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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Belezas do mar

Créditos: Hélio Ramos


As traineiras, lanchas, enviadas, barcas e canoas tradicionalmente utilizadas na pesca, e para a esta dar apoio são uma imagem de marca do nosso Algarve. São bonitas, alegres e vistosas, cheias de cor com azuis fortes, verdes abertos e amarelos e vermelhos reluzentes, discretamente ornamentadas com estrelinhas, ramos de flores, motivos geométricos e sobretudo nomes muito singulares. Não raras vezes nomes femininos que se creem ser os das mulheres ou filhas dos pescadores, outras vezes nomes de santos a testemunhar a fé religiosa dos homens do mar e ainda identidades únicas que remetem para a esperança e para a bonança afastando más marés.

A faina piscatória já não é tão intensa no Atlântico, mas ainda hoje é possível avistá-las ao largo de alguns portos, atracadas embelezando as águas temperadas do Algarve e deslumbrando os que nos visitam, por exemplo lado a lado com banhistas nas praias do Carvoeiro e Benagil.

Deem um salto até estas praias de Lagoa e apreciem as nossas bonitas embarcações ou fiquem atentos aos portos de pesca. Hoje algumas delas foram convertidas em barcos de recreio para passeios turísticos. Aproveitem e vejam como são belas e fotogénicas. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

À moda do Algarve

Que o Algarve é um destino turístico na moda, disso ninguém tem dúvidas. Que o Algarve está a ditar a moda é o que lhe revelamos hoje. Revelamos e sugerimos uma nova peça de vestuário para o seu guarda-roupa: o bioco.

Foto daqui

O bioco era uma espécie de capote, com capuz, que cobria as algarvias da cabeça aos pés, escondendo-lhes até o rosto, e que foi muito usado até ser proibido em 1892 pelo governador civil de Faro. 

Ora, é essa peça, envolta em misticismo, que está hoje em dia a ser recriada e reinventada com novos tecidos, novas cores e novos padrões através da marca “Bioco Tradition” que pretende trazer para o presente produtos do passado, promovendo a identidade cultural da região e fazendo reviver emoções.

Foto daqui


Numa altura em que já se começa a pensar na renovação do guarda-roupa para a próxima estação, talvez nos possamos inspirar aqui e encomendar um dos bonitos modelos de capa propostos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Turismo criativo





















Moldar o barro na roda com a ajuda e sob o olhar atento de um oleiro, entrelaçar cana e dar forma a cestos, preparar uma salada mediterrânica ou uma sopa fria, fazer tibornas, tapas algarvias e figuras doces com pasta de amêndoa são algumas das experiências que o projecto Loulé Criativo oferece aos turistas. 
Recentemente apresentada por iniciativa da autarquia, a iniciativa reúne vários parceiros locais daquela cidade que se propõem ensinar gastronomia, artesanato e antigos ofícios. Trata-se de levar os turistas a estabelecer relação com a comunidade, com a cultura local num registo autêntico de participação interagindo com as tradições algarvias
Assim, os turistas poderão escolher entre workshops, cursos curtos, fins de semana temáticos que se transformarão, com certeza, em aprendizagens pessoais enriquecedoras
O projecto transforma Loulé na primeira cidade portuguesa a integrar, assim, a rota internacional do turismo criativo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Cinco experiências imperdíveis em São Brás de Alportel

Voltamo-nos para o interior do Algarve e vamos hoje até São Brás de Alportel ao encontro da nossa colega do Posto de Turismo que tem cinco boas ideias para vos dar sobre aquilo que não devem deixar de experimentar em visita a este concelho.


 1 - Feira da Serra
 
Créditos fotográficos: Feira da Serra - Câmara Municipal S. Brás Alportel


Tradição, gastronomia e cultura são os três temas da já conceituada Feira da Serra que, na sua 22ª edição, regressa nos próximos dias 26, 27 e 28 de julho ao concelho de S.Brás de Alportel, com vários destaques:
- O sítio da amêndoa, onde se poderá descobrir os benefícios seculares deste fruto seco tão típico do Algarve.
- Um encontro com o movimento mundial ”Citta Slow” ao qual S. Brás de Alportel está associado.
- O espaço LARA – Projeto de intervenção social pós incêndio que dará a conhecer o trabalho desenvolvido junto das populações afetadas pelo incêndio do ano passado.

Para além disso, o artesanato é rei na feira com a presença de vários expositores e a animação também não faltará durante as três noites do certame.


2- Via Algarviana
 
Créditos fotográficos: Corina Justo e Via Algarviana

Para os amantes das caminhadas no interior profundo da serra algarvia, recomenda-se um percurso da Via Algarviana, onde se pode desfrutar de paisagens deslumbrantes. Os montes em ruínas que ainda resistem, completamente isolados, assinalam outros tempos, bem mais tranquilos, em que os residentes labutavam diariamente de sol a sol.

Em São Brás de Alportel, sugere-se a ligação da aldeia de Parises, no norte do concelho, ao centro da vila, num percurso exigente de 18,5km.


3- A Rota da Cortiça
 
Créditos fotográficos: Corina Justo e Turismo do Algarve


Portugal é conhecido como sendo produtor da melhor cortiça do mundo. Segundo os peritos na matéria, a qualidade dos sobreiros da serra do Caldeirão faz com que a sua cortiça seja a mais cara e a mais procurada.

Para perceberem melhor a relação ancestral entre o homem e o sobreiro não deixem de seguir a Rota da Cortiça agendando uma visita que se inicia nas instalações do Museu do Trajo e que passa pelas fábricas tradicionais de preparação e de transformação da cortiça, incluindo passeios pelo sobreiral e muitas outras atividades para miúdos e graúdos numa experiência realmente imperdível.


4 – A loja do queijo fresco
 
Créditos fotográficos: Corina Justo e Portal dos Queijos

Quem aprecia leite fresco ordenhado há poucas horas, proveniente dos próprios rebanhos do produtor, iogurtes, smoothies, quark, queijo fresco com temperos inovadores doces (frutos secos, mel) ou salgados (orégãos, azeitona, pimentão, tomate seco, manjericão...), não pode deixar de visitar a loja "Portal dos Queijos", situada próximo do mercado municipal. 



5- Festa da Aleluia
 
Créditos fotográficos: Câmara Municipal S. Brás Alportel


Na próxima Páscoa, coloquem São Brás de Alportel no vosso roteiro para poderem assistir a uma festa única no país. A procissão da Aleluia ou das Tochas Floridas é a manifestação religiosa mais importante do concelho e enche de orgulho todos os sambrasenses.

Estão de parabéns os voluntários que pela noite dentro, na véspera do domingo de Páscoa, se juntam para ajudar nesta celebração, enfeitando as ruas com o tapete de flores que define o percurso da procissão. Nela se reúnem os homens da terra que, empunhando as tochas floridas, vão gritando com alegria a frase “Ressuscitou como disse, Aleluia! Aleluia! Aleluia!”.


E se cinco ideias não chegam, podem sempre procurar o Posto de Turismo de São Brás de Alportel bem como os restantes postos de informação turística do Algarve para conselhos adicionais.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vamos à feira?


As feiras temáticas e os mercados tradicionais constituem simultaneamente uma boa ocasião para fazer compras e uma opção de passeio turístico diferente em que se pode contactar com as populações locais e apreciar as típicas vilas e aldeias do Algarve.


Numa breve consulta ao guia mensal de eventos que o Turismo do Algarve publica, facilmente encontramos informação sobre o mercado ou feira mais próximos do local onde estamos ou da data que mais nos convém para os visitarmos.

Os fãs de feiras de velharias têm à disposição um calendário de uma vintena de eventos que ao longo do mês decorrem de sotavento a barlavento. É só agendar.

 Imagem do portal da Câmara Municipal de Lagos

Por toda a região há também os mercados semanais ou mensais onde se pode comprar os mais variados produtos. Do artesanato mais ou menos tradicional, aos atoalhados, passando pelo vestuário, calçado, acessórios, utilidades diversas e mesmo flores, há de tudo para todos os gostos.


Se o que pretendemos são os frescos, então nada como passar por um dos característicos mercados municipais da região onde, diariamente, se podem adquirir a melhor fruta, os mais viçosos legumes, o bom peixe e a carne, entre tudo aquilo que pode fazer a nossa cozinha feliz. Alguns destes mercados que muitos locais designam por “praça” apresentam também outros motivos de interesse para uma espreitadela. Conhecer a sua história, apreciar a sua arquitetura e viver o seu animado bulício são alguns deles.



Então… que tal? Vamos à feira?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Santos Populares


São João p’ra ver as moças
Fez uma fonte n’areia
Mas as moças não vão à fonte
E São João todo ele se anseia

São João divertido, maganão e o-la-ré,
Deixa-me este verão passare
E dá-me noivo São João, dá-me noivo,
Dá-me noivo que eu me quero casare.

São João p’ra ver as moças
Fez uma fonte de prata
Mas as moças não vão à fonte
E são João todo ele se mata.


Imagem daqui

Nos tradicionais festejos dos Santos Populares, com os seus arraiais e fogueiras de alecrim e rosmaninho, era comum ouvir-se cantar este tema e é com ele que aqui evocamos a forma como antigamente se celebrava no Algarve esta época festiva.

No mês de junho, nas noites de Santo António, São João e São Pedro, era costume armarem-se mastros que se enfeitavam com murta e rosmaninho e à volta dos quais se tocava e dançava alegremente. O cheiro do alecrim queimado identificava essas festas tradicionais em que não se deixava de acender uma fogueira por cima da qual se saltava dando vivas ao Santo.


As raparigas “casadoiras” divertiam-se tirando as “sortes”. Essas brincadeiras que relevam do supersticioso consistiam num jogo de adivinhação e interpretação do futuro através de uma variedade de situações que elas experimentavam. Muitas dessas “sortes” são referidas em trabalhos de recolha etnográfica como o “Livro do Alportel” de Estanco Louro, ou como “Um Algarve outro…” de Glória Marreiros. A sorte das favas, por exemplo,  permitia avaliar se o ano ia ser de abundância ou de miséria. Arranjavam-se três favas, uma sem casca, outra com metade da casca e uma outra com a casca toda. Passadas nove vezes pela fogueira eram colocadas debaixo do travesseiro, de onde, na manhã seguinte, ao acordar, seria apenas retirada uma. Se fosse retirada a fava toda descascada o significado atribuído era que os próximos tempos seriam de miséria. Ao contrário a fava toda “vestida” significava riqueza.

O cardo, ou alcachofra, usado nas "sortes"

Muitas das “sortes” estavam associadas ao casamento e as raparigas encontravam nelas as respostas que queriam sobre quando e com quem casariam. A queima dos cardos, o derretimento do chumbo ou a sorte da bacia de água são algumas das versões possíveis para estas brincadeiras onde o divertimento era mais importante do que a própria crença no resultado.

Quem quiser recordar ou descobrir como se celebravam os santos populares de antigamente, poderá rumar até Alte, no próximo dia 27 de junho, onde, no Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte, decorrerá um serão no qual as conversas girarão precisamente à volta das “sortes”.

Entretanto, já este sábado dia 23, há marchas populares para ver desfilar em Quarteira, num espetáculo grandioso que se tem vindo a impor no calendário de animação do Algarve e que promete fazer-nos passar uma alegre noite de São João.



Imagem daqui



Bibliografia

Algarve : tradições musicais. Faro : Grupo Musical de Santa Maria ; S. Brás de Alportel : Casa da Cultura António Bentes, 1995-2002

LOURO, Estanco. O livro de Alportel. 3ªed. S. Brás de Alportel : Câmara Municipal 1996.

MARREIROS, Glória. Um Algarve outro contado de boca em boca : estórias, ditos, mézinhas, adivinhas e o mais.... Lisboa : Livros Horizonte1991


terça-feira, 24 de abril de 2012

Centro Interpretativo da Fóia

O ponto mais alto do Algarve (906 metros) vai receber um centro de interpretação. O Centro Interpretativo da Fóia, cujo objetivo é mostrar e divulgar um outro Algarve, foi apresentado no passado dia 20 de abril e pretende abrir as portas ao público dentro de seis meses.


Segundo o presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, o centro vai ser um espaço dinâmico e interativo, onde o visitante para além de obter um melhor conhecimento dos produtos e tradições da serra de Monchique também poderá levar consigo produtos como: mel, licores, compotas, aguardente de medronho, artesanato e cortiça. O centro pretende ainda promover visitas a produtores locais, nomeadamente a destilarias de medronho, provas gastronómicas, workshops sobre técnicas artesanais, passeios pedestres e de BTT, entre outros. Estas atividades estarão também acessíveis a invisuais e pessoas com mobilidade reduzida.


Este projeto, ao mesmo tempo que junta o turismo aos costumes e tradições, potencia o turismo de natureza.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Algarve mágico e supersticioso



Hoje é sexta-feira 13 e em dias como este quem não pensa no azar ou na sorte?

As superstições são crenças sem fundamento em efeitos mágicos de determinados objetos, ações ou rituais. Estas crenças irracionais assentam muitas vezes em tradições populares e influenciam de alguma forma os comportamentos sociais.

No Algarve tradicional encontramos inúmeros testemunhos deste tipo de crenças. São as lendas de mouras encantadas, são histórias de bruxas, são expressões populares, pragas, provérbios …

Para quem é supersticioso e para quem não é, aqui ficam alguns exemplos de superstições do Algarve recolhidas nas obras monográficas de Ataíde Oliveira e de Estanco Louro.



Imagem cedida por Ivo Coelho do blogue Exotikbirds


“Não é bom contar as estrelas, porque nos nascem verrumas”

“Não é bom varrer a casa antes de pôr o pão no forno e de tender”

“Crê-se que o cuco sabe quantos anos faltam para o casamento de uma pessoa. Basta perguntar-lho assim:
Cuco Real! Quantos anos me dás tu para casar?
Os anos serão tantos quantas vezes o cuco cantar.”

“Quando quisermos que as bruxas não nos peguem, temos de vestir uma peça de roupa pelo avesso”

Quem tem um sinal no corpo sem que todavia o possa ver, está para sempre livre das bruxas.

“Quem tem os dentes ralos, é muito mentiroso”

“O uivar constante dos cães é sinal de qualquer catástrofe ou desgraça”.

“Quando se acaba de amassar o pão, faz-se uma cruz sobre a massa e pronuncia-se o seguinte: Deus te acrescente para bem da gente”.

“Para curar frieiras vai o paciente de noite à porta de um vizinho e bate uma pancada na porta.
- Quem é? Perguntam de dentro.
E o paciente responde logo, pondo-se em fuga:
- Frieiras no seu pé.
Se não fugisse, apanhava uma dose mestra do vizinho a cuja porta batera”

E vocês… não querem partilhar alguma superstição?



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tradições dos Reis


Por Turismo do Algarve

Em véspera do Dia de Reis, partilhamos aqui algumas tradições que muitos poderão desconhecer. Para isso socorremo-nos da obra “Natal no Algarve - raízes medievais”, da autoria do Padre José da Cunha Duarte.

“O Dia de Reis (6 de Janeiro) era dia santificado. Ainda hoje alguns países celebram neste dia a festa mais importante do Natal.
Muitas famílias algarvias, da zona marítima e urbana, davam nesta noite as prendas de Natal aos filhos. Como não havia o costume de oferecer brinquedos, as crianças recebiam uma laranja, bolotas veladas, uma libra de chocolate ou castanhas.
A ceia era semelhante à do Natal. Entre as iguarias natalícias encontram-se trutas ou empanadilhas, filhós, bolinhóis, fatias douradas com açúcar e canela.
(…)
No Barrocal (…), era costume deitar três bagos de romã ao fogo para que este se mantivesse aceso durante o ano; três bagos de romã na bolsa do dinheiro para que ele nunca faltasse; três bagos de romã dentro da bolsa do pão ou no saco da farinha, para que nunca faltasse o pão ao longo do ano.”

Na tradição do Reis, esta é a noite dos cantares das Janeiras, com grupos que iam de porta em porta desejando um bom ano. Se já poucos o fazem desta forma, há porém um renovar destas tradições com os encontros de Charolas, em espectáculos que se realizam um pouco por toda a região algarvia nestes primeiros dias do ano.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O meu Natal

Por Angela Reis
[Técnica de Comunicação e Imagem no Turismo do Algarve]

Eu adoro o Natal. Não pelas prendas, não pelos doces, que também adoro, nem propriamente só pela noite da Consoada, mas por toda a preparação e envolvente que antecede os dias 24 e 25 de Dezembro.
Desde miúda que a minha mãe sempre me incutiu este gosto. Tudo começava no dia 8 de Dezembro, não sei porque razão mas, na minha casa, a árvore de Natal só se montava no dia 8 e retirava-se a 8 de Janeiro. Já tinha lugar cativo na sala, mesmo ao lado do presépio que também era feito por nós, em família. Eu fazia os caminhos em cartolina e colocava sinais de trânsito. Na minha inocência, sem perceber muito bem porque razão não havia carros naquela altura, colocava os sinais para as vaquinhas e para as ovelhas, colocava a estrelinha que guiava os Reis magos e punha areia em volta. Só não havia musgo, porque morávamos na cidade.
Nunca participei nas compras de Natal, nem me chamava a atenção - até hoje é uma das partes que mais me aborrece - mas adorava ver a minha mãe chegar a casa com aqueles embrulhos todos e colocá-los debaixo da árvore, sem nomes, para me baralhar, e levava os serões de volta da árvore a pegar nos presentes e a perguntar:
“É este que é para mim, mãe?”
A resposta, sempre negativa, era como uma facada no meu pequeno coração…
“As prendas dos meninos, são entregues pelo Pai Natal, que só vêm no dia 24 porque até lá está à espreita para ver quem se porta bem e merece o presente, essas que estão na nossa árvore são para os adultos”.
E eu acreditava, até porque nas histórias que via na TV, o Pai Natal só levava prendas para as crianças. E então lá ficava, com aquela ansiedade, a ver a árvore a aumentar e a suspirar para saber se o Pai Natal achava que eu me tinha portado bem…



Chegava então o dia 24. Logo pela manhã, lembro-me de acordar em êxtase para ajudar (ou atrapalhar) a minha mãe na cozinha. O meu pai tratava da comida (isso não me interessava) e a minha mãe tratava dos doces (essa sim, era a parte que me entusiasmava) – as rabanadas, os sonhos, as filhós, o tronco! Eram horas que me enchiam a alma de alegria. Depois começava a chegar a família, sempre sem crianças - eu era a única até aos nove anos, altura em que nasceu a minha irmã - e os adultos começavam com aquelas conversetas de “gente grande” que me aborreciam. Então eu ia ver os filmes de Natal até que me deixava dormir. Raramente ficava acordada até à meia-noite. Às vezes os meus pais acordavam-me, outras nem por isso e a alegria de abrir os presentes durava um pequeno instante do dia seguinte, até porque não recebíamos nem um terço do que os miúdos recebem hoje em dia, mas dávamos muito mais valor ao que recebíamos.
O dia de Natal era passado na casa da minha avó paterna e era como reviver tudo outra vez, mas com outras caras. Boa! Mais presentes, mais doces, mais alegria. E na casa da minha avó era sempre eu quem distribuía os presentes que o Pai Natal tinha lá deixado na noite anterior. Que grande honra!
Depois do almoço e durante muitos anos, o ritual era sempre o mesmo: quer chovesse ou fizesse sol íamos ver o Presépio dos Bombeiros Municipais de Faro e deitávamos uma moedinha para dar sorte para o novo ano e ajudar os mais carenciados. E eu adorava ver as figurinhas e pensar como seria viver ali. Só não percebia porque razão não tinham sinais de trânsito.
Hoje, e já adulta, tento não perder o verdadeiro espírito do Natal e tento que o consumismo não se apodere de mim, pois afinal o que importa é a comemoração desta época tão especial!

Adivinhas - as respostas

Aqui ficam as respostas às adivinhas que publicámos ontem. Quem tentou a sua sorte na caixa de comentários do post anterior apenas acertou em algumas delas.

1 - O qu’é aquilo…Redondo como um capacho, fundo com’um baraço?
Um poço2 - O qu’é aquilo que tem asas e boca maj nã avoa?
Um cântaro
3 - O qu’é aquilo … tava pra passar, mas nã passou; se nã passasse quem passou, passava; mas com’passou quem passou, nã passou?
Um cacho de uvas; um figo - que são colhidos e comidos4 - O qu’é aquilo que corre serros e barrancos com um pedaço de carne na bôca e nã o come?
Um sapato, uma bota5 - Cal é, Cal é … quem nã ad’vinha, besta é?
A cal

Fonte:
LOURO, Estanco - O livro de Alportel. 3ªed. S. Brás de Alportel : Câmara Municipal , 1996. 470 p.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Adivinhas

Por Turismo do Algarve
Hoje propomos aqui algumas adivinhas. São transcritas tal como o autor da sua recolha as grafou, até porque estamos num blogue algarvio…
Quem quiser pode tentar responder na caixa de comentários. Amanhã indicaremos a fonte destes textos e também as devidas respostas.

1 - O qu’é aquilo…Redondo como um capacho, fundo com’um baraço?


2 - O qu’é aquilo que tem asas e boca maj nã avoa?


3 - O qu’é aquilo … tava pra passar, mas nã passou; se nã passasse quem passou, passava; mas com’passou quem passou, nã passou?


4 - O qu’é aquilo que corre serros e barrancos com um pedaço de carne na bôca e nã o come?


5 - Cal é, Cal é … quem nã ad’vinha, besta é?


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O presépio


Por Luisa Correia
[Documentalista - Turismo do Algarve ]

Por estes dias armam-se os presépios. Lá em casa já tratei do assunto. De uma forma simples, apenas expondo as figuras sob a árvore de Natal, que este ano resolvi fazer a partir de um tronco seco de oliveira. Mas, de repente, deu-me a saudade do entusiasmo com que assistia ao armar do presépio na minha infância. Lembro-me, sobretudo, do presépio que as minhas primas mais velhas armavam na “casa de fora”, que era como se chamava então à sala de entrada da casa, a partir da qual se acedia aos quartos e à cozinha.
Primeiro havia que recolher pedras, areia e musgo. E também murta e pitas. Transportavam-se esses materiais em alcofas de empreita e depois de escolhido o canto da sala para os dispor, começava-se a construção do cenário que havia de acolher as figuras da sagrada família, mas também uma série de outros personagens associados à representação da cena da natividade. Os Reis magos, claro, os pastores e as suas ovelhas, o burro e a vaca no estábulo. Depois, o cenário havia de acolher também os ícones que faziam parte da vida do povo: a igreja, o moinho e o moleiro, a ribeira e a ponte para a atravessar… À verdura colhida no campo, juntavam-se as searinhas que haviam germinado a partir dos grãos de trigo colocados em água, em pequenos recipientes, algumas semanas antes do Natal. Aos poucos era criado aquele maravilhoso quadro naïf que ficaríamos a observar ao longo da quadra.

Assim era o presépio da minha infância. Mas também havia um presépio mais simples, em que apenas se utilizava a figura do Menino Jesus. É um Menino de pé sobre uma peanha, que se coloca num trono armado em pirâmide com caixas de diversos tamanhos, cobertas de panos rendados. Nos vários andares do trono são colocadas searinhas e laranjas. Este é o presépio tradicional algarvio que se fazia no interior da região com os meninos esculpidos em madeira por artistas populares do século XIX, conhecidos como “pinta-santos”.

Decidi que, por estes dias, hei-de visitar os presépios que, pelo Algarve fora, em museus, associações culturais e outras instituições públicas, muitas mãos replicadoras de tradições colocam à disposição do nosso olhar.



Postal de Boas Festas do Turismo do Algarve, a partir de um presépio tradicional algarvio do Museu do Trajo de S.Brás de Alportel - Anos 90.