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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Há passeios que nos inspiram. E este é um deles.

Hoje partimos de uma ponte medieval (sim, medieval e não romana) à redescoberta de uma das mais bonitas cidades do Algarve. Uma ponte sob a qual convergem dois rios. Ou melhor, um rio e uma ribeira. Confusos? Ainda não sabem de que cidade falamos? E se vos dissermos que esta cidade tem 21 igrejas e 6 conventos? Claro que sim, é de Tavira que vos vamos falar.

Estamos no coração da cidade, no centro da Praça da República. Numa volta rápida de 360º a girar sobre nós próprios, sentimos o pulsar da história, marcado em cada recanto pela presença de fenícios, romanos, árabes e cristãos.


Aqui encontramos o edifício dos Paços do Concelho, o imponente monumento aos combatentes da I Grande Guerra Mundial, o Núcleo Museológico Islâmico, onde se pode ver o famoso Vaso de Tavira”, célebre pela sua forma peculiar e riqueza iconográfica, e a Porta de D. Manuel I que nos guia “Vila a Dentro” e nos leva à imponente Igreja da Misericórdia, a mais valiosa obra renascentista do Algarve
Para nossa surpresa, ali mesmo ao lado há Fado com História. Num ambiente intimista assistimos a um pequeno espetáculo de Fado, único no Algarve, e a uma breve história do fado em Portugal.


Levamos o fado no ouvido escadaria acima até ao Palácio da Galeria para um breve encontro com a história do património de Tavira. Ganhamos fôlego na A.S.T.A. (Associação de Artes e Sabores de Tavira) com uma Delícia de Tavira que reúne os três sabores típicos algarvios – figo, alfarroba e amêndoa - num doce feito com a mestria dos artesãos da região, e continuamos a subir até ao Largo Abu Otmane. As badaladas do relógio da torre da Igreja de Santa Maria do Castelo aceleram-nos o passo e acompanham-nos até ao castelo medieval.


A partir deste ponto a vista panorâmica de Tavira é magnífica, com os característicos telhados de tesoura ou de quatro águas a recortarem o céu, as cúpulas de várias igrejas, o rio e as imaculadas salinas mais ao fundo.


Ali mesmo ao lado, o Convento de Nossa Senhora da Graça, faustoso na sua fachada ocre, outrora convento quinhentista hoje convertido em Pousada de Portugal, é um dos edifícios mais imponentes do centro histórico da cidade. O seu interior, rico em pórticos e cantarias, abriga um claustro emoldurado por colunas e lajes de pedra, e vestígios de um bairro muçulmano de 13 casas conhecido como Bairro Almóada.


Descemos a calçada que nos leva ao Largo das Portas de Postigo e admiramos os finos entrelaçados de madeira nas portas e janelas das casas. São as portas de reixa, uma herança árabe bem visível no concelho nas 157 portas de reixa atualmente existentes. Outro pormenor curioso são as “mãos de Fátma” nos batentes das portas, cuja particularidade recai sobre o facto de serem de tamanhos diferentes, representando uma mão feminina e outra masculina, e que permitiam, pelo som diferente que produzem, distinguir quem estava do outro lado.


O almoço espera por nós nas margens do Rio Gilão, mais precisamente no antigo Mercado da Ribeira, hoje recuperado e transformado em espaço de lazer, comércio e restauração. À mesa do restaurante Gilão chegam paladares algarvios ricos em sabor e criatividade na apresentação e confeção dos ingredientes típicos: chamuça de cavala em molho de caril e gengibre, polvo no barro com azeite e alhos e batata a murro e uma doce laranja com calda de canela para terminar.  

A temperatura quente que se faz sentir no outono algarvio convida a um passeio de barco pela Ria Formosa. Seguimos rio abaixo com a Séqua Tours até Cabanas, uma pequena vila que se dedica à pesca e ao turismo e onde se encontram alguns dos restaurantes típicos do concelho.


Nas margens da ria erguem-se zonas de sapal e salinas que servem de porto de abrigo e alimento a dezenas de espécies de aves. Fazemos uma curta paragem para observar a mancha rosa de flamingos que dá cor a uma salina desativada.
Aportamos em Cabanas, frente às esplanadas que acompanham a ria ao longo de toda a marginal e que se enchem de turistas que recuperam energias após uma volta de golfe nos campos de golfe circundantes.


Seguimos por terra até à freguesia mais pequena do concelho, Santa Luzia, conhecida hoje como a capital do polvo. Desde sempre ligada ao mar e à história da pesca do atum e das armações no Algarve, voltou-se mais tarde para a pesca do polvo com recurso a alcatruzes e covos. Os despojos da pesca do atum são visíveis na Praia do Barril no imponente "cemitério das âncoras" e no casario que albergou as famílias da antiga armação do atum em 1842, hoje transformado em espaço comercial.

Estas memórias estendem-se até ao Arraial Ferreira Neto, antiga armação da pesca do atum, que foi recuperada e deu origem ao Hotel Vila Galé Albacora. Tudo foi mantido para eternizar a história desta importante atividade económica algarvia no séc. XIX: os armazéns foram transformados em quartos, a escola deu lugar a um kids club, a capela foi restaurada e continua a celebrar missas quinzenais abertas à comunidade e a padaria reabriu portas como museu público onde vários registos documentais, fotografias, barcos e redes, e até uma maqueta da armação do atum contam a história desta pesca e deste complexo.

Tudo isto em perfeita harmonia com a natureza, no coração da Ria e junto à paradisíaca Ilha de Tavira onde é possível, para além de fazer praia, acampar no parque de campismo, fazer um piquenique no parque de merendas ou apreciar pratos de marisco e peixe fresco nos diversos restaurantes de apoio.
Tavira inspirou-nos e levou-nos a redescobrir os segredos e encantos únicos desta cidade que respira história, cultura e tradição. Esperamos que vos inspire também! 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Património com marca







































Sabiam que o património algarvio vai ser valorizado pela UNESCO e pela União Europeia?
Falamos quer do património natural, quer histórico e edificado. Estão em causa o núcleo pombalino de Vila Real de Santo António, o centro histórico de Cacela Velha e o Promontório de Sagres. Mas...vamos por partes: a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) convidou a autarquia de Vila Real de Santo António a apresentar duas candidaturas, pois teve em consideração o facto de o núcleo pombalino da cidade constituir um dos exemplos da arquitetura e do urbanismo do século XVIII e, no caso de Cacela Velha, considerou a singularidade e o grau de preservação do seu núcleo histórico já anteriormente classificado como Património de Interesse Público. 
Já a candidatura do Promontório de Sagres foi selecionada por unanimidade para a submissão à Marca do Património Europeu, dada a singularidade do Monumento Nacional.
Três iniciativas que valorizam em muito o nosso Algarve.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Jogos intemporais no castelo de Alcoutim

No Castelo da vila de Alcoutim está exposta a maior coleção de jogos de tabuleiro do período islâmico encontrados num único sítio arqueológico. 

Exposição "Jogos Intemporais" e núcleo museológico de arqueologia do Castelo da Vila de Alcoutim

Ao todo, são trinta tabuleiros gravados em lajes de xisto, completos ou fragmentados, de seis tipologias diferentes  (Moinho, Galo, Tábula, Soldado, Alquerque e Mancala III) e 18 pequenas pedras de jogo. No que se refere ao jogo Mancala III, os exemplares expostos são os únicos conhecidos em Portugal.

Ruínas do castelo velho de Alcoutim 

Esta curiosa exposição, que bem merece uma visita, reúne os jogos que foram encontrados em escavações arqueológicas realizadas no Castelo Velho de Alcoutim, uma fortificação islâmica do período omíada edificada entre os séculos VIII e IX, cujas ruínas se encontram num morro sobranceiro ao rio Guadiana, a cerca de 1 km da vila.

Estes jogos testemunham uma das faces lúdicas do ser humano que, desde tempos imemoriais os pratica e que, tanto cristãos como árabes nos legaram em tradição.

Vista sobre a vila e o rio, a partir do castelo de Alcoutim


No castelo de Alcoutim pode igualmente visitar-se o núcleo museológico de arqueologia e desfrutar da vista magnífica sobre a vila e o rio Guadiana. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Há mais Algarve em Alcoutim

Vista de Alcoutim a partir do castelo

Um dia é pouco para percorrer Alcoutim. O concelho não é gigantesco em tamanho (apesar dos seus 577 quilómetros quadrados de área para desbravar) mas tem proporções enormes de tradição, cultura e silêncio que exigem mais tempo ao visitante desprevenido. Quem entra em Alcoutim encontra o vagar do interior algarvio, um ritmo feito à medida dos que sabem que a vida é ar puro. Boa gastronomia. E rio. E terra forrada de pinheiros-mansos, sobreiros, estevas e rosmaninhos. 

O desafio da viagem é desde logo abrandar a mente mantendo contudo um passo apressado que permita alargar os pontos de visita: é porque há muito para ver e outro tanto para ouvir da boca dos alcoutenejos, essa gente «simples e humilde que se abre com o coração», adjetiva o presidente da autarquia, Francisco Amaral.


Museu do Rio, em Guerreiros do Rio

Por isso mesmo o nosso ponto de partida será uma história, a de José Murta Pereira. Nasceu em Guerreiros do Rio, localidade situada a 8 quilómetros da vila de Alcoutim e que hoje junta num espaço museológico perto de 28 réplicas dos barcos que navegaram no Guadiana até meados da década de 60 do século XX. Dizíamos nós que íamos contar a história de José Pereira e acabamos a falar do acervo do Museu do Rio? Pois bem, as duas misturam-se. As miniaturas expostas no museu de Guerreiros do Rio, que funcionou em tempos como escola primária, saíram das mãos de José. A primeira que construiu foi a «Lucília», uma lancha de pesca que ofereceu à sua mulher e que acabaria por ficar com o nome dela. Daí seguiram-se outras embarcações – o Zé Marujo, o Rafa ou a Maria Alexandrina – que explicam ao turista como funcionava o transporte fluvial em Alcoutim. Todas para ver das 09h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00, diariamente.

Corre, corre Guadiana


Passeio pelo rio Guadiana

Mas para sentirmos o rio, há que sair de terra firme. As águas do Guadiana beliscam a nossa atenção e a empresa de animação turística Fun River acede ao capricho de quem deseja um passeio retemperante nas correntes tranquilas de um dos rios menos poluídos da Europa. Do cais de Guerreiros do Rio em direção à vila de Alcoutim, a navegação faz-se entre a margem portuguesa e a espanhola (Sanlúcar de Guadiana) deste curso de água natural. De um lado ou de outro, os olhos dos «marinheiros turísticos» a bordo encontram sempre verde. Muito verde. Sobretudo nesta altura do ano, depois das chuvas de março e da chegada do primeiro bafo de calor primaveril. 

O trajeto é fotogénico. Os leves desvios das curvas do rio, as casas dispersas na paisagem que pertencem, na maioria, a estrangeiros que não resistiram ao chamamento de terem as águas plácidas do Guadiana defronte do nariz e os veleiros ancorados ao longo do percurso com bandeiras de diferentes nacionalidades hasteadas exigem fotografias para recordar mais tarde o momento em que conseguimos estar no meio de dois territórios de países europeus. 

Desembarcar é preciso 

Para ver o resto. Tudo o que falta e que não é pouco. Com pés novamente assentes no solo, somos recebidos no velho cais de Alcoutim pelo contrabandista. Desfaça-se o equívoco, pois referimo-nos a uma estátua ali colocada em 2008 para cumprimentar quem desembarca. Consta que o contrabando foi um importante meio de subsistência para os alcoutenejos, que viviam principalmente da pastorícia e da agricultura. Assim, e para honrar a história (mais ou menos lícita) da vila, ergueu-se esta obra da autoria dos escultores Teresa Paulino e Pedro Félix. 

Pelas ruelas da vila, e ainda antes de chegarmos ao castelo, cruzamo-nos com outras duas estátuas criadas pelos mesmos artistas: o pescador e o guarda-fiscal, este último situado no miradouro do quiosque para vigiar em permanência o rio.


As estátuas «Contrabandista» e «Guarda-fiscal» da vila

Finalmente o castelo. Construído no século XIV para proteger esta região fronteiriça, ele mantém ainda hoje o seu grande pano de muralha com torres defensivas. No interior, traça o passado de Alcoutim (que remonta há 5 mil anos) através de várias peças em exibição no núcleo museológico de arqueologia. Entre elas está uma ara votiva com inscrição funerária consagrada aos Deuses Manes. Se subirmos ao topo do castelo, podemos espreitar do alto o rio e a povoação de Sanlúcar de Guadiana. E como as surpresas abundam, falta ainda registar a possibilidade de organizar refeições para grupos neste ponto ermo. Sabe sempre bem um festim de comida tradicional num castelo… ou não?


O castelo de Alcoutim recebe cerca de 20 mil visitantes por ano

Próxima paragem: praia fluvial do Pego Fundo. Como entrámos em Alcoutim via rio, só a caminho da única praia fluvial do Algarve é que conseguimos apreciar o mural de azulejos à entrada poente da vila. São 31 painéis da autoria de Carlos Luz que mais parecem quadrados de tiras de banda desenhada, pintalgados a azul para contar os saberes e modos de fazer do concelho.


Painéis de azulejos de Carlos Luz, à entrada da vila

Descemos até à praia mas ainda não dá para pormos os pezinhos na areia – estão a decorrer obras de melhoramento na zona para que no início do verão esteja tudo preparado para os banhistas, muitos dos quais espanhóis, que preferem mergulhar no bonito pego da ribeira de Cadavais (afluente do Guadiana). 

As vozes da tradição


No atelier onde se criam as bonecas de juta ou serapilheira

Pegamos no carro rumo a Martim Longo circundados por campos floridos, viçosos, e o aroma intenso a rosmaninho. É aqui, a cerca de 30 quilómetros de Alcoutim, que descobrimos o atelier Flor da Agulha e duas das artesãs que produzem há 27 anos as famosas bonecas de juta. Otília e Hermínia não parecem incomodar-se com os visitantes que irrompem porta adentro para conhecer as peças que já conquistaram um prémio nacional de artesanato: são agulhas do ofício, neste caso. Estas bonecas que «não têm olhos mas têm expressão», contam as artesãs, representam pessoas e profissões de antigamente. 

Não é então de estranhar que nas prateleiras nos deparemos com a ceifeira Feliciana, a Chica que foi à ribeira lavar a lã, a Joaquina a varejar ou a Felismina a sarilhar. «Não sabe o que é? É como antes se fazia a meada da lã», decifra Otília. Os preços variam consoante o tamanho das peças, entre os 15 e os 35 euros.


Maria Antónia fabrica queijos de cabra algarvia há 13 anos

De Martim Longo partimos para Vaqueiros, outra das cinco freguesias do concelho, para um programa inusitado: visitar uma pequena queijaria no monte dos Bentos. Os queijos frescos João Teixeira Gonçalves são um projeto de família. Maria Antónia, 65 anos, produz os queijos a partir do leite extraído do seu próprio rebanho de cabras de raça algarvia que pastam nas imediações, além de terem uma alimentação cuidada à base de cereais. «Uma panela leva cerca de 30 litros de leite de cabra. Isto dá para fazer 40 queijos», diz Maria Antónia. De sabor único e suave, eles custam 1,10 euros e são escoados apenas por encomenda, para o número 281 495 134. 

O lugar ideal para carregar… barrigas


A ribeira de Odeleite, em Vaqueiros

Ainda estamos em Vaqueiros, agora diretamente virados para a ribeira de Odeleite, o sítio ideal para um piquenique de final de tarde e para carregar as barrigas, perdão, as baterias. Com os raios de Sol já enfraquecidos mas ainda assim a emanarem calor suficiente para uma manga curta, lanchamos com a sorte de ter por companhia o artesão António Ramos, natural do concelho de Alcoutim, e a doceira Maria Almerinda. 

À mesa temos vinho, pão e chouriço de produção caseira, filhós fora do tempo – as melhores continuam a ser as inesperadas que nos oferecem –, mel de rosmaninho e de outras flores fabricado em Taipas (Vaqueiros) e outras iguarias que não identificamos para não espicaçar a gula alheia.


Maria Almerinda e os seus produtos caseiros (exceto o mel)

Enquanto mordiscamos os petiscos, ouvimos António Ramos, 73 anos, a contar peripécias de quando participava em feiras com a sua cestaria: «Cheguei a vender 80 cestos de um dia para o outro», exprime com o entusiasmo de uma criança de 12 anos, idade com que começou a fazer trabalhos em cana. Um cesto pequeno leva em média três horas e meia a ser construído e custa apenas 4 euros, diz-nos António, fazendo-nos acreditar que é possível acrescentar outra vida ao artesanato algarvio.


António Ramos, o artesão de cestaria em cana

As cores estão esbatidas pelo (parece) súbito desaparecimento do Sol. Não há dúvida de que este é o epílogo perfeito para um dia num concelho recôndito do Algarve que se tenta abrir aos jovens, contrariando a sua baixa densidade populacional (tem somente 2917 habitantes, segundo os números de 2011), com projetos inovadores. Tal é o caso da aposta recente num slide que ligará Alcoutim a Sanlúcar através de um cabo com uma extensão de 720 metros que serão percorridos em 40 segundos, a uma velocidade de 80 Km/hora. O projeto é do inglês David Jarman e deverá estar ativo em maio. Esta é a prova de que Alcoutim continua a ser um segredo apetecível de descobrir. Por muito mais tempo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

10 sugestões para desfrutar o Algarve





1. Praia da Marinha. Nos últimos prémios europeus dos World Travel Awards – os Óscares do Turismo –, o Algarve foi eleito o «Melhor destino de praia da Europa». A escolha é ilustrada aqui pela praia da Marinha, no município de Lagoa, já considerada uma das cem praias mais bonitas do mundo pelo Guia Michelin.


2. Fortaleza de Sagres. Com 255 mil visitantes em 2012, a fortaleza de Sagres foi o monumento mais visitado no Algarve e um dos mais procurados pelos turistas em todo o País. Situada no cabo de Sagres, famoso pela sua beleza ímpar, a fortaleza deve a sua origem ao infante D. Henrique, que aqui instituiria uma vila e viria a falecer em 1460. No interior da fortaleza podem ver-se a enigmática rosa dos ventos desenhada no chão e uma muralha corta-ventos com falsas ameias, que permitem vigiar o gigantesco dedo de pedra que na Ponta de Sagres aponta para o mar.

3. Ria Formosa. Eleita uma das «7 maravilhas naturais» de Portugal em 2010, a ria Formosa descobre-se nos trilhos pedestres ou em lentos passeios de barco. É um vasto ecossistema de características geológicas únicas que se estende por uma área de cerca de 20 mil hectares e 60 quilómetros de costa e local de ocorrência de milhares de aves aquáticas ao longo do ano, como o flamingo, a águia de asa redonda, a galinhola e o guarda-rios.

4. Castelo de Silves. Mais de 167 mil visitantes passaram por aqui em 2012, fazendo do imponente castelo de Silves um dos monumentos mais visitados no Algarve. A sua origem remonta ao séc. VIII e o castelo, rodeado por uma forte muralha em taipa revestida em grés de Silves, permanece o melhor exemplar da arquitetura militar árabe existente em Portugal.

5. Zoomarine. Os golfinhos são as estrelas do maior parque temático familiar do Algarve, situado na Guia, a poucos quilómetros de Albufeira. As surpreendentes apresentações fazem da visita ao parque um dia inesquecível e incluem ainda focas, leões-marinhos, aves tropicais e de rapina e os incríveis tubarões, para além das diversões e das piscinas.

6. Centro histórico de Faro. Na vila-a-dentro, rodeada de muralhas onde outrora chegava a água do mar, o coração histórico de Faro concentra a sé catedral, o bispado do Algarve, o seminário, os paços do concelho, museus, conventos, galerias de arte e casas apalaçadas. O passeio deve iniciar-se no arco da Vila e terminar no arco do Repouso e na sé é obrigatório subir ao miradouro e desfrutar da vista deslumbrante sobre a cidade e a ria Formosa.

7. Marina de Vilamoura. A maior e «Melhor marina de Portugal», por eleição do trade, é um dos principais pólos de atração do destino e um ponto de paragem obrigatório para quem pretende relaxar os sentidos e passar um bom momento. Vilamoura foi das primeiras marinas certificadas do mundo e foi também galardoada com a bandeira Azul da Europa e com a distinção máxima de 5 âncoras pela Yacht Harbour Association.

8. Oceânico Old Course. O Algarve foi por duas vezes considerado o melhor destino de golfe do mundo pela International Association of Golf Tour Operators. Em 2012 foi o grande vencedor dos «Today’s Golfer» Travel Awards: foi eleito o destino de golfe com o melhor best value for money da Europa Continental nos prémios da revista britânica e o Oceânico Old Course, em Vilamoura (na foto o buraco 11), foi eleito o «Melhor campo de Portugal».

9. Igrejas de Tavira. Local de cruzamento de povos e de culturas, Tavira ganhou prestígio político, religioso e económico com a expansão portuguesa para o Norte de África nos séculos XV e XVI. Em resultado da sua importância e prosperidade, Tavira possui um notável conjunto de arquitetura religiosa e é conhecida por ser a «cidade das igrejas»: vinte e uma, incluindo seis antigos conventos, guardam tesouros artísticos acumulados ao longo de séculos.

10. Festival do Marisco. É uma das maiores tentações gastronómicas do Algarve e ponto de passagem obrigatório para milhares de turistas que visitam a região no verão. No «Festival do Marisco» de Olhão não faltam camarões, sapateiras, amêijoas e outros frutos do mar servidos ao natural, grelhados, na cataplana ou preparados com arroz ou com o tradicional xarém.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Igreja matriz de Santa Maria do Castelo (Tavira)



Construída na segunda metade do séc. XIII, no local onde antes se situava a mesquita de Tavira, a igreja de Santa Maria do Castelo foi originalmente um edifício de estilo gótico, como comprova o portal ogival, mas sofreu estragos consideráveis aquando do terramoto de 1755, pelo que foi necessário proceder à sua reconstrução.

O projeto ficou a cargo do arquiteto italiano Francisco Xavier Fabri, que teve a preocupação de manter a estrutura original da igreja – três naves e quatro tramos –, tendo aproveitado a cabeceira e algumas capelas laterais, caso da Capela do Evangelho, de estilo gótico, e da Capela do Senhor dos Passos, de estilo manuelino mas revestida com azulejos do séc. XVII.

Relativamente à ornamentação interior, merece destaque a capela-mor, onde se vê um retábulo do início do séc. XIX de arquitetura simulada (pintada). Nas paredes laterais da capela-mor observam-se duas inscrições medievais que assinalam a presença do túmulo de D. Paio Peres Correia e dos seis cavaleiros que morreram na reconquista cristã de Tavira.

Igualmente interessantes são o retábulo da Paixão, de estilo rococó, e o retábulo neoclássico do batistério, que incorpora uma bonita pintura do final do séc. XVIII representando a assunção da Virgem Nossa Senhora, e cuja autoria se atribui ao italiano Corrado Guiaquinto.

A igreja matriz de Santa Maria do Castelo é monumento nacional e está aberta ao público de segunda-feira a sexta-feira das 10h00 às 17h00 e ao sábado entre as 10h00 e as 13h00 (exceto se houver cerimónias religiosas). A entrada no núcleo de arte sacra tem um custo de € 1,50.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não sabem onde ir? Sigam a cultura

Apetece-vos fazer algo, mas ainda não sabem o quê. Uma boa dica para se entreterem durante um dia no Algarve é seguirem a cultura. Passarinhar museus e património dentro, com paragens na mesa tradicional para satisfazer a gulodice.


Como se vestia a mulher oitocentista algarvia? E o homem? Vão a São Brás de Alportel, entrem no palacete António Bentes e explorem em toda a extensão o Museu do Trajo, uma espécie de ilha de cultura nesta simpática povoação do interior algarvio. De certeza que no final saberão a resposta. O espaço museológico está instalado numa antiga habitação burguesa dos finais do século XIX, reconvertida para visitante ver. A coleção de mais de 1500 peças espalha-se por várias salas que recriam o dia a dia da época, entre outras atrações para os olhos (como as alfaias agrícolas). 


Quando a hora roça o almoço e a barriga se esvazia, a altura é ideal para o restaurante. Tem de estar perto e tem de encher o paladar de sabores regionais, já agora. A Adega Nunes, junto a São Brás de Alportel, é o melhor programa para a refeição. À entrada, os alambiques e as pipas da decoração confirmam que a casa é rústica, e a cozinha caseira. Joga-se o apetite à ementa e pede-se biqueirão, para começar. Depois pode vir açorda de galinha com grão ou coelho frito com alhinhos, borrego em forno de lenha ou javali estufado (este capaz de fazer as delícias do Obélix). E alguém se esquece da tarte de alfarroba? Propostas serranas de um restaurante onde a sala de jantar funciona na antiga vacaria. Mais típico será difícil… não acreditam?


O estômago forrado dá autorização ao resto do passeio. Para Estoi então. Percorram a estrada até aos tesouros romanos de Milreu aproveitando a beleza da paisagem. A viagem agora é no tempo e recuará pelo menos até ao século I d. C. O complexo das ruínas de Milreu está classificado como monumento nacional e revela o que resta da vila rural que no século VI abandonou o estatuto pagão para servir a igreja cristã. O atual centro de interpretação dá uma ideia de como os romanos passariam os dias no Algarve.


E porque estão em Estoi, mantenham-se lá. Façam uma pausa e bebam um chá ou refresco no bar da Pousada do Palácio de Estoi, cobertos da preguiça a que têm direito. Com toda a moleza da calma, vão depois descobrir este palácio do século XVIII recuperado pelo arquiteto Gonçalo Byrne. Os jardins ao estilo Versalhes e os dois salões com delicados frescos são imperdíveis.


Já jantaram. O dia está no fim, mas ainda vos sobram umas horas. Não querem ficar na cama ou no sofá a fazer zapping. E se fossem ao teatro? Este tem história: é um dos mais velhinhos do país, originalmente construído em 1605. Foi sujeito a sucessivas obras de recuperação e hoje serve de sala para peças de teatro ou concertos. O Teatro Lethes, em Faro, tem o nome de um mítico rio, conhecido por as suas águas terem o poder de apagar da memória das almas as agruras da vida. E na realidade isto acontece. Por momentos não conseguirão pensar em mais nada a não ser no espetáculo que corre no palco.


Créditos fotográficos:

Museu do Trajo - Luís da Cruz
Adega Nunes - Câmara Municipal de S. Brás de Alportel
Ruínas de Milreu - F32
Teatro Lethes - Luís da Cruz