios, jornais, etc.

Recordo-me de um dia, quando ao regressarmos de uma ida a Lisboa acompanhados pelas “nossas” cabeleireiras, a dado momento, o Betuga resolve descalçar as suas sapatilhas e colocar os pés no tablier do carro. Até aí tudo bem, não fosse passado poucos segundos começar a sentir-se um odor nada agradável dentro da viatura. Pensei então no que haveria de fazer. Ganhei coragem e disse:
“ Desculpa Beto, mas calça por favor as sapatilhas…”, ao que ele respondeu:
“ O quê? Não pode ser. É impossível… Eu nunca cheirei mal dos pés…”.
Eu disse novamente:
“ Desculpa lá, mas assim que tiraste as sapatilhas sentiu-se logo o cheiro…”.
Betuga aproximou os pés do seu nariz e continuou a afirmar que os seus pés não cheiravam mal. Foi então que abrimos as janelas e realmente o homem tinha razão. Afinal o cheiro vinha da fábrica de celulose… Foi uma risota para todos, incluindo as cabeleireiras que viajavam connosco. Afinal as coincidências acontecem quando menos esperamos e neste caso deu para a boa disposição e alegria.

Teria dezenas de histórias passadas com esta personagem para contar. Talvez as escreva, um dia. Entretanto, fiquem com estas fotos e imaginem o que quiserem…

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Carta do marítimo olhanense à namorada


Por Turismo do Algarve


No campo humorístico é muito conhecida, no Algarve, a carta do marítimo olhanense à namorada.

De acordo com a APOS - Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão, a mesma terá sido uma carta de Carnaval escrita por uma rapariga a uma amiga, chamada Francisca, fazendo-se passar por um jovem marítimo, de pouca instrução, que se teria apaixonado por ela.

Trata-se de um texto por diversas vezes encenado na região e, hoje, o Turismo do Algarve decidiu partilhar aqui uma das suas versões.


"Farcízeca!

À díaze, do mar dâze Berlengâze, em sete bráçaze e mêa de profundeza, se m’embrazarem-se âze grózêraze, cande vêi de lá o cabrã do té pai e me dezeu assim: “Ah Fi’de put’hóme!!!Tu êz’ um montanhêre hóme, tu fázez’ um grande salcrefice em vir ó mar, hóme!!!”
- “O qu’é que Vocemessê me dize, hóme?...”
- “Digue-t’izete...e na cázaze ca’nha filha!!!”
- “Móç’ Farcízeca! Ê cá qu’ria maize qu’êl me désse um atragasse da cara qu’êl me dezésse aquil que tá ali à vizeta da gente.
Vínhameze p’á terra e a campanha do barque nam falava dôtra côza, cande vêi de lá o Mane Zé Xabeca e me dezeu:
- “Cala-t’aí, móce!!! Nam te zângueze, móce, se tu na casáreze ca filha dêl cásaze ca minha, hóme!!!”
- “É p’ra que vêjaze, Farcíseca, qu’ê ‘inda tenhe preteêndêntaze...” Cô uma viaje qu’ê faç’à Larache, ganhe denhêre àze braçádaze...compr’um chapé de côque e uma vengala, únaze bótaze de rangedêra com tapadôiraze, passe a Baralvente da tu’ porta e arrázete úze péize com’ um gale; tu vêze-me e fálaze-me, mai ê cá vêize-te e nam te fale!!!
- “mai s’ê sentir cá alguma coisa do mê querpinhe...uái’ nha mãe!!! Digue logue, fôrém vocêaze que me prantárem má’ olháde! E na quér que vócêaze andem a falar mal de mim p’ r’ êsses tâinquezes e rebêrezes!!!”
- “É só quer’ que tu t’alêmbreze duze mêze dôze brenhóleze, qu’ ê t’empresté, daquêle báilho...o báilinhe do ping’ ó lête!!!”
- “É cá na sê se tu pênsaze cu té pai é o Prince Dom Cárleze e a tó mãe a Rainha Dona Amelga e úze téz’ érmãoze únz’ élefantezinheze, mai ê quer’ que tu t’énforqueze, cu té pai é mai brúte qu’à mãe dúze penhêreze do mane Jan Luice.”
- “Ólha que só da ‘nh’ àvó herdi déze moédaze e o strafêgue tôde da canoa e na m’arrale; ê bem sê que tu tênze uma boa máineca de questura, mai na sê s’êze tan profêtinhaze de mãoze, côme dizeze...”
- “Digue-t’ ízete e na m’émpórte do pórque du té pai, na me perdôe a arçã.

Do té muite dedicáde

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