Mostrar mensagens com a etiqueta Turistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Turistas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Aulas de Geografia

Por Ana Margarida Rodrigues
[Técnica de Turismo - Quarteira]

Já por aqui lemos histórias que incidem sobre os conhecimentos geográficos – ou sobre a falta deles – dos nossos queridos turistas. Tal como sucedeu com alguns visitantes de Tavira e de Armação de Pêra, também por Quarteira têm passado algumas pessoas a necessitar de orientação geográfica.

Registem-se então dois casos que me aconteceram no Posto de Turismo de Quarteira.

No final do Verão passado atendi uma turista de nacionalidade espanhola que procurava um mapa do Algarve para se situar pois tinha algumas dúvidas. Depois de lhe apresentar o mapa e lhe indicar onde nos encontrávamos a cliente perguntou:
“A ver… entonces de aqui hasta Lisboa és Algarve e arriba de Lisboa és todo Galicia, no?”
Fiquei de tal forma siderada pela pergunta da senhora que gaguejei repetidamente até conseguir finalmente recuperar, mostrar-lhe um mapa de Portugal e dar-lhe, muito resumidamente, uma “aulinha” sobre a Península Ibérica.

Outra situação caricata e deveras divertida foi a da visita de uma idosa de nacionalidade canadiana que se deslocava com a ajuda de duas muletas e levantando uma, apontou para leste e perguntou:
“Quanto tempo para chegar a Espanha?”
Ao que nós indagámos:
“De carro ou de transportes públicos?”
Muito airosa a senhora respondeu:
"Não, não, a pé pela praia!"

Palavras para quê?


Quarteira

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A carroça, os jovens típicos e os turistas

Por Elisabete Rodrigues
[Jornalista, membro do Núcleo do Algarve da Liga Para a Proteção da Natureza]

Há uns 30 anos, já eu estava casada, mas não tínhamos dinheiro para comprar carro, porque ainda estávamos a estudar. Por isso, de vez em quando, o meu marido pedia a carroça emprestada ao avô, atrelava o macho cinzento que se chamava «14» e lá íamos nós acampar, ou à praia ou simplesmente dar uma volta.

Para mim, que sempre tinha andado de automóvel, andar numa carroça era uma experiência divertida, diferente. Mas há 30 anos ainda havia muitas carroças a circular nas estradas algarvias e por isso não era assim nada de muito especial…pensava eu…

Um dia, vínhamos a chegar a Lagoa, montados na carroça, com o «14» no seu passo pachorrento de sempre, quando de repente um carro pára à nossa frente, sai um casal de ingleses, cada um munido da sua máquina fotográfica, e desatam a fotografar-nos, entre gritos de admiração. «So typical!», gritava o homem. «So lovely, a young couple still in touch with tradition!», exclamava a mulher.

Não quisemos estragar a festa aos turistas e lá fizemos uns sorrisos amarelados. Nem valia a pena dizer-lhes que não éramos assim tão, tão tradicionais, nem sequer que um já era formado em engenharia agrícola e o outro estava na faculdade a estudar jornalismo. Isso iria estragar a imagem idílica, de um mundo rural perdido, que o casal de turistas ingleses queria levar para a sua terra.

A estas horas, deve haver algures em Inglaterra, no álbum de férias de alguém, umas fotos de um casal de jovens portugueses muito típicos e muito rústicos. Por acaso tenho pena de não ter uma dessas fotos, porque nunca mais andei de carroça…


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A praia cor-de-rosa


Por Maria João Arcanjo
[Técnica de Turismo - Praia da Rocha]

Esta história aconteceu-me quando comecei a trabalhar no Posto de Turismo da Praia da Rocha, em meados da década de 80. Era então muito jovem e inexperiente. Depois de alguns dias em que trabalhei acompanhada por uma colega que me orientava e me apoiava no atendimento aos turistas, calhou-me finalmente ficar de serviço sozinha.

Estava pois, pela primeira vez, por minha conta e risco quando entrou no Posto de Turismo um casal francês que queria visitar a Praia Cor-de-Rosa. Ora por muito que eu fizesse a revisão mental dos locais de interesse do Algarve e me esforçasse por me lembrar do nome das praias da região, não conseguia imaginar onde pudesse existir essa tal praia.
Já a ficar nervosa por não conseguir responder à solicitação dos clientes, telefonei, aflita, para a minha colega que nesse dia se encontrava de folga.
Ela tranquilizou-me logo afirmando que de facto não existia no Algarve qualquer praia com esse nome.
Voltei a encarar o meu casal de turistas e expliquei-lhes que não existia tal praia. Mas eles insistiram:
“Não é o nome da praia. É mesmo a praia que é toda cor-de-rosa. Tem a areia cor-de-rosa, rochas cor-de-rosa…”
E eu, novamente a perder a confiança em mim própria, lá lhes fui perguntando:
“Mas onde é que os senhores obtiveram essa indicação? Têm a certeza de que é no Algarve?”
E eles que sim, que tinham até visto uma fotografia dessa praia num guia turístico.
“E os senhores ainda têm esse guia?” voltei a perguntar.
“Sim, sim. Temos lá no hotel”.
Lá combinámos então que eles voltariam ao Posto de Turismo com o dito guia turístico, para eu poder identificar a praia e os encaminhar devidamente.

Um pouco mais tarde, regressaram com o”bendito” guia. Pude então verificar que se tratava de um recanto da Praia da Rocha. Só que aquela página do guia tinha, por qualquer motivo insondável, sofrido um problema de impressão e a imagem da praia estava toda rosada.
Consegui explicar ao casal de franceses que se tratava apenas de um problema gráfico e que, por muito curiosa que fosse a existência de uma praia toda cor-de-rosa, em nada ficariam desapontados depois de desfrutarem da beleza multicolor da Praia da Rocha.

E, ao que sei, não ficaram.



Praia da Rocha

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O gato sortudo

Por Corina Justo
[Técnica de Turismo - São Brás de Alportel]

Encontrei há pouco uma fotografia que me fez recuar até ao ano de 1997, quando o posto de turismo de São Brás de Alportel ainda funcionava no desactivado posto da polícia e brigada de trânsito, um modelo de edifício utilizado durante o Estado Novo e que apesar do seu espaço exíguo, era bastante funcional.

Nessa fotografia aparece uma turista de que me lembro bem. Era dinamarquesa e segurava um gatinho de raça aparentemente siamesa.
A senhora tinha encontrado o gatinho errando na estrada e muito preocupada, dirigiu-se ao posto de turismo para solicitar o contacto do veterinário mais próximo a fim de tratar dos documentos necessários para levá-lo consigo para a Dinamarca. O assunto foi resolvido e a senhora voltou ao posto antes de partir para se despedir e mostrar o gatinho já devidamente tratado.

Muitos dos turistas estrangeiros que nos visitam preocupam-se com o bem-estar animal e alguns deles nem hesitam em recolher animais abandonados, que para muita gente ainda parecem ser um problema. Foi o caso desta senhora que recordo com simpatia.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ai, a geografia


Por Filomena Serol
[Técnica de turismo - Armação de Pêra]

Em Portugal, lamentamo-nos muitas vezes quando os norte-americanos confundem o nosso país com uma província de Espanha. Esta falta de conhecimentos geográficos cai-nos mal… Mas quem diz norte-americanos, diz também canadianos – nacionalidade da protagonista da historieta que agora vos conto.

Há uns tempos atrás, uma senhora canadiana (cá está ela) dos seus 70 anos resolveu passar férias em Armação de Pêra. E quase todos os dias rumava em procissão até ao Posto de Turismo para levar uma planta de localidade, uma sugestão de passeio, uma informação sobre os transportes ou qualquer outra coisa que lhe surgisse na ideia.

Ora numa dessas visitas irrompeu posto adentro de braço dado com uma amiga dizendo que queria muito visitar Sintra.

"Sintra?! Sintra fica ao pé de Lisboa… "– respondi eu. E ela insistiu:

"Sim… E então… Lisboa não é a capital de Espanha?"

Expliquei-lhe que Lisboa era capital, sim, mas de Portugal, país em que ela se encontrava. A senhora ficou franzida e fitou-me duvidosa pela informação que eu acabara de lhe dar. Mas em todo o caso – e entre fintas e «ais» na geografia – ela sabia pelo menos o nome da nossa capital… espanhola. Sempre fica 1 a 1 no marcador…


Praia de Armação de Pêra