Por Corina Justo



Por fim, servi esta cozinha de batata com feijão verde bem quente, sobre umas fatias finas de pão caseiro. Lembro-me que a minha avó me mandava comprar um pão de 17, que era um pão de meio quilo que custava nessa época 17 tostões. Hoje a moeda é outra, mas mesmo assim, este ainda é um prato saboroso, saudável e económico.
Ora experimentem lá.







Escolhi esta receita porque tem como ingrediente base o berbigão, marisco abundante na Ria Formosa mas ao qual é dado pouco valor, em comparação com a conquilha ou a amêijoa macha / viveiro.
INGREDIENTES
500 g de berbigão (entrada para 2 pessoas), devidamente limpos de areia, preferencialmente “babujados” em água do mar (colocar os berbigões num alguidar largo, com a água apenas a cobri-los, durante 2 horas antes de confeccioná-los)
1 Tomate grande e maduro
Meia cabeça de alho
Rodelas de chouriço, preferencialmente de porco preto (tem mais sabor)
1 Copo de vinho branco
Coentros q.b.
Azeite q.b.
Fatias de pão torradas
PREPARAÇÃO
1- Abrem-se os berbigões num tacho tapado, apenas com um pouco de água para cobrir o fundo. Tão depressa estejam abertos, apaga-se o lume, retiram-se os berbigões do tacho, preferencialmente com uma escumadeira (colher larga e furada, para deixar a água no tacho, pois esta servirá para confeccionar o molho).
2- Tira-se a pele ao tomate e pica-se o mesmo para ficar em concassé (bocados muito pequenos). 3- Corta-se o alho às rodelas.
4- Numa frigideira larga, aloura-se o alho e as rodelas de chouriço em azeite e em lume brando.
5- Quando o alho já estiver alourado, refresca-se com o vinho branco e deixa-se evaporar o vinho.


Há quem diga que não sou algarvia porque não nasci no Algarve, mas fui para terras do Sul com um ano de idade, e só saí dessa região depois dos 20 anos. Ora digam lá se não sou Algarvia? Eu acho que sim!
É com muito prazer que respondo ao vosso convite, enviando uma receita, que apesar de não ser uma receita tradicional, é para mim uma receita com sabor a Algarve. É confeccionada com figos e amêndoas, dois frutos que tanto aprecio.
E agora a receita:

INGREDIENTES
10/12 figos frescos
1 Mão cheia de amêndoa laminada
60 g de açúcar
60 g de farinha
15 g de manteiga
1 Iogurte natural
Leite q.b
3 Ovos
1 Colher de chá de aroma de baunilha
PREPARAÇÃO
Pré aquecer o forno a 180º.
Descascar os figos, cortá-los ao meio e dispô-los numa tarteira de 22 cm de diâmetro, sem fundo amovível (para o creme não derramar) com a parte cortada virada para cima.
Distribuir as amêndoas por cima dos figos.
Para preparar o creme, juntar o açúcar e a farinha numa taça e mexer. Juntar os restantes ingredientes e bater até a mistura se encontrar homogénea e bem incorporada.
Deitar o creme sobre os figos e levar ao forno cerca de 40/45 minutos.
O tempo referido para a cozedura da sobremesa depende do forno que utilizar.
Servir quente ou frio.
Sugestão - Acompanhar com uma bola de gelado de baunilha.


INGREDIENTES
1 kg de carapaus frescos de tamanho médio
Sal marinho tradicional q.b.
Água
Azeite e vinagre q.b.
1 cabeça de alhos
PREPARAÇÃO
Amanhe os carapaus retirando-lhes as vísceras e, se preferir, a cabeça (pode pedir para o fazerem na praça ou na peixaria). Lave-os bem e disponha-os, num alguidar perfurado, em camadas alternadas com bastante sal marinho (a última camada deve ser de sal). Deixe em salmoura de um dia para o outro.
Passe-os depois por água para remover o sal. Leve um tacho com água ao lume até ferver. Mergulhe os carapaus na água fervente e deixe cozer por cerca de 4 minutos. Um truque para verificar se estão cozidos é puxar o rabo de um dos carapaus; se este se soltar de imediato estão cozidos. Retire-os do lume e mergulhe-os em água fria. Com os dedos vá friccionando a pele até a remover por completo. A este processo dá-se o nome de alimar.
Disponha-os numa travessa e tempere generosamente com azeite e vinagre. Descasque os alhos, corte-os em lâminas e deite sobre os carapaus. Sirva-os acompanhados por batatas novas cozidas e/ou uma salada de tomate.
Notas:
- Se necessário, depois de alimados, podem ser mergulhados em água fria para dessalgar mais um pouco;
- Se não apreciar o sabor do vinagre pode rejeitá-lo.
Por Margarida Tomás
O consumo moderado de vinho, especialmente tinto, ajuda a prevenir as doenças cardiovasculares e outras derivadas. Estas conclusões dos cientistas, divulgadas no final do século XX, são uma lembrança pungente das já esquecidas eras em que o vinho era reconhecido pelas suas propriedades benéficas para a saúde. Há cerca de quatro mil anos atrás, o “néctar dos deuses”, como era chamado, era uma parte importante da dieta diária da Península Ibérica.
Acredita-se que os Tartessos, que se estabeleceram em Portugal por volta de 2000 a.C., bebiam regularmente vinho como parte da sua dieta normal, porque lhes proporcionava algumas das calorias essenciais à sobrevivência. De facto, o vinho era geralmente preferido em detrimento da água que, uma vez tirada do poço, não conseguia manter-se fresca e limpa durante tanto tempo, ficando frequentemente contaminada. O álcool ajudava a preservar as bebidas e reduzia os riscos para a saúde, tal como hoje!
A história de Portugal está directamente ligada à cultura dos inúmeros povos que invadiram o país, desenvolveram relações de troca ou que se estabeleceram no território por períodos longos ou curtos. As nações que navegavam de Este para Norte, ou vice-versa, tinham obrigatoriamente de passar ao largo da costa portuguesa, por isso era normal estabelecerem-se feitorias ou domicílios permanentes no país. Estes primeiros colonos, entre os quais os fenícios, gregos e, mais tarde, no último milénio antes de Cristo, os celtas, introduziram novas castas e técnicas de produção de vinho, que criaram padrões relativamente elevados de produção vinícola.
Foi a chegada dos romanos, por volta de 200 a.C., que mais impacto teve nas técnicas de plantação e produção de vinho, em grande parte devido às grandes quantidades de vinhos de alta qualidade que eram necessárias para satisfazer os hábitos de bebida das legiões invasoras. Os vinhos fortes e frutados da Península Ibérica agraciavam as mesas da nobreza de Roma, onde a procura normalmente ultrapassava a capacidade de oferta. É interessante constatar que Portugal, uma região produtora de vinho, foi chamada de Lusitânia pelos romanos, numa referência ao mítico Luso, filho ou companheiro de Baco, o Deus da festa e do vinho.
Esta ascensão teve um fim inesperado quando a temida peste filoxera acabou com a maioria das plantações de vinha da Europa, no século XIX, abalando gravemente a produção de vinho em Portugal e a posição do país no mercado internacional.
Hoje, Portugal está novamente no top dez dos países produtores de vinho do mundo. Tal pode ser atribuído ao trabalho dos produtores tradicionais do centro e norte do país, que lutaram pela qualidade e recuperaram uma reputação digna no mercado internacional.
Há cerca de 20 anos atrás, o sul de Portugal começou a atrair novos produtores de vinho, dinâmicos e modernos. Nos últimos tempos, um pequeno grupo empreendedor de produtores de vinho encontrou locais produtivos no Algarve, com condições favoráveis para um cultivo de sucesso. Isto, em combinação com a nova tecnologia e conhecimento, transformou a paisagem das vinhas e inaugurou uma nova era de vinhos premiados. O Algarve ganhou agora o seu espaço no mapa da produção de vinho com um objectivo – não a quantidade, mas a qualidade.
No que toca ao segredo dos ingredientes perfeitos de um vinho, tudo se resume a alguns elementos essenciais – o solo certo e o clima adequado (uma combinação definida nos círculos da vinicultura como “terroir”), e um tratamento cuidadoso e responsável do produtor. As vinhas do Algarve, confinadas a um anfiteatro protegido dos ventos do norte, têm um clima único que se caracteriza por uma média de três mil horas de sol por ano, o que beneficia os produtores da região.
O solo é também adequado, por isso existe potencial para cultivar excelentes uvas e, consequentemente, para criar excelentes vinhos.
A produção de vinho é a arte de combinar todos estes elementos essenciais, de modo a criar uma sinergia, e é isto que separa os bons dos excelentes – uma manutenção hábil das vinhas e precisão científica na adega, com o apoio da tecnologia moderna para que nada seja deixado ao acaso. Os motivados engenheiros utilizam técnicas de ponta para criar um activo a longo prazo em vez de pensarem a curto prazo.
Ao seguir uma restrita política de qualidade e não de quantidade, os promissores produtores do Algarve podem hoje concorrer num mercado competitivo, no qual Portugal está a produzir cerca de 80 variedades de uva. Nas quintas algarvias mais pequenas, cada vinho tem a sua personalidade e características próprias, devido ao casamento bem sucedido entre o “terroir” e a dedicação dos produtores. Isto é complementado por uma poda cuidadosamente controlada na vinha, que reduz a quantidade de uva produzida. Idealmente, a poda deve ser executada duas vezes por ano, a primeira em Janeiro e a segunda algumas semanas antes da colheita. Durante a primeira poda, são cortados apenas os ramos, de modo a reduzir a capacidade de produção, enquanto na segunda poda é removida uma grande quantidade de uvas quase maduras, por vezes até 50%. Este processo limita drasticamente a quantidade, mas aumenta a qualidade, pois o ritmo de crescimento da vinha e a sua capacidade de produzir boa fruta são aumentados simplesmente pelo facto de o processo ficar confinado a um menor número de receptores.
Quanto mais cuidada a poda, maior a qualidade. Por exemplo, a quantidade média produzida em Portugal para um hectare de vinha é de 10 mil quilos de uvas. Os produtores de vinho em massa do Novo Mundo produzem às vezes até 35 mil quilos, enquanto alguns dos novos produtores do Algarve reduzem muitas vezes essa quantidade para quatro mil quilos ou menos por hectare.



Com os pés dois palmos acima do chão, a panela levou-me à mesa. Brindámos, comemos e deliciámo-nos.
Mas não sabe ao mesmo, mesmo que seja a réplica daquele maravilhoso arroz que se come na tasca do Zé Maria (aquela na Praia de Faro), ou em casa, na “casa-terra”, “casa-mãe”. Lá, tem outro sabor.
A este meu arroz, que levou todos os ingredientes faltou algo e os especialistas podem divagar sobre as diferenças de temperatura, de pressão, sobre as diferenças entre fogões e cozinheiros que explicam o sabor diferente que a mesma receita pode ter quando cozinhada em sítios diferentes e por pessoas diferentes, mas a mim não me enganam. O que acontece é que não se pode transportar a alma dos nossos objectos animados assim, na mala do avião, sem mais nem menos.








Aguentam-se bastante tempo e é um petisco que sabe bem a qualquer altura do dia.

Prontos para irem para o tacho
INGREDIENTES:
800 gramas de chocos
4 dentes de alho
1 cebola
40 gramas de margarina
1/2 decilitro de azeite
600 gramas de favas descascadas
30 gramas de bacon
1 colher de sopa de coentros picados
Sal q.b.
PREPARAÇÃO:
Lave muito bem os chocos e deixe-os a escorrer. Descasque e pique os dentes de alho e a cebola e leve a alourar com a margarina e o azeite. Junte os chocos bem escorridos e deixe cozinhar, tapado, sobre lume brando até os chocos estarem macios. Entretanto, coza as favas descascadas, em água temperada com o bacon e sal até estarem macias. Tempere os chocos com sal e junte-lhes as favas bem escorridas. Misture muito bem, disponha no prato de serviço e polvilhe com os coentros picados.
