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terça-feira, 18 de junho de 2013

Cinco experiências imperdíveis em Loulé

Passar férias no Algarve representa sempre uma oportunidade para viver experiências diferentes e para descobrir novos motivos de interesse que tornam inesquecíveis os dias de lazer a sul.

Para nos orientar nas escolhas que podemos fazer, temos à nossa disposição postos de informação turística que, por toda a região, nos acolhem e nos dão boas sugestões. Procurámos algumas no Posto de Turismo de Loulé e são essas que hoje partilhamos convosco num “top cinco” de experiências imperdíveis para quem visita este concelho algarvio.

1- Um passeio à Fonte da Benémola

O mote é relaxar. O tema é a natureza e a água. O objetivo é conhecer melhor a beleza natural do interior do concelho de Loulé. A recomendação é de arranjar boa companhia e partir de manhã cedo para um passeio que pode ser feito a pé ou de bicicleta.



A Fonte da Benémola está classificada como paisagem protegida local e situa-se nas freguesias de Querença e Tôr. É um local aprazível atravessado pela ribeira de Menalva. Nas suas margens habitam algumas espécies vegetais pouco comuns no Algarve – salgueiros, freixos e folhados –, além de loendros, choupos e tamargueiras. Nas encostas do vale encontramos vegetação típica do Barrocal algarvio como o alecrim, o rosmaninho, o tomilho, a esteva, o zambujeiro, o sobreiro e a alfarrobeira. São mais de 300 as espécies de plantas que se podem observar. Entre a fauna, destacam-se a lontra, grande diversidade de aves, com cerca de 100 espécies que ali nidificam, e algumas colónias de morcegos. Levadas, noras, açudes e um moinho de água são exemplos do património construído no local da Fonte da Benémola.


Um folheto disponibilizado pelo município de Loulé faculta informação mais detalhada sobre o local e sobre os percursos que ali se podem realizar.

2- Um festival com identidade própria

Já vai na sua 10ª edição e para além de reunir no centro histórico de Loulé as músicas do mundo, o Festival Med atrai também pela mostra gastronómica, pelas artes plásticas, animação de rua, artesanato e dança. Acontece anualmente em junho e este ano tem data marcada nos próximos dias 28 e 29.



Integrado no roteiro dos maiores festivais de “Word Music” da Europa, este é, inegavelmente, um evento a não perder.

3- Uma experiência mais radical

Ver o Algarve do céu é sem dúvida ficar com uma perspetiva diferente da região e no concelho de Loulé existem vários locais onde é possível fazê-lo de parapente. A APA – Associação de Parapente do Algarve  proporciona batismos de voo a quem gosta de atividades mais radicais.



4- Uma viagem no tempo em Salir

Salir é outra localidade do concelho de Loulé que nos convida para mais uma experiência imperdível. Também já tem data marcada para este ano e vai acontecer nos dias 13 e 14 de julho. O festival de artes “Salir do tempo” é uma viagem ao passado com recriação do ambiente medieval para sentir, cheirar, ouvir, ver, e saborear. Não faltarão os mercadores, a gastronomia, a música, a dança e a convivência entre as culturas cristã e muçulmana.



5- Uma loja gourmet

O Algarve sabe bem e para as férias ficarem completas queremos levar connosco a lembrança do que o destino nos proporciona. Em Loulé, não podemos dispensar uma visita à 11 Loja Gourmet, uma mercearia situada no magnífico edifício do Mercado Municipal, onde podemos experimentar e adquirir produtos que, de regresso a casa, nos trarão de volta o sabor dos bons momentos passados na região. Podemos provar os enchidos, as conservas, os doces, os licores, na sua maior parte produtos tradicionais do Algarve mas também do resto do país.





quinta-feira, 6 de junho de 2013

“Quem nos escreve desde a serra”

Em cima: Estela de Monte dos Vermelhos (à esq.), encontrada há mais de 100 anos num curral;
Estela de Barradas (à dir.), temporariamente de regresso à freguesia onde foi encontrada, Benafim.
Em baixo: Estela do Viameiro (à esq.), encontrado por José Viegas Gregório na década de 1960;
Estela de Corte Pinheiro (à dir.), a última “pedra com letras” encontrada no concelho de Loulé.

A exposição de rua itinerante “Quem nos escreve desde a serra” sobre a Idade do Ferro e as estelas com escrita do Sudoeste descobertas na serra do Algarve, poderá ser vista na Penina – Benafim, no concelho de Loulé, a partir do dia 10.

As estelas são blocos de pedra fixados no solo onde o texto era gravado e escrito em arco, na direção contrária à nossa: de baixo para cima e da direita para a esquerda.

A escrita do Sudoeste é a primeira manifestação de escrita da Península Ibérica e uma das mais antigas da Europa e que está, ainda hoje, por decifrar. Os materiais arqueológicos agora em exposição resultam de mais de dois séculos de investigação.

Uma exposição absolutamente imperdível!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

«Ópera ao anoitecer» no Algarve

A Orquestra do Algarve regressa aos palcos este fim de semana, em Loulé, com o concerto «Ópera ao anoitecer». A abertura da temporada acontece no domingo, dia 14, no Cine-Teatro Louletano. Árias de Mozart vão ser interpretadas pela Orquestra do Algarve, com as vozes de Cristiana Oliveira e Job Tomé, dirigidos pelo maestro Cesário Costa.

Mais informação aqui

Programa
Cine-Teatro Louletano
Domingo, 14 de outubro às 19h30
Concerto de Abertura da XI Temporada – 10 Anos OA

«Ópera ao anoitecer»
John Avery
Contra Ventos e Marés / Agaisnt All Odds
(Obra comemorativa do 10.º aniversário da Orquestra do Algarve)
W. A. Mozart (1756-1791)
As Bodas de Fígaro – Abertura
Così fan Tutte, K. 588 – Ária «Come Scoglio»
Ascanio in Alba – Ária «Al chiaror di que' bei rai»
Idomeneo – Ária «D'Oreste, d'Ajace»
Sinfonia n.º 34 em Dó Maior – Allegro molto
Don Giovanni, K. 527 – Cavatina «Deh vieni alla finestra»
Così fan Tutte, K. 588 – Ária «Donne mie la fate a tanti»
As Bodas de Fígaro – Recitativo e ária do Conde de Almaviva «Hai già vinta la causa!»
Serenata n.º 1 para orquestra em Ré maior, K.100 – Allegro
Serenata n.º 9 em Ré maior, K.320, «Trompa de postilhão» – Minuetto
Don Giovanni, K. 527 – dueto de ópera «Là ci darem la mano» (Don Giovanni e Zerlina)
Sinfonia n.º 35 em Ré maior, K. 385, «Haffner» – Finale: Presto

Maestro: Cesário Costa
Solista: Cristiana Oliveira (soprano), Job Tomé (barítono)

Reservas: t. 289 400 820 / 289 414 604

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Loulé Jazz 100% nacional


O Loulé Jazz está de volta já a partir de amanhã e durante três dias vai apresentar uma programação 100% nacional. Descubram quais as bandas em cartaz!

Nomes consagrados e talentos emergentes do panorama jazzístico nacional sobem ao palco do Cine-Teatro Louletano nos dias 26, 27 e 28 pelas 22h00. É a 18.º edição do Festival de Jazz de Loulé, evento promovido pela Casa da Cultura de Loulé com a colaboração de Mário Laginha, enquanto diretor artístico.

Programa do 18.º Festival de Jazz de Loulé:

26 julho
WAKAMONO
João Capinha – saxofones
Luís Figueiredo – piano
António Quintino – contrabaixo
Joel Silva – bateria

27 julho
THE MINGUS PROJECT
Dan Hewson – trombone
Ricardo Toscano – saxofone alto
Victor Zamora – piano
Nelson Cascais – contrabaixo
Vasco Furtado – bateria

28 julho
MOTOR – ANDRÉ FERNANDES
Guitarra - André Fernandes
Piano/Rhodes - Óscar Graça
Contrabaixo - Demian Cabaud
Bateria - Marcos Cavaleiro
Saxofone - Zé Pedro Coelho (convidado)
Trompete - Susana Santos Silva (convidado)

Mais informação aqui.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Bilhete-postal: Loulé


O postal de hoje leva-nos até Loulé a preto e branco, no tempo do Estado Novo. Estamos num lugar que já alterou o nome três vezes: começou por ser o largo de São Francisco, mudou para Liberdade e mais tarde para Oliveira Salazar, até que recuperou a designação de origem. É agora (novamente) o largo de São Francisco, arejado e fervilhante de vida. Como sempre foi…

 Nota: Colecão “Bilhete Postal: Portugal”


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Algarve Natural - Percurso Pedestre da Rocha da Pena

Nesta segunda edição sugerimos um passeio pelo interior algarvio rumando à Rocha da Pena, no concelho de Loulé. E porque as temperaturas já convidam a um passeio pedestre, porque não fazê-lo já neste fim de semana?

Foto: João Eduardo Pinto

Palmilhando a Rocha da Pena!

Nome: Percurso Pedestre da Rocha da Pena
Concelho: Loulé
Acessos: Partir de Loulé, seguir até Salir e tomar a EN 124 em direção a Alte
Tipo de Percurso: Pedestre
Circular: Sim
Distância: 6.4 km
Duração média: 2 h
Tipo de caminho: Caminho pedregoso e carreiros
Quando visitar: Fora da época estival e em dias muito quentes
Homologado: Não
Sinalizado: Sim
Entidades responsáveis: Câmara Municipal de Loulé
Observações: Afloramento rochoso monumental. Paisagem cársica. Paisagem. Vegetação. Avifauna. Percurso integrado no Sítio Classificado da Rocha da Pena e no Sítio Barrocal da Rede Natura 2000.

Foto: João Eduardo Pinto
O percurso inicia-se com uma subida acentuada até ao planalto, que atinge os 479 m de altitude no Talefe.

A Rocha da Pena situa-se numa zona de transição entre o Barrocal e a Serra, pelo que apresenta especial diversidade biológica.

 Bosques mistos de azinheiras e zimbros, carrascais, e espécies como o alecrim, a rosa-albardeira, a roselha-grande, ou a palmeira-anã, fazem parte da elevada diversidade de plantas desta Paisagem Protegida Local.Na fauna, destaca-se a águia de Bonelli que, em tempos recentes aqui nidificava de uma forma regular, ou ainda algumas espécies de morcegos cavernícolas que aqui têm uma importante colónia de hibernação e criação.

Durante o percurso será possível ver um conjunto muito significativo da flora e fauna típicas do Barrocal e da Serra algarvia. A vista sobre extensas paisagens em redor é também um dos principais atrativos deste percurso. Ainda no planalto é particularmente interessante ver os amuralhamentos rochosos, cuja origem se julga remontar à Idade do Ferro.

Em seguida o percurso desce até à aldeia da Penina, e daí até à Rocha por um caminho de onde se pode contemplar a escarpa virada a sul em grande parte da sua extensão.

Divirtam-se!


terça-feira, 17 de abril de 2012

1001 Praias: Praia do Forte Novo

Visitar o Algarve é surpreender-se com algumas das mais bonitas, seguras e acolhedoras praias do mundo, prontas a desfrutar ao longo de todo o ano! Hoje damos a conhecer a Praia do Forte Novo.


A Praia do Forte Novo situa-se no extremo nascente de Quarteira, mas já numa zona de caráter natural, longe da agitação urbana e sem a função protetora dos molhes, o que provoca uma redução drástica na largura do areal. Aqui surgem as arribas baixas e macias características deste troço de costa, de intensa cor ocre, que contrasta fortemente com o verde profundo dos pinhais que as encimam e com o branco pérola dos areais. O mar avança frequentemente sobre a base da arriba e, aqui e ali, observam-se pinheiros descalços, ou seja, com as raízes expostas. É uma zona de charneira, para poente avista-se o casario imenso de Quarteira e Vilamoura, para nascente a construção urbana dá lugar ao manto verde dos pinhais sobre as arribas vermelhas, intercaladas de quando em quando por pequenas lagoas costeiras.


Notas:

Acesso viário alcatroado (ou pedonal) pela saída nascente de Quarteira. Estacionamento ordenado. Equipamentos de apoio (restaurantes, WC) e vigilância na época balnear. Orientação: sudoeste.

terça-feira, 27 de março de 2012

1001 Praias: Praia da Quinta do Lago

A praia da Quinta do Lago, junto a um dos mais requintados complexos turísticos da Europa, associa a beleza do seu extenso areal à da flora e fauna que se pode observar a caminho da mesma. Venham daí descobri-la.




Esta praia, associada a uma estância turística de alta qualidade, situa-se em pleno Parque Natural da Ria Formosa.

O acesso ao areal faz-se através de uma ponte em madeira com uma extensão de 300m, que se eleva sobre os esteiros da ria e onde já se pode contemplar o vai e vem das marés, os bancos de vaza com a vegetação típica de sapal, os mariscadores na sua faina e, com sorte, bandos de graciosos flamingos junto às luminosas salinas. É uma zona privilegiada para a observação de avifauna, existindo nas imediações um percurso de natureza que possui como ponto alto o observatório do lago de S. Lourenço, onde se podem avistar de perto patos-reais, galeirões e galinhas-sultanas.

A duna está bem conservada e mostra uma flora muito diversificada. Apesar da envolvente natural, existem excelentes infraestruturas de apoio ao turismo de qualidade, incluindo campos de golfe, courts de ténis e centro hípico.





Notas:
Circule apenas pelos passadiços de modo a contribuir para a preservação do sistema dunar.

Acesso viário alcatroado a partir de Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, seguindo na direção da Quinta do Lago durante cerca de 7 Km. Estacionamento ordenado e pago. Equipamentos de apoio (restaurantes, WC). Vigilância na época balnear. Orientação: sudoeste.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

1001 Praias: Praia de Vilamoura

Praia inserida num dos maiores empreendimentos turísticos e residenciais da Europa, cujo espaço público é, desde Novembro de 2011, totalmente certificado no que se refere à Qualidade e ao Ambiente.



A acolhedora praia de Vilamoura situa-se entre o molhe nascente da Marina e a doca da vila de Quarteira, enquadrada por um dos maiores empreendimentos turísticos e imobiliários da Europa. A antiga Quinta de Quarteira foi assim transformada num enorme e ajardinado complexo de lazer, onde para além do golfe, que aqui é o desporto rei, o visitante tem à disposição um casino, um centro hípico, um clube de tiro, pistas de corta-mato, ciclovias, campos de ténis e squash, galeria de arte, pequenos cruzeiros e ainda a Marina com um plano de água repleto de barcos luxuosos e uma sofisticada envolvente de esplanadas e lojas.
Vilamoura prima ainda pelas suas valências ecológicas. No Parque Ambiental, que abrange o troço final da Ribeira de Quarteira, podem ser observadas mais de 100 espécies de avifauna entre os densos caniçais daquela zona húmida. Já no Museu e Estação Arqueológica Cerro da Vila é possível fazer uma viagem imaginária por uma vila piscatória romana do séc. I.





Nota:

Acesso pedonal a partir de Vilamoura (sinalizada na EN 125). Estacionamento ordenado e amplo. Diversos equipamentos de apoio (restaurantes, WC e outros) e vigilância na época balnear. Praia Acessível. Orientação: sudoeste.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

1001 Praias: Praia do Garrão Poente e Nascente

A praia do Garrão, no concelho de Loulé, estende o seu areal ao longo de arribas baixas e dunas palmilhadas de vegetação aromática. Na sua envolvente encontramos lagoas onde se podem observar aves aquáticas.



No Garrão, que surge na continuidade de Vale do Lobo, as arribas dão lugar a vastos campos dunares, cobertos por vegetação típica, que se irão estender pelas barreiras arenosas da já próxima Ria Formosa.
O areal acompanha dois vales divididos por uma arriba baixa: no vale a poente formou-se a chamada Lagoa das Dunas Douradas, no vale a nascente surge a Lagoa do Garrão, de menor expressão. Ambas as zonas húmidas são de água doce, uma raridade na linha de costa, e muito apetecíveis para as aves aquáticas. Um passeio pedonal marginal à Lagoa das Dunas Douradas convida o visitante à observação das diversas aves que por aqui se alimentam, repousam ou nidificam, como o galeirão, o pato-real ou a emblemática galinha-sultana.

A linha de pinhal que vem desde Quarteira, aqui com o seu subcoberto natural, ladeia os espelhos de água, oferecendo proteção e resguardo à vida aquática. Uma rede de passadiços atravessa a duna, ao percorrê-los o visitante pode observar a flora rica e aromática das areias.



Notas:
As lagoas não são aptas para a prática balnear. Circule apenas pelos passadiços de modo a contribuir para a preservação do sistema dunar.

Acesso viário alcatroado a partir de Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, seguindo na direção do Vale do Garrão durante cerca de 6 km. Estacionamento ordenado e amplo. Equipamentos de apoio (restaurantes, WC). Vigilância na época balnear. Orientação: sudoeste.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ai que ricas uvas!

Por Odete Coelho
[Aposentada - Quarteira]

Há mais de 50 anos, um senhor abastado, meu vizinho nos arredores de Loulé, detentor de enormes propriedades, levava as moças da terra para o ajudar nas vindimas.
Também a mim coube tal importante tarefa…
Bem cedinho, pela madrugada, lá fomos nós até à Ribeira de Algibre apanhar as uvas, que depois iriam ser pisadas pelos pés bem lavados (?) dos homens da terra. Era assim que se fazia o vinho!
E lá andámos nós ao calor, petiscando discretamente um e outro bago de uvas que ajudava a saciar a gulodice das nossas papilas gustativas…
Ansiávamos por chegar ao final das vindimas e ser compensadas com a oferta de deliciosos cachos de uvas de bago miúdo, de uma doçura infinita…
Julgávamos mal…
Ao final do dia, o avarento proprietário sentou-nos à sua mesa na qual dispôs duas bandejas de uvas: uma delas (pequena) com cachos meio pisados e de má qualidade e outra (grande) lindíssima que nos saciava só de olhar… Sim, era mesmo só com o olhar!
O avarento proprietário antes de sair da sala cuspiu em cima da bandeja das lindas uvas dizendo: comam à vontade que eu já volto…



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Insólitos turísticos


Por Antónia Farinha
[Técnica de Turismo - Loulé]

Há cerca de oito anos, ainda o Posto de Turismo de Loulé funcionava no interior do Castelo, onde actualmente está localizado o Museu Municipal, chegou ao local um casal americano com três filhos tendo a mais nova cerca de três ou quatro anos e sendo transportada numa cadeirinha de bebé empurrada pela mãe. O senhor dirigiu-se a mim solicitando informações sobre a cidade.

Até aqui tudo normal …

Ora bem, estava eu concentrada prestando informações sobre a cidade, quando começo a sentir um cheiro menos agradável, que se foi acentuando e que provocou a saída repentina dos outros dois filhos do casal e de outros turistas que esperavam a sua vez de ser atendidos.

“Será que alguém se descuidou?”, pensei.
E para meu espanto, vejo que no meio da sala se encontrava a criancinha mais nova, sentada a fazer as suas necessidades… A nossa pequena turista resolveu transformar o P.T. em W.C.
E se o cheiro já era insuportável, imaginem depois da menina se ter levantado… quando se pôs em posição da mãe lhe fazer a higiene, tal e qual como quando a “Alemanha perdeu a guerra”- na expressão dos antigos. Em seguida, a mãe deu um nó no saco de plástico transparente que continha o “presente” e a toalhita Dodot, enrolou-o no braço do carrinho com outro nó, desmontou o suporte do penico e saiu dali como se nada se tivesse passado….

Entretanto, o pai, que eu acabara de atender, agradeceu-me e abandonou o Posto de Turismo com votos de um bom dia de trabalho.

E eu ali fiquei, sozinha, incrédula, inerte, sem palavras, respirando aquele ar e pensando na descontracção necessária para ter semelhante atitude.

É caso para dizer: “E esta hein?”

Muralhas do Castelo de Loulé

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um Algarve sentido


Por José Zambujal
[Jornalista, agente artístico - Faro]

Há uns tempos o João Lima convidou-me para escrever um texto para o Blogue do Turismo do Algarve. Única "obrigação": a histórinha teria, naturalmente, que estar relacionada com o Algarve.
Está bom, pensei eu, vivo cá, nasci cá, há-de sair alguma coisa... O tempo foi passando e nada. Não saía nada. É que não me ocorria nada que pudesse dar uma história, zero, népia... Que raio, tantos anos de praia e nada?! Achei então que o erro era estar a pensar no Algarve como sol, areia e mar. Quero dizer... erro, não sei, afinal é um pensamento comum e partilhado durante anos a fio - gerações, talvez - por quem tem a responsabilidade de gerir o destino desta terra à beira mar plantada. À beira-mar, lá está... Mas não, o Algarve não pode resumir-se a mar, areia e sol. Há mais. Tem que haver mais. Claro! Há, agora, o Allgarve! Há animação, há espectáculos, há um "tudo" numa terra só. Ganhámos visibilidade nacional e internacional... e ganhámos mais um "l"! Fantástico! Pois...mas quando daqui a uns anitos os turistas falarem do "Allgarve" com dois "l" como falam do "Oporto" com "o", não vou achar graça nenhuma. Não, também não era aqui que me apetecia encontrar uma histórinha. E lá fui parar outra vez à praia, às memórias de praia. Memórias "escritas" em línguas estrangeiras, memórias, enfim, partilhadas com mocitas altas e loiras vindas de terras mais frias e com costumes bem mais quentes que os nossos naquela época... Também não. Também não são histórias que interessem a ninguém - acho que já nem às protagonistas ! - e sobretudo não são coisas para um blogue que se quer sério.

Tinha que descobrir coisas mais sérias e ligadas ao Algarve... As portagens na Via do Infante, a tal que nunca teria portagens? Fraco. Uma história banal, parte do dia a dia deste País. Os pinos "plantados" na avenida onde moro, em Faro, limitando drasticamente o estacionamento sem escutar ninguém nem dar alternativas válidas a quem aqui vive? Fraquito, nada que dê história, daqui a uns tempos já ninguém se lembra nem dos pinos nem de quem os plantou... As decisões prepotentes e absurdas que todos os dias nos afectam? Cá vamos seguindo em frente e baixando as orelhitas... O despedimento dos 336 trabalhadores da Groundforce no Aeroporto de Faro, de uma forma miserável e sem o mínimo respeito pelas pessoas? Não... não é propriamente algo que se passe só no Algarve, é diário e acontece no País inteiro. Ok. Estava visto que com a mentira, a incompetência e a corrupção de quem nos governa, por muito que afectasse o meu Algarve, não me governava eu...
Mas onde é que raio havia eu de ir buscar uma história minha, ligada ao Algarve?! Respirei fundo, despejei mais um bocadinho de Jack Daniels - devia ser medronho, para ser mais algarvio, mas não vou mentir a bem da história ... - e disse de mim para mim: organiza-te, pá! Vamos lá por partes: nasci aqui, fui-me embora para Lisboa com 19 anos, fiquei por lá uns vinte e tal e voltei ao Algarve há 11 anos. Voltei porquê? Voltei porque descobri que afinal a lenda da Moura Encantada era verdadeira. Encontrei uma moura farense, que me encantou e me fez deixar a cidade grande sem olhar para trás. Com ela redescobri o Algarve. Vi que aqui se pode ter paz, se pode ter alegria, se pode ter uma qualidade de vida que nenhum slogan é capaz de promover com justiça. Percebi que a Barrinha ao fim da tarde é mais bela que a mais bela praia das Caraíbas, que uma tarde de temporal vivida na Ilha do Farol é fascinante, que olhar o horizonte lá de cima, do alto da Serra, é um espectáculo de cortar a respiração. Comi ostras em Cacela, ouvi música do mundo em Loulé, ganhei amigos que dizem "mósse débe" e são para a vida.
No Algarve amei e fui amado. Um dia a moura encantada que se chamava Lena partiu, para sempre. Deixou-me a história deste Algarve que agora vos conto e a esperança de que aqui as amendoeiras hão-de sempre dar flor e o mar há-de continuar a ter brisa. É uma história feita muito mais de sentimentos do que de palavras, talvez por isso, João, sem interesse para o blogue. Mas é, podes crer, a história mais bonita que tenho do Algarve.

Lena