quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Charolas: as tradicionais canções da época



A tradição das Janeiras ou Charolas, forma antiga de comemorar o Ano Novo e o Dia de Reis cantando músicas tradicionais alusivas à época e evocando versos em louvor do Deus Menino, mantém-se um pouco por todo o Algarve.

Neste início do ano realizam-se diversos encontros de Charolas em toda a região, contribuindo, assim, para manter aceso um dos costumes mais antigos do Algarve e que se traduz em sentimentos de paz e fraternidade.

Não percam as sugestões que o «Guia Algarve» vos oferece e encantem-se com a sabedoria popular que nos chega através de várias gerações!


1001 Praias: Praia do Barril e Praia do Homem Nu

O Barril é uma das mais emblemáticas praias do concelho de Tavira. Composta por um extenso areal, o seu acesso pode ser feito a pé ou através de comboio turístico. A poente, a praia do Homem Nu é oficialmente naturista.





A praia do Barril situa-se sensivelmente a meio da ilha de Tavira, uma estreita língua de areia fina e branca. Para lá chegar basta atravessar uma estreita ponte pedonal que se eleva sobre um canal da ria e seguir depois a pé, ou nos pequenos comboios turísticos que circulam sobre carris, durante cerca de 1 km até ao areal. Pelo caminho, que é muito aprazível, vale a pena observar a diversa fauna dos bancos de vaza, especialmente as bocas (caranguejo típico destas zonas) que correm a esconder-se nos buracos de lodo à passagem dos veraneantes, e, mais perto da praia, a vegetação dos extensos campos dunares de onde se liberta um cheiro muito característico a caril, oriundo duma pequena planta chamada perpétua-das-areias.


O equipamento turístico da praia foi adaptado a partir de uma antiga armação de pesca do atum e no local ainda se pode ver o casario original e alguns objetos da faina, bem como um conjunto de grandes ancoras que se encontram dispostas no espaço envolvente da praia, ajardinado com plantas das dunas.

O areal é imenso e caminhando na direção do extremo oeste da ilha chega-se à praia do Homem Nu, praia deserta e selvagem, com uma magnífica vista sobre a barra da Fuzeta e a ilha da Armona, a poente. A praia do Homem Nu é praia oficial de naturismo.





Notas:


De modo a contribuir para a preservação do local, o cordão dunar deverá ser atravessado utilizando os passadiços sobrelevados existentes. Notas: As correntes junto à barra são normalmente muito fortes, sendo necessária cautela.


Acesso pedonal, ou de comboio turístico, a partir de Pedras D´el Rei (sinalizado e a cerca de 1 Km da EN 125). Estacionamento amplo junto ao Aldeamento. Diversos equipamentos de apoio (Restaurantes e WC) e vigilância durante a época balnear. Praia Acessível. A praia do Homem Nu não possui equipamentos de apoio nem vigilância. Orientação: sudeste.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Projeto Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais (TASA)

Após uma primeira fase que visou a modernização do artesanato algarvio com a concepção de uma linha de produtos inovadora em relação aos atualmente produzidos pelos artesãos, o projeto TASA vai implementar durante este ano uma estrutura empresarial para a comercialização dos seus produtos.

Nesta segunda fase, os artesãos do projeto TASA vão trabalhar conjuntamente com jovens do projeto Querença na elaboração de um plano de negócios a fim de lançar o artesanato produzido no mercado nacional e internacional.

Afirmar e divulgar a actividade artesanal como profissão de futuro é o objectivo principal do projecto TASA.



Projeto da CCDR Algarve desenvolvido com o concurso de designers da emptresa The-Home-Project e de 11 artesãos da região.

1001 Praias: Praia do Martinhal e Praia dos Rebolinhos

Extensões de areia e dunas altas alternam com o calhau rolado nas praias do Martinhal e dos Rebolinhos, perto de Sagres. Em frente avistam-se característicos os ilhéus de natureza calcária…






Situa-se para nascente da vila de Sagres e embora se encontre abrigada da ondulação dominante e dos ventos de oeste e sudoeste pela ponta da Baleeira (onde se situa o Porto de Pesca de Sagres), é ainda assim bastante ventosa devido aos persistentes ventos de norte que entram pelo amplo vale que se estende para o interior. As águas são porém calmas e convidam à prática de windsurf e de mergulho, sendo frequentes as visitas subaquáticas aos bonitos ilhotes de natureza calcária que se situam ao largo da praia, famosos pelas suas reentrâncias rochosas e grutas submarinas.



A praia é essencialmente arenosa, com dunas altas no centro do praia e vegetação de sapal a estender-se para o interior do vale. Para nascente as arribas voltam a surgir, com muito calhau rolado na praia, que é utilizado pelos banhistas para construir abrigos que funcionam como corta-vento. Encontram-se aqui as ruínas dum importante centro oleiro romano e, nos ilhotes, vestígios de tanques para salga de peixe.

Para nascente do Martinhal, surge a praia dos Rebolinhos, encaixada entre arribas e orientada a sul. Podem observar-se nesta praia matos litorais bem conservados e uma enorme abundância de calhau rolado, os chamados rebolinhos. É deserta, de acesso pedonal através do empreendimento turístico que aí se situa e sem equipamentos de apoio ou vigilância.





Notas:



Acesso viário alcatroado através da Urbanização do Martinhal em Sagres, seguindo na direção da praia durante cerca de 2 km. Estacionamento amplo mas não ordenado, com equipamentos de apoio (restaurante e WC), vigilância na época balnear. Orientação: sudeste.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Passagem de ano no Algarve

Para acabar bem o ano, nada melhor do que festejar o réveillon no Algarve. Com uma taça de champanhe na mão, contemplam-se as estrelas ao mesmo tempo que se aprecia um espetacular fogo de artifício no céu da região.

Este ano não foi exceção. Do barlavento ao sotavento, muitas foram as opções de animação no fim de ano, com especial destaque para Faro, Quarteira, Tavira, Monte Gordo e Albufeira, onde milhares de pessoas se despediram de 2011 entre os tradicionais desejos para o novo ano, os abraços e a festa ao sabor da alegria.

Só em Monte Gordo estiveram mais de 25 mil pessoas e em Albufeira cerca de 50 mil entraram em 2012 ao som de Aurea, na praça dos Pescadores.

E uma noite assim é… notícia. No próximo fim de ano já sabem: o Algarve espera por vocês!

1001 Praias: Praia de São Rafael

Recentemente considerada a melhor praia portuguesa e a quarta melhor da Europa pelo site holandês onbeach.com, a praia de São Rafael em Albufeira encontra-se entre as 20 melhores do mundo na lista do portal de reservas hotéis.com.






O areal é amplo e encontra-se enquadrado por arribas calcárias de tons quentes, muito fraturadas e fissuradas. Nesta praia pode-se observar uma diversidade notável de modelados rochosos muito curiosos, de que são exemplos a Ponte Pequena e o Ninho das Andorinhas: arcos, sapas (cavidades escavadas na base das arribas), algares (poços naturais) e leixões (núcleos rochosos isolados), formas resultantes da ação conjunta da força mecânica das ondas do mar sobre as arribas e da água da chuva, que promove a dissolução da rocha calcária. Na envolvente da praia surgem manchas de pinhal e enormes arbustos de aroeira, suspensos sobre o topo muito ravinado e sulcado das arribas.


Já no areal e exposta ao ambiente marinho, abundam as salgadeiras, planta que, por assim dizer, transpira sal, sendo possível, pela manhã ou final de tarde, observar cristais de sal reluzentes nas suas folhas. Quando a transparência da água o permite, vislumbra-se o contorno misterioso das rochas submersas, já um passeio de máscara e barbatanas desvenda a vida marinha que abunda neste troço de costa.




Notas:


Acesso à praia através de escadas ou de rampa, em madeira. A circulação de carros sobre o topo da arriba encontra-se fortemente condicionada, de modo a minimizar a desestabilização da arriba. No areal, e uma vez que existe a possibilidade de ocorrer desprendimento de pedras, recomenda-se atenção à faixa junto às arribas.


Acesso viário alcatroado a partir da estrada que liga a povoação da Guia à Galé, seguindo a sinalização para a praia. Estacionamento amplo e ordenado. Equipamento de apoio (restaurante e WC) e vigilância na época balnear. Orientação: sul.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Portugal-Dakar Challenge acelerou em Portimão

O último dia de 2011 teve um espírito mais aventureiro para os exploradores do Portugal-Dakar Challenge. O Off Road Park do Autódromo Internacional do Algarve pôs à prova os veículos que estão a participar na segunda edição do evento que recria o mítico percurso até à capital do Senegal. De curvas apertadas e ângulos íngremes de subidas e descidas, a pista todo-o-terreno do autódromo recebeu a segunda etapa (e a última em território nacional) do Portugal-Dakar Challenge.

Este rali composto por 40 equipas e cerca de 70 participantes começou no Cartaxo no dia 30 de dezembro, passou por Beja e chegou a Portimão no sábado, onde a comitiva celebrou a passagem de ano. Depois de Portimão, e com os motores lubrificados, a expedição rumou a Marrocos. São 15 etapas no total que terminam a 13 de janeiro no lago Rosa, no Senegal.

Agora espreitem os trilhos desta verdadeira aventura de cinco mil quilómetros organizada pela Global Share Eventos. Tem dunas, pedras e «estradões». E teve o Algarve pelo meio.

1001 Praias: Praia da Rocha

Areias finas e douradas a perder de vista. Tranquilo mar azul-turquesa. Falésias ocres e rochedos de formas fantasiosas. É este o quadro natural da praia da Rocha que, hoje como sempre, entusiasma pela sua beleza.






Com um vasto e espaçoso areal, que se espraia por mais de 1 Km, protegido por arribas de tons quentes e esteticamente recortadas, a Rocha é o local de férias eleito por cada vez mais veraneantes, sendo uma das praias mais conhecidas do país. Tendo sido objeto de um projeto de requalificação, a praia possui agora uma rede de largos passadiços que percorrem praticamente todo o areal, ao longo dos quais se multiplicam os equipamentos de apoio aos utentes da praia. Já na avenida que acompanha a frente de mar da Rocha, sucedem-se hotéis, bares, esplanadas, discotecas e um casino, culminando na marina de Portimão, diversificando a oferta turística e emprestando muito colorido e animação à praia.


Dos miradouros altaneiros existentes nas extremas da praia, os Três Castelos a Poente e a fortaleza de santa Catarina de Ribamar a nascente, já na entrada da barra do rio Arade, o visitante depara-se com uma fabulosa vista panorâmica sobre a linha de costa entre a cénica ponta João d´Arens e o farol da Ponta do Altar. Também a foz do rio Arade e a já próxima serra de Monchique marcam a paisagem. Apesar da forte componente urbana e turística que caracteriza a envolvente da Rocha, a paisagem natural parece ainda sobrepor-se, tanto pela imponência como pela beleza.




Notas:


Uma vez que existe a possibilidade de ocorrer desprendimento de pedras, recomenda-se atenção à faixa junto das arribas, bem como precaução ao caminhar sobre o topo das arribas, mantendo uma distância de segurança do rebordo das mesmas.


Acesso viário alcatroado através da cidade de Portimão, seguindo as indicações para a Rocha. Estacionamento ordenado. Diversos equipamentos de apoio (restaurantes e WC) e vigilância na época balnear. Praia Acessível. Orientação: sul/sudoeste.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Bom Ano Novo!

Na despedida de 2011 e das "memórias do turismo", recuamos até ao início deste milénio quando o Algarve o recebeu com o maior espetáculo piro-musical até então realizado na região.
Está certamente na memória de muitos o espetáculo concebido pelo francês Yves Pépin que decorreu na Marina de Vilamoura na passagem de ano 2000-2001, lançando fogo de artifício a uma altitude superior a 1 km. O evento contou com a participação da caravela Boa Esperança e atraiu milhares de pessoas ao local.

Fica por aqui uma imagem que o recorda e os nossos votos de um Bom Ano Novo de 2012…


Entretanto, não se esqueçam do nosso convite para começarmos logo…logo a ir à praia!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

É sempre tempo de Algarve!

Anos 1970




Quase a terminar esta longa série de “memórias do turismo do Algarve”, escolhemos deixar aqui hoje uma amostra de anúncios publicitários e slogans utilizados por este organismo ao longo da sua existência.
Desde o “É sempre tempo de Algarve!” dos anos 1970 até ao “Segredo mais famoso da Europa” que hoje se apregoa, o Turismo do Algarve publicita-se assim:

Anos 1970



Anos 1980
Anos 1990



Anos 1990



Anos 2000


Anos 2000


2010-2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

«As 1001 praias do Algarve»

Não chegam a 1001. Mas são mais de 100, com certeza. As suas características variam: há com rochas, enseadas, falésias e grutas. E há também as simplesmente amplas, à medida do mundo inteiro. Sabem do que falamos? *



* Estarão a partir de janeiro no blogue do Turismo do Algarve.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vilamoura

Anúncio publicitário de Vilamoura, 1976

Em 1965, o Grupo Cupertino de Miranda e o BPA criam a empresa Lusotur com o propósito de urbanizar propriedades com fins turísticos, nomeadamente a quinta do Morgado de Quarteira que se haveria de transformar no complexo urbano-turístico de Vilamoura.
No quadro de forte desenvolvimento turístico internacional que então se iniciava, a Lusotur pretendia criar o mais completo e maior empreendimento turístico do país, com elevada qualidade, a nível europeu.

Anúncio publicitário de Vilamoura, 1968


O Plano Geral de Urbanização de Vilamoura abrangia inicialmente 1631 hectares, 1053 dos quais destinados a utilização turística. A par das 50 000 camas que então previa, incluía uma vasta gama de serviços de natureza hoteleira, social e desportiva. Das estruturas que iriam nascer e formar esta “nova cidade” salientam-se as que eram mais inovadoras: a marina, os campos de golfe, o casino, os lagos e as zonas verdes.
O plano de desenvolvimento inicial de Vilamoura foi evoluindo e foi-se adaptando aos novos tempos.

Página de uma brochura promocional de Vilamoura, anos 1970



Vilamoura, anos 1970


Vilamoura, anos 1970


Em dezembro de 1995 dá-se novo marco na evolução de Vilamoura com a aquisição da Lusotur pelo Grupo André Jordan. Para além da revitalização do empreendimento dá-se o lançamento da segunda fase do projeto conhecida como Vilamoura XXI. Esta fase quase duplica a área total de Vilamoura tornando-a no maior complexo residencial e turístico de baixa densidade da Europa.

Atualmente é a empresa Lusort que detém o complexo, sendo igualmente responsável pela gestão da Marina de Vilamoura que conta com cerca de 825 postos de amarração. O novo projeto da Lusort para Vilamoura é a “cidade lacustre”, uma área de lagos e canais navegáveis que pretende torná-la também numa referência turística a nível europeu.


Projeto "Cidade Lacustre" de Vilamoura. Imagem do site da Lusort

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Festivais do Algarve

Cartaz do I Salão de Arte do Algarve, com a imagem oficial que promoveu os diversos eventos incluídos nos Festivais do Algarve de 1968


A animação turística do Algarve tem sido uma preocupação constante dos organismos responsáveis pelo setor. Nestas “memórias do turismo” invocamos hoje os “Festivais do Algarve”, um programa promovido em 1968, com a vontade expressa dos organizadores de contribuir para uma cada vez maior projeção do Algarve no mundo.

Realizados pelo Gabinete de Desenvolvimento Turístico do Algarve, os Festivais incluíram nesse ano, a Festa do 1º de maio em Alte, as Festas dos Santos Populares de Olhão, espetáculos de folclore nacional e internacional, o I Salão de Arte do Algarve realizado em Faro, um concurso fotográfico, o II Concurso Internacional de Pesca Desportiva, disputado em Sagres e a I Exposição Nacional Canina do Algarve.



Catálogo da exposição do Concurso Fotográfico que encerrou os Festivais do Algarve de 1968

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas Festas!

Clique aqui para ver animação do postal


O blog Turismo do Algarve deseja aos seus leitores um Feliz Natal e, como anda em maré de “memórias”, aproveita para recordar alguns postais de Boas Festas que nas últimas décadas serviram este mesmo propósito.







quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

«As 1001 praias do Algarve»

Praia da Marinha (Lagoa), eleita uma das «100 mais belas praias do mundo» pelos guias Michelin (foto Luís da Cruz)


Quem não viveu já uma história maravilhosa numa praia do Algarve? Não é de estranhar, pois algumas das mais bonitas e acolhedoras praias do mundo estão aqui! E por isso todos os anos milhares de turistas as procuram.

Entre paisagens de cortar a respiração, com extensos areais ou arribas altíssimas, rochedos cor de barro e um mar azul, as praias algarvias estendem-se ao longo de cerca de 200 quilómetros de costa e são a escolha ideal para umas férias revigorantes.

Este é o maior património natural da região e, para ajudar a preservá-lo, o Turismo do Algarve vai dedicar-lhe em 2012 uma nova iniciativa neste blogue com o sugestivo lema «As 1001 praias do Algarve».

Todos os dias apresentaremos uma praia, percorrendo a costa algarvia do sotavento ao barlavento, sem esquecer a costa Vicentina ou a ria Formosa.

Mas vocês também podem participar! Basta enviarem as fotografias ou histórias da vossa praia preferida para o e-mail blog@turismodoalgarve.pt e no final de cada semana divulgaremos as melhores participações no blogue e nas nossas redes sociais oficiais.

A iniciativa decorrerá em linha de janeiro a abril e insere-se no âmbito da eleição das «7 Maravilhas – Praias de Portugal®», passatempo que vai eleger as melhores praias do país em diversas categorias, incluindo praias urbanas, selvagens, de arribas, dunas ou uso desportivo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hoje, Centenário do Turismo exibe filmes sobre o Algarve

Imagem do filme "Algarve encantado"(1938), retirada do livro "Filmando a Luz" editado em 2007 pela Algarve Film Commission

A Cinemateca Portuguesa (Lisboa) exibe hoje, às 19h30, na Sala Luis de Pina, três filmes sobre o Algarve. Trata-se de uma sessão integrada no programa do Centenário do Turismo que não podíamos deixar de destacar nas "memórias do turismo do Algarve". Quem puder... não perca.

Imagem do filme "Algarve encantado"(1938), retirada do livro "Filmando a Luz" editado em 2007 pela Algarve Film Commission


A série “Imagens de Portugal” prossegue, nesta quarta-feira, com a última sessão de dezembro, composta exclusivamente por filmes sobre a região do Algarve.
Durante o Estado Novo, as regiões tiveram um peso importante na organização administrativa do país e na retórica salazarista. Muitos filmes procuraram sintetizar as características “essenciais” de cada região e seria possível organizar várias sessões para quase todas elas. Esta sessão vale como “estudo de caso” e mostra como a representação cinematográfica de uma região se fez quase sempre através da acumulação de estereótipos: neste caso, o Algarve das mouras encantadas, das amendoeiras em flor e do turismo de massas.

ALGARVE ENCANTADO
de Armando de Miranda
Portugal, 1938 / 15 min

ALGARVE
de Faria de Almeida
Portugal, 1972 / 12 min, cor


ALBUFEIRA
de António de Macedo
Portugal, 1968 / 28 min, cor


Duração total da sessão: 55 min
Sessão apresentada pelo geógrafo José Manuel Simões.

Algarve: estância de inverno

Típicas chaminés algarvias, Quarteira, 1932

Com a chegada do inverno, queremos recordar aqui que, turisticamente, o Algarve começou por ser divulgado como estância para se desfrutar nesta época do ano. As publicações que nas décadas de 1930 e 1940 publicitavam este destino turístico faziam-no sobretudo com referências à amenidade do clima, à floração da amendoeira e a ao seu tipicismo.

Ilustração de Roberto Nobre na contracapa do "Guia-Album do Algarve: Sotavento", 1932


Do “Guia-Album do Algarve: Sotavento”, de 1932, edição compilada por Mário Lyster Franco, com fotografias de Zambrano Gomez e ilustrações de Roberto Nobre, retiramos alguns excertos das indicações úteis que então eram dadas aos turistas:

“A melhor época para visitar o Algarve é o inverno. É a estação em que florescem as amendoeiras (de 15 de Janeiro a 15 de Fevereiro), em que ele vive o «momento Lausperenne», o seu verdadeiro momento musical. De resto, o Algarve é, sobretudo, uma grande estação de inverno, período em que a média térmica de Faro e Lagos é de 12º e 11º respectivamente, uma e outra superiores à que apresentam Nice ( 8º), Biarritz (8º) e outros centros afamados (…). São estas as condições verdadeiramente privilegiadas que o Algarve oferece para o desenvolvimento do turismo.”

Amendoeiras em flor, São Brás de Alportel, 1932


“Servido por magníficas estradas, em grande parte alcatroadas, resguardadas nos sítios mais perigosos e dotadas do relevé apropriado, se excluirmos Alcoutim, Odeleite e S. marcos da Serra, todas as outras povoações possuem fácil acesso por via ordinária e estão na grande maioria ligadas por carreiras constantes de camionetas, não sendo também para desprezar em quasi todas, as facilidades de comunicação que o caminho de ferro lhes oferece.”


Estrada Faro-Olhão, 1932


“O Algarve tem ainda, disseminados por si, 5 ou 6 hotéis que permitem um aceitável passadio, restaurants que não envergonham e pensões sofríveis nalgumas localidades, garages de recolha de automóveis nas principais povoações (…). E tem sobretudo muita coisa digna de ser vista (…)”.



Ilustração de Roberto Nobre, 1932

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"O Algarve visto pelas crianças"



Sabemos o quanto é crítica a influência das crianças na escolha que os seus pais possam fazer de destinos de férias. Os mais recentes estudos de marketing turístico demonstram isso mesmo e o Algarve, destino turístico ideal para famílias, não descura essa vertente, tendo até, em 2000, criado as mascotes Al & Tibi com o propósito de cativar este jovem público.


Postal de Natal das mascotes do Turismo do Algarve enviado aos membros do Clube Al&Tibi, anos 2000


As “memórias do turismo” vão hoje um pouco mais atrás no tempo, para recordar que já nos anos 1970 as crianças eram alvo de ações de sensibilização para o turismo e de divulgação do Algarve.
Fica aqui o registo do concurso “O Algarve visto pelas crianças” que começou por ser organizado pelo Serviço de Festivais da Secretaria de Estado de Informação e Turismo e passou depois a sê-lo pela Comissão Regional de Turismo do Algarve.

Na festa de entrega de prémios do concurso "O Algarve visto pelas crianças", com o presidente da CRTA Pearce de Azevedo, anos 1970


Festa de entrega de prémios - Concurso "O Algarve visto pelas crianças", anos 1970



Aspeto da exposição dos trabalhos participantes no concurso "O Algarve visto pelas crianças", anos 1970

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Aqui nasceu o "Trovante"

Que o Algarve é uma região inspiradora já o sabemos e, nestas “memórias do turismo”, já tivemos a oportunidade de contar como inspirou músicas de grandes bandas: dos Beatles aos Barclay James Harvest.

Hoje recordamos como é que o Algarve viu nascer a já mítica banda portuguesa “Trovante”. Fazemo-lo através das palavras de Luís Represas, tal como ele as ofereceu ao Turismo do Algarve no livro “Algarve, 40 anos, 40 olhares”.


Luis Represas com os seus amigos, em Sagres, anos 1970


“Tenho com o Algarve uma relação no mínimo curiosa. Até aos meus dezanove anos as viagens ao Algarve contavam-se por um dedo de uma mão. Em 72 uma expedição espeleológica tinha-me levado a Estombar e à Mexilhoeira da Carregação.
Ficava longe esse Algarve. Longe demais para quem tinha a sua base de férias, os tais quatro meses de praia, na maravilhosa Costa da Caparica de então.
Volta não volta, chegavam-me notícias desse distante território através dos poucos colegas que frequentavam o Sul de Portugal. Notícias de águas quentes e cristalinas, falésias que mergulhavam no mar abrindo bocarras profundas de luz mágica e irreal.
Em 76 lá fui País abaixo, arrastado pelos amigos e pela paixão. Era então Sagres o destino. Poucos eram os que lá arribavam. Os nativos, os veraneantes que havia anos tinham adoptado a Ponta como segunda casa, e os “pés descalços”, fossem eles alemães, holandeses, ingleses ou portugueses, que de tenda e mochila à costas protagonizavam um primeiro género de Low Cost.
“Liberdade. Liberdade” gritava-se então. E em nome dessa Liberdade plantávamos as tendas junto à linha de maré-cheia num cantinho da Mareta onde não atrapalhássemos ninguém. Fogueiras para cozinhar, fogueiras para aquecer, fogueiras para namorar, fogueiras para tocar. Mas a praia sempre impecável, coisa que hoje em dia com todas as restrições e regras não acontece. Nem em Sagres nem no Céu. Mas nós éramos assim. Amávamos demais essa liberdade para deixar marcas indesejáveis naquele palmo de paraíso. Cinquenta metros acima, o Mar à Vista oferecia as melhores Lulas recheadas do planeta, o medronho mais selvagem do sistema solar e a simpatia mais quente do Universo. Aí, todas as noites, cinco rapazes juntavam-se de guitarras, flautas e bongós em punho, esgrimindo canções, desfazendo o stock de medronho e cerveja suportado pelos proprietários, que rapidamente tinham compreendido o sentido da palavra simbiose. Sem qualquer tipo de compromisso ou contrato, a gente abancava, bebia e tocava, os clientes animavam-se e eles viam a sua casa composta e a transbordar de freguesia.
E assim, neste remoto e desconhecido Algarve, rampa de lançamento da Glória Marítima Nacional, nasceu o Trovante, de onde nasci eu e todos os outros que o inventaram.
Tantos anos passaram. Já perdi a conta aos dedos necessários para contar as vezes que voltei desde então, maioritariamente para tocar, ao Algarve que ficou mais perto, muito mais perto, mas que, mesmo assim, ainda consegue guardar os seus maravilhosos segredos mais escondidos.
E podem ter a certeza que não serei eu que os vou revelar.”



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vale do Lobo

Folhetos de divulgação de Vale do Lobo e Hotel D. Filipa, 1969


Em 1962, durante um passeio a cavalo, o britânico Richard Costain descobre Vale do Lobo e fica encantado com o lugar. Vislumbra desde logo o enorme potencial daquela área de pinhais e de praias desertas e sonha transformá-la num resort turístico de excelência.

Imagem do site de Vale do Lobo

Adquire então os terrenos e, em associação com a Trust Houses, constrói um campo de golfe de 18 buracos, desenhado por Henry Cotton, e o Hotel Dona Filipa (1968). São também construídas as primeiras moradias e já em 1972 são acrescentados 9 buracos ao campo de golfe inicial.


Algarve Golf Open, 1971. Imagem do site de Vale do Lobo

Com a revolução de 1974, dá-se um revés nos planos de Richard Costain e em tempos difíceis o empreendimento acaba por ser vendido.

Em 1978 é Sander Van Gelder, um empreendedor holandês que também tinha descoberto os encantos do local, que dá continuidade ao sonho de Costain. Inicialmente Van Gelder tencionava adquirir um lote para uma moradia, mas acaba por ficar com todo o empreendimento mais os terrenos que permitem a expansão do complexo turístico e imobiliário ao longo das décadas de 1980 e 1990.



Folheto de divulgação de Vale do Lobo, anos 1980


Para além da componente residencial e turística do resort, Vale do Lobo tem sido ao longo dos anos palco de grandes eventos, sobretudo de golfe e ténis.